14.8.12

Regresso a Lisboa com pezinhos de coentrada

Deixei Avis depois de 15 dias de férias como há muito não tinha. Tantas coisas boas, algumas inesquecíveis e não foi só comida. Mas aqui sim, é só cozinha e histórias relacionadas.
Num dos dias das férias fui ao Fava (Tasca do Montinho) para beber uma imperial e dois dedos de conversa, mas ao entrar, como de costume deitei o olho à lista e havia "sopa de cação".
Era cedo para almoçarmos, mas a tentação era grande:
- Fava, podemos levar 1 dose de sopa de cação?
E assim foi. A Maria José preparou a prometedora sopa, o Fava cortou fatias finíssimas do bom pão do Alcórrego e algum tempo depois, já em casa, fomos inundados pelos aromas e sabores daquele singelo preparado na sua forma mais perfeita. A melhor sopa de cação de sempre.
Voltei às ideias que repetira nos dias anteriores ao comer as febrinhas, o pica-pau de porco com ameijoas, os geniais ovos mexidos com espargos bravos. O rigor do tempero e a clareza e simplicidade das poucas coisas (quase sempre as mesmas) que contribuem para o prato final. A Maria José esteve sempre em grande forma nestes dias de Agosto e cheguei a ficar comovido com aquelas mãos que temperam como as melhores.
Já em Lisboa preparei para mim uns pezinhos de porco de coentrada, quase rigorosos, mas no último instante em vez de engrossar o caldo com um pouco de farinha, resolvi juntar Udon, uma massa japonesa(!!!) de trigo, bastante grossa e que me pareceu adequada.
Sei que na Tasca do Montinho ninguém iria aprovar a ideia, mas ficou muito bom e faz todo o sentido. Tenho de voltar a fazer isto e dar a provar a alguém só para me certificar que não estou maluco.

5.8.12

2 lombinhos


No talho do supermercado em Avis, compram-se uns belos lombinhos de porco. Nada a ver com os lisboetas, que aparecem quase sempre cheios de peles, gorduras e outras imprecisões que em nada ajudam. Estes eram perfeitos e por isso comprei 2.
Com o primeiro dei-lhe o tratamento filipino. O adobo.
Parti os lombinhos em pedaços pequenos e deixei marinar durante 2 horas com:
- 6 colheres de sopa com molho de soja
- 3 colheres de sopa com vinagre
- 1 colher de sobremesa com açúcar
- 5 dentes de alho picados

Depois de marinada a carne deitei-a num tacho e juntei água até cobrir. Então juntei
- 4 folhas de louro
- 1 colher de sobremesa com pimenta preta moída

Com lume médio e tampa mal posta deixei fervilhar por 40 minutos e passado esse tempo, provei e deitei um pouco mais de açúcar, pois o adobo deve ficar algo adocicado, mas mantendo o gosto do vinagre.

Para acabar, aumentei o calor e deixei o molho engrossar um pouco. O acompanhamento tem de ser arroz branco. Para mim gosto de o comer em tigela, com o arroz no fundo e um pouco deste adobo por cima.

O outro lombo foi tratado de forma mais alentejana. Fiz uma marinada com 4 denetes de alho picados, 2 folhas de louro, meio copo de vinho branco e uma colher de sobremesa com colorau. Parti a carne e deixei-a a tomar o sabor da marinada de um dia para o outro.
Depois escorri a carne e fritei numa mistura de boa banha de Estremoz e azeite da Samarra. Juntei a marinada e deixei ferver um pouco enquanto fritava umas belas batatas em cubos. para acabar, depois da marinada reduzida deitei uma mão cheia de coentros picados e misturei as batatas fritas com a carne.

Não vou escolher entre um e outro pois gosto dos dois pratos, tão diferentes no resultado final mas ambos deliciosos.

E viva este verão alentejano, cheio de amigos e dias bem passados

2.8.12

De férias no Alentejo


Nesta paz de boas pessoas e tempo quente, vamos molemente passando pelos dias sem grandes solavancos. Fazem-se umas comidas porque a fome aparece de quando em vez, mas sempre dominada pelo pão, essa obra de arte alentejana que nos tenta ao modesto petiscar que percorre o dia.
Torradinhas com manteiga, pão com queijo de cabra, com azeitonas, apenas com azeite, ou esfregado com alho e tomate,  está sempre presente e não chega a migas.
Fiz um honesto bacalhau com batatas salteadas e molho branco(vulgo bacalhau com natas), onde a cremosidade e sabor do referido molho é rei. Não há como fugir ao trabalho manual para ter um molho capaz e quem deita o olho ao que se vende já feito, melhor será ir comer fora.
Fiz um esparguete com atum, uma espécie de bolonhesa que em vez de carne leva o dito peixe de lata. Coisa simples mas muito boa, desde que o molho de tomate seja feito como manda a regra, e sem grandes pressas para que o sabor tenha tempo de encontrar o seu caminho.
No jantar mais formal até à data, com direito a convidados e tudo, foi a vez de servir um arroz de gambas e vieiras, que todos elogiaram. Aqui o importante é o caldo das cabeças de gamba, feito com cebolas, alhos, aipo, louro, sementes de funcho(e um pouco de vermute branco para reforçar o aroma do funcho), com o qual se cozerá o arroz. Quando ao marisco, basta juntá-lo 3 ou 4 minutos antes de apagar o lume e acabar tudo com coentros picados.
Também já fiz um jantar de pizza para alegria das crianças. Fiz a massa com 1Kg de farinha e fermento de padeiro e rendeu o suficiente para 5 pizzas grandes.
Nesse jantar a preferida foi a de queijo e bacon.
- Estendi a massa e untei com um pouco de azeite
- Espalhei uma mistura de queijos aos pedaços para pizza
- Sobre o queijo deitei uma cebola em rodelas e alourada com cubos de bacon (2 colheres de sopa)
- Acabei com mozarella em pedaços grandes e tomilho

Também já fui almoçar ao Fava e espero ir lá jantar amanhã (vens?). O almoço foi tão bom pela comida, como pela conversa.  Enquanto eu despachava um belo pica-pau (de porco)com ameijoas, o Fava esperava pelas suas costeletas de borrego e ia divagando entre o Benfica, as prezadas e sempre excelentes imperiais, os petiscos e a seca na barragem do Maranhão.

Vou ficar por aqui mais uns dias e nada pára. Já se pensa nos próximos repastos...