29.10.10

Gratinado

Ontem fiz este prato de abóbora e batata doce gratinada  e a família rejubilou. Usei 2 folhas de salva ao saltear os legumes e o perfume dessa erva ficou muito bem no prato. Não usei o gruyère recomendado mas sim 1 colher de sopa de parmesão na mistura de natas e ovos e antes de levar ao forno espalhei por cima 4 triangulos do queijo "vaca que ri" ...

27.10.10

Meerapa

As legendas são a melhor parte do Top Chef . Um destes dias traduziram plantain (banana da terra) por plantina, palavra inexistente nas línguas que conheço. Hoje inventaram "meerapa" (!!!) quando um dos concorrentes pronunciou a  palavra "mirepoix".
Grandes bestas!

22.10.10

Frigorífico novo

Ao fim dum mês desistimos de esperar pela peça que não havia na fábrica  e fomos comprar um frigorífico novo. Hoje durante a hora de almoço fui ao mercado de Alvalade e já tenho carne, peixe e legumes, um pouco melhores que os do super-mercado.
Aleluia.
O meu frigorífico velho era Ariston, o novo não!

21.10.10

Não é o Japão mas anda perto

Ontem vi um video muito bom da senhora japonesa e o seu lulu cinzento. Este é sobre os "bentos" que no Japão são uma espécie de almoço portátil, colorido e variado como nunca o ocidente se lembrou de criar.
Para o nosso jantar fiz a salada de batata e a omelete com os espinafres, copiados directamente do video. Para completar a refeição preparei umas costeletas de porco com molho teryaki.
Para o molho juntei:
3 colheres de sopa de molho de soja
3 colheres de sopa de mirin
1 colher de sopa de vinagre de arroz
1 colher de sopa de açúcar
3 ou 4 gotas de óleo de sésamo
1/2 colher de sopa de gengibre picado
1 dente de alho picado
Depois de misturar isto tudo, provo e às vezes junto mais qualquer coisas para ficar com um sabor "equilibrado". Depois deixo a carne marinar durante 30 minutos, escorro e frito num pouco de óleo. Uma vez frita a carne (isto também pode ser feito com frango  ou salmão) tiro-a da frigideira e deito a marinada que fervilha um pouco para espessar. Ontem juntei no final 1 colher de sopa de sumo de laranja ao molho antes de o deitar na carne.

Tahini

Tudo o que nós queríamos saber sobre o tahini mas não nos tínhamos lembrado de perguntar - no Come-se, é claro! Obrigado Neide,  vou misturar tahini e mel para a minha filha provar(e eu)

18.10.10

Açorda alentejana

Ontem o jantar foi pescada cozida com batatas e uma saladita feita com tomate,pepino, cebola e azeitonas. Conheço muita gente que não liga ao peixe cozido, mas no meu caso, faz parte daquelas refeições regulares de antigamente e gosto bastante de comprar bom peixe e cozê-lo com cuidado, numa água aromatizada com alho, cebola, louro e pimenta preta. Assim, fico logo a meio caminho para a açorda do day after, pois só alguém muito perturbado é que deitaria fora aquele caldo onde o peixe cozeu.
A primeira coisa a fazer é  aquecer a água de cozer o peixe, e logo fazer um pisado com alho, sal grosso e muitos coentros frescos. A esse pisado junto depois azeite e deito sobre a tigela para onde miguei 3 fatias de pão alentejano. Ao caldo que fervilha sobre o lume junto uma posta de peixe e o ovo para escalfar. Ao fim de 1 minuto apago o lume e deito tudo sobre o pão duro e migado.
Para acabar junto pimenta preta e um pouco  mais de azeite. Como diz  o, por vezes muito trapalhão, Jamie Oliver, happy days ...

Frango, hummus, salada

O frango assado é sempre uma solução apreciada cá em casa. Marinado ou simples, inteiro, desossado ou em pedaço,s há muitas formas de o preparar e também de aproveitar as sobras.
O ultimo que fiz, estava em pedaços e foi temperado com uma pasta feita com alho, óregãos, sumo de limão, azeite e sal. Uma coisa simples mas eficaz, que rapidamente  tempera o frango, em especial porque lhe tinha feito uns cortes, que reduzem o tempo de forno e facilitam a adesão do tempero à causa geral - o bom sabor.

