30.8.10

Bem tratados no Porto Santo

Voltei do Porto Santo, onde passei uma semana surpreendente, ao ponto de não me apetecer falar disso.
Talvez por falta de jeito meu para fazer um relato justo, por não querer estragar ou aumentar as expectativas alheias, para não ter de verbalizar muito. Foi bom mas muito singelo tal como as comidas.
Começo por dizer que nunca tinha ido à Madeira nem ao Porto Santo, não sabia o que era bolo do caco(julgava que era um bolo) e não fazia a menor ideia de que se barrava com manteiga de alho, mas assim que descobri fui a correr contar à minha filha que comeu toneladas do referido "bolo".
Nunca tinha comidas lapas e aproveitei para as comer (quase) todos os dias, principalmente as do Bar do Henrique que nos oferece uns tremoços com ervas e alho que são a melhor companhia para as imperiais geladinhas sem tirar os pés da areia.
Fiz umas comiditas normais - um arroz de polvo, um caril de frango, umas almôndegas para os mais novos, hamburgers e pouco mais que a praia estava sempre a chamar.
Fomos apaparicados por anfitriões espectaculares que nos trataram como se fossemos realeza e nos fizeram jantar quase todos os dias. Nessas sessões deram-nos a provar pratos excelentes como as tradicionais espetadas que estavam fantásticas,esparguete de marisco, feijoada à brasileira etc. E em cada sessão acabávamos com sobremesas deliciosas cada uma melhor que a anterior.
Bebi ponchas tradicionais, e ponchas de maracujá. Bebi muita cerveja Coral e depois de alguma insistência fiquei a conhecer o "tal" vinho do Porto Santo.
Quero voltar para aquela ilha parada no tempo, onde as noites no jardim não deviam acabar mas o apelo da praia era mais forte. Só por isso conseguimos sempre ir dormir antes que os galos começassem a sua matinal cantoria. Para o ano vai haver arroz de galo.

21.8.10

PS

Nada a ver com o partido, apenas Porto Santo. Uma semana.
Haverá comida? Será boa? Algo digno de registo para além de areia e mar?
PS: nada de escritos até dia 30

Muito verde e branco mas bom, mesmo bom

Fui ao sushi cafe e comi uma coisa fantastica chamada Power Wasabi etc.
Uma espécie de sushi mas enrolado em papel de arroz(branco) e que tem lá dentro o arroz(branco)do costume, peixe-manteiga(branco), abacate(verde), cebolinho(verde) e é servido com uma maionese de wasabi(verde). Memorável.
Só espero que quando lá voltar e pedir de novo este power wasabi, seja igualzinho

20.8.10

Calamares from scratch

Comprei as lulas, limpei-as, cortei em rodelas, temperei com sal e um pouco de sumo de limão e guardei no frigorífico. Depois foi só secar bem, passar por farinha (eu misturei uma chávena de farinha de milho e outra de trigo com um pouco de sal e pimenta) sacudir o excesso e fritar em óleo bem quente. Mais nada!
Muito melhor que aqueles calamares congelados a que por vezes nos condenamos por preguiça e falta de curiosidade.
Com os tentáculos, umas rodelas de chouriço e um refogado com cebola, tomate e pimento, fiz um belo e simples arroz para acompanhar as lulas fritas

18.8.10

Especiarias em férias - 1

Espetadas são tão vulgares que até chateiam. De gambas, de tamboril e lulas, de carne de porco com chouriço e pimentos, de vegetais, de ananás com bacon ou mesmo aquelas gigantes que levam tudo isto em simultâneo e precisam de um suporte para as manter penduradas...
Mas também há aquelas que se vêm nos documentários da Tailândia e do Vietname, onde tudo é mais pequeno e rápido. Os espetos são de madeira, as tiras de carne são finas, as pessoas comem 4 ou 5 em andamento e ficam sempre muito contentes porque é simples, barato e saboroso.
Eu fiz destas últimas nas férias, principalmente porque 3 febras para 3 pessoas pode parecer pouco, mas se cada uma for cortada em 3 ou 4 tiras de forma a fazer quase 1 dúzia de pequenas espetadas, parece muito mais. Normalmente até sobra, excepto se ficarem deliciosas como acontece depois de marinar a carne durante 2 ou 3 horas com:

200ml de leite de coco
sumo de 1 lima
1 colher de chá de açafrão das índias
1 colher de chá de cominhos moídos
1 colher de chá de coentros moídos
1 ou 2 dentes de alho picados
1 colher de sopa com coentros frescos picados

Como o grelhador é eléctrico, os espetos de madeira não precisam de ser postos de molho e por isso, pouco depois de voltar da praia já estou a enfiar as tiras de carne como se de pequenas cobras se tratasse, ou seja, não corto a carne em pedaços mas faço pequenas dobras onde o espeto entra. Depois é só deitar algum sal e arrumar no grelhador. % minutos de cada lado é mais que suficiente
Ao fim desses 10 minutos, estão prontas as espetadas e com um pouco mais de sumo de lima e para mim um pouco de piri piri fica o petisco pronto.
Come-se com uma salada e um pouco de arroz branco, ou apenas assim sem mais nada. Afinal são as férias e pouco depois voltamos para a praia

10.8.10

Biracu

Biracu era para mim palavra desconhecida, até ouvir a filha duns amigos usar essa expressão, para explicar o sucedido, quando uma onda maior a fez dar uma cambalhota - um biracu!
Esses amigos, que além de serem do Porto(onde a palavra é comum), também são adeptos das Cabanas e da boa comida, foram connosco no dia seguinte jantar e então, quem deu um biracu fui eu.
Durante anos comi em Ayamonte, petiscos vários, louvei as carnes do Juan Macias - hoje por nós desprezado, pois a falta de qualidade é pecado capital - louvei os peixes fritas, os "aliños" vários, os montaditos, mas sempre passei ao largo de um dos maiores e mais bem situados restaurantes, conhecido de muitos portugueses mas para mim desconhecido até ao passado sábado.
Um belo sítio, com uma bonita e respeitável barra de rija e escura madeira, uma sala que não é gigante mas é de bom tamanho, mesas na rua para os mais afortunados e, acima de tudo, com comidas de grande qualidade.
A minha filha tentou comer o presunto todo, eu achei que as puntillitas eram as melhores desde há muito tempo, o revuelto serrano era de chorar por mais e só foi pena o salmorejo ter acabado, mas será testado na próxima visita. O nome é El Choco, embora para nós seja El Troco.
Fantástico Choco, voltarei muitas vezes.
video

7.8.10

As especiarias - Cabanas 6

Curcuma em pó, coentros moídos e cominhos moídos são a base para muita coisa, designada genericamente por caril".
São as únicas especiarias que tenho aqui nas férias e já fiz três pratos bem diferentes com elas. Caril de borrego e legumes, frango frito e espetadas de porco. A contar para a semana quando já estiver em Lisboa

4.8.10

Courgettes - Cabanas 5

Não sei quando foi que vi courgettes pela primeira vez, mas não era coisa que se comprasse quando eu nasci, ou mesmo por altura do exame da quarta classe, nem sequer quando comecei a cozinhar. Mas aos poucos fui (eu e o resto do país) sendo convertido por essa abóbora tão versátil que até se pode comer crua.
Nestes dias lembrei-me que grelhadas ficam sempre bem e fiz isso mesmo, para alegria da família, em especial da "minha mais nova".
Primeiro lavo-as e corto em rodelas de 0,5cm. Deito-lhes um pouco de sla grosso e deixo-as repousar enquanto preparo a marinada.
Um dente de alho bem picado, sumo de meio limão, 2 colheres de sopa de azeite e as ervas frescas que tenho aqui, ou seja, tomilho, manjericão e hortelã.
Lavo as rodelas de courgette e deito-as na marinada para tomarem sabor. Como o meu grelhador é electrico é só acender e pouco depois já as rodelas estão a grelhar. Nessa altura corto às fatias um queijo de cabra atabafado de meia cura (massa mole) e assim que sai do grelhador uma leva de rodelas deito em cima as fatias de queijo e um fio de azeite. Repito até acabar a courgette e depois é só comer.
Já serviu de acompanhamento a salmão grelhado, já foi o prato principal dum almoço vegetariano, completado com salada de tomate, salmorejo e pãozinho do bom para molhar os azeites