No dia do Chelsea – Liverpool, rumei até casa do Maurício, para atacar o excelente cozido de grão que a mãe dele (aka A Santa) tinha feito no domingo para o menino trazer.
Foi uma terça-feira chuvosa, o que até ajudou a criar ambiente para o petisco, que estava delicioso, na sua simplicidade cheia de histórias.
Há as histórias antigas, dos tempos de sobrevivência difícil, em que nasceram estas receitas, quando o pão duro e os legumes se juntavam a alguma (outras vezes a nenhuma)carne salgada, preenchendo a fome de quem levava uma vida dura. As histórias de quem foi aprendendo com os tempos a encontrar no campo tudo o que podia ajudar a melhorar as refeições diárias. Os saberes de engordar, matar e preparar o porco para tirar dele o máximo proveito. E tudo isto passado de boca em boca ou num ver fazer onde se foram acumulando informações, que podem parecer esquecidas mas depois acordam perante os tachos, convocando a memória das avós para assim recriar o acto culinário.
Vim de lá a pensar, que me apetecia fazer um tacho de grão com carne de porco, que há muito não comia e, como isso é comida simples mas de muita preparação, comecei a tratar do assunto na quinta-feira, quando fui ao talho comprar 1 naco de toucinho entremeado e um pé(zinho) de porco, para ficarem de sal até domingo.
No sábado deixei o grão de molho para o poder cozer no dia seguinte e voltei ao talho para comprar entrecosto, que ficou temperado com massa de pimentão, alho picado, folga de louro e um pouco de vinho branco.
No domingo cozi o grão – 1h30m numa panela com 1 cenoura, 1 cebola, folha de louro e água SEM SAL ( o sal só se junta depois de já estar o grão macio), e noutra panela cozi as carnes salgadas (que entretanto foram lavadas para perder o excesso de sal), durante o mesmo tempo, tendo no final juntado uma farinheira e e um chouriço de carne.
Para acabar, fritei o entrecosto com um pouco de azeite e reservei. Nessa gordura refoguei uma cebola, à qual juntei alho e louro, Quando a cebola amoleceu, deitei 3 tomates limpos e picados e deixei apurar um pouco. Para acabar, devolvi o entrecosto ao tacho, juntei a carne entremeada que entretanto cortara em fatias, o chouriço às rodelas, o grão e algum caldo de cozer as carnes (não juntei o pé de porco pois isso causaria reclamações à mesa, nem a farinheira que por certo ficaria desfeita).
Deixei o petisco a fervilhar em lume baixo e antes de servir juntei dois pés de hortelã que é o indispensável complemento olfativo(e não só) de tudo aquilo.
Quanto à farinheira(faltava esta) levei-a 5 minutos ao grill para tostar levemente e foi para a mesa à parte, mas não passou despercebida.
Por me recordar de ver o Maurício preparar uma salada de alface e cebola para acompanhar o cozido de grão, fiz o mesmo mas juntei uns coentros frescos picados.
Para além da salada, levei para a mesa arroz branco, que foi bem recebido por todos mas afasta o meu grão do outro, onde mandam o pão e a colher de sopa.
E felizmente que todos, desta vez, eram mais do que o costume, caso contrário passaríamos toda a semana a comer grão, Mas havia 10 bocas que deram boa razia na comezaina. Amén.