Para aproveitar o que sobrou, e matar saudades dum restaurante londrino onde não consegui lugar da ultima vez que lá estive, fiz hummus - uma lata de grão escorrida, 4 (ou mais) colheres de sopa de azeite, sumo de meio limão, 1 dente de alho,q colher de sopa com tahini,  1 colher de chá com óregãos, sal, pimenta e paprika tudo bem desfeito no copo dos batidos com um pouco de água para ajudar  e no fim, depois de espalhado o hummus no prato , deitei  mais azeite, mais paprika e salsa picada - e servi o frango já sem ossos e aquecido, a pasta de grão e uma salada de rucula, agriões e queijo fresco. Como o frango ainda tinha molho aqueci-o e levei para a mesa onde cada um deitou a seu gosto.
Frango assado, hummus e agrião é uma combinação perfeita, que merece mais do que ser um simples prato de aproveitamentos.
...
Eu comecei por me esquecer de incluir o tahini na receita, o que fez alguém rejubilar, mas era apenas um lapso. Eu uso sempre tahini  para fazer o hummus,  mas já vi receitas onde se usa manteiga de amendoim ...

6.10.10

Um frango para três refeições

Fiz ontem para o jantar um belo frango assado no forno, com uma inspiração malaia, por tanta receita que tenho lido, aí dessas bandas.
No almofariz deitei 3 dentes de alho, 1 colher de chá com gengibre picado, 1 colher de café com pimenta preta, 1 colher de café com sementes de cominho, 1 colher de café com  curcuma, 3 cravinhos, 5 cardamomos (só o interior), 1 colher de chá com sal, 1 colher de chá com açúcar.
Depois de estar tudo moído, juntei  3 colheres de sopa de molho de soja e 1 colher de sopa de óleo de amendoim. Esfreguei o frango com este preparado e deixei-o assim durante 1 hora.
Liguei o forno para aquecer a 200º enquanto preparava o frango. O bicho, que estava inteiro, mas aberto pela frente, foi regado com um copo de leite de coco e rumou ao forno para assar.
Liguei o grill e fui regando com o molho, virei ao fim de 20 minutos e perto dos 45 achei que estava pronto. E estava mesmo.
Foi comido assim, bem assado e quente, acompanhado por arroz branco e salada. Eu comi as asas de que tanto gosto e as senhoras dividiram 1 peito e uma perna - foi uma refeição frugal.
Hoje ao almoço, desossei a outra perna e mais uns bocaditos, fritei 2 batatas cortadas em cubos e misturei com a carne. Deitei pimenta preta e um pouco de sumo de lima e foi almoço para o casal, já que a filhinha estava na escola. Ao jantar ainda consegui fazer um belo arroz com o resto que já era pouco e por isso houve mais empenho.
Desossei tudo até ao limite. Guardei a carne e levei ao lume  1 colher de manteiga, 1 cebola picada, 1 dente de alho picado, sementes de cominho, cravinho e 1 pau de canela pequeno. Salteei um pouco, juntei os ossos  e deixei tudo fritar em conjunto durante uns 10 minutos antes de   juntar dois  copos de àgua e um pouco de sal para fazer um caldo onde cozer o arroz. Coei o caldo de toda aquela tralha esdrúxula e juntei um copo de arroz basmati. Fervilhou 10 minutos bem tapado e com o lume no mínimo  e depois descansou durante mais dez ainda com a tampa mas com o lume apagado.
Entretanto a os pedaços de carne e um resto de molho foram ao forno para aquecer, ao mesmo temp que cozi, descasquei e cortei em rodas,  2 ovos. Sobre a carne arrumei um dos ovos, depois o arroz e por fim o outro ovo.
Será isto a crise ? Talvez sim,  mas bem saborosa.


