25.12.09

Comida de gato - um conto de Natal

Este texto foi escrito para o meu antigo blog no Natal de 2004, mas acho que fica bem aqui.

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No centro da mesa ficara a travessa com o bacalhau do costume. Tinham já todos saído para a missa do galo, deixando ali o que sobrara do fiel amigo, gelado, na companhia de algumas batatas e do que sobrara das couves.

- Ainda se me tivessem deitado um pouco de azeite... mas não, só o deitam no prato, os egoístas.Se fosse bacalhau à Gomes de Sá ou assim, já podia arrefecer na companhia dos ovos e do azeite, mas aqui entre água, e legumes vou falar de quê?

Uma das metades de batata cozida estava a tentar organizar as ideias desde que percebera que ia ficar na travessa a arrefecer ,aguardando por saber se iria para o lixo ou para a sopa. Não era fácil uma batata pensar e muito menos articular frases, depois de cozida, cortada ao meio e enregelada, no entanto aquelas lamúrias da posta de bacalhau estavam a incomodá-la.

- Se queres falar então fala comigo, pois posso ser uma simples batata, mas ainda não sou puré, esse sim fica mole e não consegue dizer nada .

As couves essas não queriam conversa. Estavam a deixar-se embalar pela música que vinha do pinheiro de natal e já não aspiravam a mais .

A meia batata, em esforço, conseguira de novo arrumar as letrinhas de uma nova frase e toda inchada disse, dirigindo-se ao bacalhau :

Vossa excelência a posta do rabo quer conversar com mentes iluminadas , fale com as velas!

Então até as couves se riram, só as velas não reagiram pois estavam ainda apagadas e nesse estado ficavam meio perdidas para o mundo .

O bacalhau ofendido virou-se e não quis saber mais de conversas .

Quem deu o alarme foi um dos sonhos que tinha rebolado para o chão, quando o miúdo mais novo lá de casa o tentou esconder no bolso, antes de saírem para a missa. O aviso veio de longe, mas quase todos perceberam que o gato se aproximava. Com o seu andar secreto e faro apurado, vinha atacar as sobras.

Parem com isso, que eu não estou para conversas! Foram as últimas palavras da posta do rabo que às voltas com o seu amuo não reparara na chegada do felino.

A meia batata , mal refeita do susto causado pelo gato, lá explicou ao bolo rei o que sucedera, pois o bolo  ainda em cima do aparador não tinha visto nem percebido nada.

- Tanto tempo à espera da consoada e acabou em comida de gato, ele que apesar de ser uma posta do rabo, sempre sonhara com o aconchego do azeite!

21.12.09

Jantar de inverno

No meio da confusão provocada pelo lanche "Troca de Presentes" da minha filha, para o qual fiz o bolo anterior, ainda consegui fazer uma sopinha de grão, que este frio anda a pedir sopas.
Como sei que muita gente (diz que)não sabe fazer sopa, aqui fica a receita desta:
Levei um tacho ao lume com duas colheres de azeite e juntei uma folha de louro, uma colher de chá com sementes de cominhos, duas cebolas cortadas em meias luas e um dente de alho picado. Quando a cebola começou a alourar, atirei para o tacho, uma batata e uma cenoura. Passados 5 minutos deitei sal, cobri com água e tapei o tacho.
Quando a batata estava quase cozida, abri uma lata de grão e despejei a água e metade do grão. Deixei ferver mais 5 minutos e depois bati tudo até ficar um puré.
Para acabar juntei um pouco de macarronete, que cozi à parte, e o resto de grão.
Antes de levar para a mesa deitei um pouco de azeite cru por cima da sopa, pois todos gostamos assim.
Para completar o jantar de inverno, fiz umas migas de bacalhau e espinafres que também ficaram boazinhas.

Clementine cake

Eu encontrei este bolo no Chucrute com salsicha, a Fer encontrou-o nas receitas da Nigella Lawson e lendo os comentários nestas e noutras páginas percebe-se que muitos outros o fizeram.
O meu podia ter um pouco mais de açúcar, muito pouco para ficar perfeito. Quanto à receita, segui a da Fer, mas polvilhei com açúcar de confeiteiro.

14.12.09

As broas da minha avó Celeste

Para fazer as broas de café era preciso ter aqui a minha mãe, ou a avó Celeste, ou qualquer das suas filhas. Não tendo nenhuma delas resta a receita que é apenas uma descrição de ingredientes e gestos, com algumas medidas inexactas. Quem sabe, talvez resulte, a mim nunca me satisfez. Nunca (me) passaram do razoável.

Não há truques, mas suspeito que ficam melhores se forem feitas com café de cafeteira, sem filtros de quaisquer máquinas. Tentem e espero que agradem.

2,5 dl de azeite
1 colher de sopa com erva doce
1,5 colher de sopa com canela
1 pitada de sal
100 g mel
400g açucar amarelo
500ml café forte

Levar tudo isto ao lume para ferver. Tirar a panela do lume e então juntar 0,5k farinha. Misturar bem desfazendo os grumos que houver, levar de novo ao lume e mexer até se soltar das paredes e fazer bola.

