26.4.11

De volta a Lisboa

Entre chuva, trovoada e algum sol, ainda se fez muita coisa, incluindo no que respeita aos assuntos deste blog.
Fomos ao "pescaíto frito"  no Simon em Punta del Moral e estava bom como de costume e, mesmo que o presunto não seja tão bom como no El Choco de Ayamonte, o ambiente é descontraído a cerveja é gelada, as azeitonas são bem temperadas e  a paella soube-me muito bem,
Nas Cabanas ainda voltei à Noélia, pois a raia alhada estava-me atravessada e lá se resolveu a coisa a contento de todos. A raia estava excelente, conforme a promessa da Noélia ao entrar e tanto eu como a minha filha - que já comemos a afamada raia da Tasca da Esquina, não temos dúvidas em dizer que a Noélia trata a raia como ninguém.

E cozinhei, claro. Muitos grelhados mas também um borrego guisado simples mas delicioso, pois a carne que compro nas Cabanas é de grande qualidade - quando me disseram que o matadouro mais próximo é agora o de Beja (2 horas de viajem) fiquei sem palavras para além de "que estupidez".
Quanto ao borrego, juntei na panela a carne (uma paleta) partida, 4 dentes de alho esborrachados, 1 folha de louro, 3 cebolas às rodelas, 3 tomates sem peles, um copo de vinho branco e muitos óregãos.
Quando regressei da praia (chuvosa), levei a panela ao lume e juntei 3 cenouras às rodelas, 3 colheres de sopa de polpa de tomate e o sal.
Ficou a fervilhar com a tampa posta, durante 30 minutos. Depois provei, deitei uma pitada de açúcar e ferveu mais uns minutos antes de lhe  juntar 5 batatas médias partidas aos quartos  e um pouco de água para cobrir.
Assim que as batatas cozeram, apaguei o lume, juntei 3 pés de hortelã e tapei.  Passados 5 minutos já estávamos ( eu, a minha filha e a minha sobrinha) a molhar alegremente o belo pão de Cacela naquele molho avermelhado, de onde saía o perfume da hortelã.
Estava delicioso na sua singela falta de especiarias!!! Em Lisboa eu juntaria cravinho e pimenta pelo menos. Ficaria melhor? Acho que não. Aquele borrego de sabor tão frágil quanto delicioso, precisa de tratos ligeiros e sabores dele conhecidos.

Fiz uma açorda de conquilhas, carapaus fritos, arroz de pimentos, lulas recheadas, várias vezes as febras de vinagrete para aproveitar os restos dos grelhados  e muita salada de tomate, cebola e pepino com óregãos para chamar o verão(mas não resultou).
Mais uma semana de come e dorme, a pacata vida de turista nas Cabanas, pois a vida real de lá é outra  e mais dura.

Masterchef PT

Vamos a isto - inscrições

20.4.11

Com a Noélia nas Cabanas

Armado em pendura, juntei-me a um grupo de chefs a sério e fui jantar à Noélia, aqui nas Cabanas, onde tenho estado a passar estes dias chuvosos de férias da Páscoa.
Um jantar muito bom e variado, que começou com umas espetadas de  moxama e manchego, seguindo pelas ameijoas ao natural, tostas de camarões com abacate. polvo com batata doce, presas de porco grelhadas, mas acima de tudo e a tocar o céu as favas (que a minha avó chamaria de aporcalhadas) e uma açorda de conquilhas capaz de fazer corar de vergonha quase todas as açordas que comi, e já comi muitas.

18.4.11

Quem sai aos seus...


O primeiro dia desta semana de férias começou(e continua) encoberto e ventoso. Estou nas Cabanas com
a minha filha e a minha sobrinha.
Hoje é segunda-feira e a escolha alimentar é ainda mais reduzida que nos outros dias e assim, comprei salsichas para cozinhar no grelhador eléctrico que tão bem se porta desde que o comprei.

Junto com as salsichas, servi uma salada de batata e pepino de que gosto muito, serve para acompanhar quase tudo e não tem grandes mistérios embora eu a faça com as batatas "cozidas demais", ou seja, à beira de  começarem a desfazer-se, pois aquela polpa macia ensopa o azeite e ganha uma qualidade que eu muito aprecio. Outros dirão que me esqueci das batatas ao lume, mas não é verdade.
Batatas cozidas e partidas em pedaços pequenos, rodelas finas de pepino (salgadas e lavadas para perdem algum do seu amargor), fatias finas de cebola igualmente salgadas e lavadas, ovo cozido, azeite, oregãos e maionese.

Além destas batatas fiz uma salada de tomate temperada com azeite, que estivera algum tempo com um dente de alho muito bem picado e os belos oregãos algarvios que nada têm a ver com aqueles que se compram em Lisboa.
Cortei o tomate em rodelas finas, temperei com sal e antes de levar para a mesa, juntei o azeite aromatizado.