  

3.10.10

Caribean Goat Curry

Ao que parece está tudo na net.
Então se o tema for comida é o delírio. Faz-se uma pesquisa qualquer, por exemplo "caneja de infundice " e há receitas, procura-se bolo de chocolate e dá Cerca de 867.000 resultados (0,09 segundos) , até podemos escrever mal que alguma coisa sai.
Assim sendo tudo se pode cozinhar?  Conforme...  
Às vezes é um tiro no escuro, vemos receitas com o mesmo nome mas que são muito diferentes, por muitos motivos, principalmente por ignorância. Traduzir pak choi por couve, pimenta da jamaica por pimenta ou por pimento. substituir leite de coco por leite de vaca ou trocar salsa por coentros, tudo isto (por vezes )altera e muito o que procura cozinhar e quando as receitas vão de mão em mão no final muitas vezes só sobra o nome. Isso não é mau mas é confuso.
Vi,  no programa New British Kitchen, fazerem o caril de cabra e fiquei a salivar. Procurei receitas e há de tudo por essa net dentro.Assim fui rever o video para fazer uma coisa parecida 
No último mês já fiz por 3 vezes e ando muito contente com os resultados. Troquei a cabra por borrego e o scotch bonnet por malagueta verde, o ketchup por pasta de tomate - embora não tenho nada contra cozinhar com ketchup, mas mantive o principal, que neste caso são os sabores do tomilho - a primeira vez que vi tal planta num caril - e do coco e ainda a utilização de batatas. Faço assim:

Corto o borrego (da última vez usei 0,5Kg de cachaço que é bom para este caril,por ter carne e osso) em pedaços e tempero com um pó de caril ao qual junto pimenta de Jamaica - 1 colher de sopa de caril com 1 colher de chá de pimenta da Jamaica. A carne fica a tomar sabor durante algum tempo (mínimo 30 minutos) e depois é salteada e posta de parte. 
Na mesma panela vou deitando, uma cebola grande picada, folha de louro, uma malagueta verde, dois dentes de alho picados e sal. Quando a cebola começa a murchar junto sal, 4 ou 5 raminhos de  tomilho, 1 colher de sopa de concentrado de tomate, 1 tomate sem pele cortado em 8 e por fim a carne. Misturo e deixo cozinhar tapado durante 10 ou 15 minutos. Depois junto um pouco de água morna para cobrir mal a carne, ponho a tampa, baixo o lume  e deixo assim durante 40 minutos.    
Passado esse tempo a carne já deve estar bem cozida, junto 200 ml de leite de coco, 2 batatas cortadas em 4 e ainda umas 3 ou 4 cenouras cortadas do mesmo tamanho. Quando a cenoura estiver cozida está pronto a comer, acompanhado com arroz branco ou arroz de coco. 
Já usei abóbora em vez da cenoura e fica bom, e também já usei courgette que se desfaz e engrossa o molho com bons resultados. Podem mudar-se algumas coisas mas não roubar a alma dos pratos e para isso é preciso perceber onde ela está, coisa que nunca vi escrita de forma clara numa receita.

2.10.10

Ler e provar

Não me lembro de aprender a cozinhar. Lembro-me de aprender a ler. Também me lembro de aprender a comer, e hoje sei que são coisas inseparáveis.
Foi por saber ler e por gostar de comer que comecei e continuo a cozinhar. Desde cedo que leio receitas como quem lê histórias, e quando percebi que um dia iria sair de casa e ficar por minha conta, resolvi descobrir como se faziam as coisas que gostava de comer.
 Pontualmente fazia perguntas à minha mãe ou à minha avó materna, mas as respostas raramente tinham um lado prático.
Uma pitada disto... fica ao lume durante algum tempo... uma mancheia de sal, um gole de vinho, tampa posta, tampa quase posta etc . Como o meu blog!

Quem me ensinou a ler foi a Professora Leonilde há muitos anos atrás e nunca lhe agradeci o suficiente. Quem me lançou de empurrão para o meio dos sabores foi o meu avô Zuzarte, pois em casa dos meus pais, as manias paternas limitavam de alguma forma a ementa semanal e quando eu ia para casa dos meus avós em Torres Novas(e ia muito) apareciam à mesa coisas que a minha pouca imaginação de lisboeta não entendia, mas o meu avô não era de facilitar. O que vem para a mesa é para comer.


E foi assim que eu percebi que quase tudo se pode comer, e foi assim que comi pela primeira vez uma lista interminável de coisas, começando pelas cavalas,  passando pelos torresmos a sério, comidos ainda quentes enquanto a avó Celeste os ia fritando e que por isso me deixaram agoniado durante o resto do dia e seguindo(a lista) por enguias, coelhos, sopas várias, morcelas de arroz, bacalhau com couves, enquanto pude ter a companhia dos meus avós.
O resto veio com o balanço.