Tirar do lume e deixar arrefecer a massa, para depois formar as broas. Estas podem ser redondas e depois apertam-se para fazer uns bicos. Espetar em cima de cada broa uma noz ou uma amêndoa, arrumar as broas num tabuleiro polvilhado de farinha e levar ao forno a 200º para secarem e assim ganharem mais consistência. Normalmente 15 minutos são suficientes mas podem ficar um pouco mais se se gosta delas rijas(eu gosto). Ao sair do forno passam-se por açúcar Melhoram com o passar do tempo.

9.12.09

Feriado e ponte

Foi um fim de semana comprido perto de Avis, com duas idas à Tasca do Montinho para saborear perdiz estufada, sopa de cachola, cozido de grão e migas de espargos com carne de porco grelhada... uff! fora as entradinhas, a fatia de Fidalgo que ia acabando comigo por ser ainda maior a fatia que a gulodice, as imperiais e sei lá mais o quê!
Ainda fiquei a pensar no javali guisado e na língua estufada, mas não deu para tanto.
Por causa do pão!!! Ah aquele pão!
As restantes refeições foram caseiras e fiz sopa de abóbora, pizas, iscas de porco, codornizes com molho de vinho tinto, arroz de frango, uns ovos mexidos com acelgas e outros com farinheira, grão com espinafres, empadão e migas de tomate.
Quase tudo bom de comer(o arroz de frango ficou pouco cozido e as iscas eram grossas demais), mas com pouco para dizer, no entanto vou deixar aqui nos próximos textos as receitas das codornizes, do grão e das acelgas, pois ainda não há por cá relato disso.
A suivre!

2.12.09

Marmelos

Está na altura deles e no último Life & Style do Guardian, o grande Nigel Slater fala deles e junta duas receitas, em pickles e assados

1.12.09

A base da piza

Fiz uma piza para a mesa das crianças, numa das várias festas de anos da minha filha. A piza ficou óptima e achei que a massa foi a melhor que já fiz.
Aqui fica a receita

Numa tigela misturei:
1 pacote (11g)de fermento em pó
1 c de sopa de açúcar
1 c de sobremesa de sal
200 ml de água morna
1 c de sopa de azeite

deixei o fermento entrar ao serviço ( 5 ou 6 minutos ) e depois juntei o líquido borbulhante à farinha (450g). Misturei com uma colher enquanto pude e depois deitei sobre a mesa já enfarinhada e amassei durante uns minutos.

Levedou 1 hora, levou umas palmadas para sair o ar mal cheirosos, amassei mais um pouco e foi levedar outra horinha. Esta quantidade dá para três pizas de bom tamanho.

Frango assado dedicado ao Jesus

A este frango assado cheguei por acaso, como tantas vezes acontece. Dias antes tinha provado no Tentações, um pouco do frango que o Jesus estava a preparar para o almoço da casa, quando depois do ultimo cliente sair, eles arranjam tempo para se sentar e comer. Eu vira antes o frango no seu tempero e depois provei um pedacinho acabado de sair do tacho onde decorrera a confecção.
É Frango à Cafreal à moda de Goa, disse o Jesus e eu pensei que já conhecia 3 ou 4 versões do referido frango mas todas elas eram com frango assado, esta é feita num tacho sobre o fogão.
Dois ou três dias depois estava eu a olhar para um frango e a pensar o que fazer com ele, quando passei desse clássico que é o Frango à Passarinho para uma arriscada invenção, pois decidira copiar alguns dos sabores que detectara no Cafreal de Goa e fazer o frango no forno.
Comecei por desfazer no almofariz:
* 1 colher de sopa de sementes de coentros
* 1 colher de sobremesa de sementes de cominhos
* 3 cravinhos
* 3 cardamomos
* 1 pau de canela pequeno
* 1 colher de chá com pimenta preta
Passei as sementes moídas pelo passador para excluir parte das fibras e juntei 1 colher de chá de curcuma em pó.
No copo dos batidos deitei 3 dentes de alho, um pedaço de gengibre, as folhas de 1 molho de coentros, sal, 4 colheres de sopa de vinagre e 1 colher de sopa de azeite.
Depois misturei tudo e esfreguei o frango com essa pasta e arrumei num tabuleiro para ir ao forno. Reguei tudo com o sumo de 2 limões e espalhei umas nozes de manteiga por cima.
Foi ao forno aquecido a 180º durante 45 minutos, mas de vez em quando tirava o tabuleiro para regar a carne com o molho que se ia formando.
Para acompanhar fiz um arroz pulau com ervilhas e cenoura que me deixou orgulhoso, pois estavam os bagos soltos e bem cozidos, os legumes no ponto e os aromas do basmati e das poucas especiarias (canela, cominhos e cardamomo) presentes. Um belo arroz, que acompanhou muito bem o frango assado
Quando fizer este frango para o Jesus junto umas malaguetas verdes na pasta de coentros