A refeição correu bem, e de tudo,  o que as meninas preferiram foi a salada de tomate e no final limparam todo o azeite do prato com pedacinhos do belo pão das Cabanas.

O meu avô Zuzarte gostaria de ter visto as bisnetas a rapar, com pão, esse azeite do prato da salada até nada restar.

16.4.11

O grão da Poesia no Frágil

Para a Rita Martins

Só o Alberto Caeiro não comeu nada e se comesse acho que se ficaria pela caprese com que o jantar começou, embora o “meu” grão com farinheira – remix da receita dos Gourmets Amadores, fosse pouco ou nada metafísico(a hortelã talvez conte) e por isso creio que não lhe desagradaria...
Quando vi a receita no blog dos gourmets, comecei por gostar do título e depois das fotos. Li a introdução e já nem olhei bem para a receita, pois é daquelas coisas que sei fazer de cor. Limitei-me a registar que tinha de fazer aquilo e então, quando fosse o caso, iria rever o texto.
Afinal foi ver e alterar.
Não que a achasse curta ou fraca, mas porque ia fazer uma quantidade grande e multiplicar as farinheiras podia não ser bom. Resolvi diversificar a carne.
Alterar, também porque está na minha natureza, ser pouco dado à repetição simples, aquilo que todos apreciam nos cozinhados da família, ou seja a consistência, é uma peça que me falta. Ninguém pode ter tudo.
Não sei fazer os melhores croquetes do mundo como a minha mãe, mas sei fazer muitos pratos diferentes de caril, ou de frango no forno, ou arrozes e revueltos variados.

Para o meu guisado de farinheira usei:

250g de entremeada salgada
250g de cachaço de porco
½ chouriço de carne alentejano
2 farinheiras de Seia
750g de grão escorrido
2 cebolas
2 dentes de alho
1 folha de louro
2 tomates sem pele nem grainhas
1 colher de sopa de pasta de tomate
1 colher de sopa com oregãos
1 cenoura
1 courgette
!/2 pimento vermelho
1 copo de vinho branco
folhas de hortelã

A entremeada salgada passou ½ dia de molho para perder algum excesso de sal e depois, cortada em cubos pequenos, foi para a panela com um fio de azeite para alourar.
Tirei os cubinhos de entremeada, deitei fora a gordura e de seguida salteei a carne do cachaço também cortada em pedaços pequenos. Retirei a carne e piquei a cebola para de seguida a refogar, com o alho picado e a folha de louro. Juntei a pasta de tomate, a cenoura em rodelas finas, a courgette em cubos, o tomate picado e os oregãos.
Pouco depois juntei a carne toda e misturei. Deitei o copo de vinho e deixei fervilhar durante 5 minutos.
Em cima do guisado coloquei as 2 farinheiras com um palito espetado para não rebentarem e pus a tampa na panela. Assim ficou durante 15 minutos em lume brando.
Passado este tempo tirei as farinheiras, provei o resto, corrigi o sal e juntei uma colher de chá com açúcar, pois o tomate dera ao guisadinho alguma acidez em excesso. Então juntei o grão, bem como um copo com água e deixei cozinhar por mais 15 minutos.
No final as farinheiras já cortadas em rodelas voltaram para o convívio, com 6 ou 7 folhas de hortelã que deram um perfume indispensável (e quase metafísico).

"O comer" ainda atravessou Lisboa em tupperware do chinês, para ir à festa do Alberto Caeiro e foi aquecido num micro-onda. Sobreviveu e agradou, segundo me disseram.







Sandes

uma carcaça de lenha aberta ao meio
um fio de bom azeite numa das metades
a rodela de tomate com um nadinha de sal
e uma fatia fina de chourição

Para mim basta assim, e custa-me a entender aquelas sandes que os americanos fazem com 20 fatias de carne, ou com tanta coisa diferente que no final assustam de tão grandes.

Presunto sozinho
Salmão fumado e pepino
Queijo e marmelada
Tomate, queijo fresco e uma anchova
Ovos mexidos com chouriço

13.4.11

Ainda não é desta

Dia após dia, penso que devia actualizar o blog. Esta é uma relação com ninguém, mas sente-se a culpa e se deixamos de  actualizar também deixamos de existir(aqui).
Dia após dia penso no assunto e na primeira frase. Depois nalgumas ideias soltas mas há sempre alguma coisa que se intromete, incluindo a preguiça ou a falta de inspiração.
Sim que isto não é só debitar receitas e já está.

Hei-de escrever sobre ceviche, caril de pernil fumado, ovas cozidas, o grão com farinheira dos gourmets amadores (belo blog), escabeche de codorniz e sabe-se lá o quê mais. Mas para a semana estou de férias nas Cabanas e tenho tempo - terei vontade?