Neste fim-de-semana do 25 de Abril (isto sim é dia santo), fiz uma vez mais aquilo que gosto. E foi sopa de feijão com couves, ovos mexidos com farinheira, camarões com feta, caril de batatas com espinafres, lombo assado no forno, chana massala, os queijos frescos temperados como a Celina havia feito, tortilla de batata e um biriani para aproveitar o resto do chana massala (grão com especiarias). Muitas destas coisas já aqui foram ditas e reditas, mas quem cozinha todos os dias, repete, por falta de imaginação, porque sim, ou apenas porque alguém pede que volte a fazer isto ou aquilo.
Para além dos pratos, há os pequenos mimos, que se fazem de improviso, quando a ocasião assim determina. Desta vez foram fatias de pão alentejano, com queijo do Cano (uma merendeira de ovelha pouco curada), que levei ao forno quente, de onde saíra o lombo de porco, e que, antes de apresentar na mesa, temperei com orégãos e um fio de azeite.
Receitas soltas
Lombo de porco para que o Rodrigo tome nota
O lombo de porco era para ter sido rolo de carne, mas não havia carne de vaca no talho, e por isso virei-me para um lombo com muito bom aspecto, que depois em casa tentei, e consegui, não estragar. Dei-lhe uns cortes leves do lado mais gordo, pisei 4 dentes de alho, uma pitada de óregãos ( uma colher de chá?), um “nada” de sal grosso para ajudar a esmagar o alho e com uma garrafa de água a servir de pilão, fiz uma papa a que depois juntei um pouco de azeite e duas colheres de sopa de massa de pimentão.Com este tempero esfreguei a carne e deixei-a tomar sabor durante uma hora. Depois foi para o forno (já a 200º) num tabuleiro untado com azeite, e aí passou 30 minutos de paz. Ao fim desse tempo, e porque o tabuleiro estava muito seco, juntei um copo de vinho branco e virei o lombo. Durante os 30 minutos seguintes juntei mais um pouco de vinho e fui regando até o lombo ter aspecto de estar pronto( por acaso até acabou ligeiramente tostado em demasia numa das pontas, mas nada de comprometedor.
Tortilla de batata
Talvez tenha sido a minha melhor tortilla de batata de sempre e já lá vão muitas.Para mim o paradigma deste petisco é a que me deram a provar anos atrás no José Luís, em Madrid perto do estádio do Real. Mas isso é outro campeonato.
Esta ficou apenas boa.
Comecei por cortar duas batatas em rodelas, que depois cortei ao meio. Lavei e sequei as batatas antes de levar a fritar, numa frigideira com o fundo bem coberto de azeite e dois dentes de alho. Quando as batatas estavam alouradas, juntei-lhes uma cebola às rodelas e um pouco de sal. Entretanto bati 6 ovos, aos quais juntei 2 colheres de sopa com água (porque sim) e outra pitada de sal.
Deitei as batatas e a cebola para dentro dos ovos batidos e depois fiz tudo escorrer para a frigideira. Deixei que os ovos começassem a coagular e fui arredondando os lados com uma colher de pau e comecei a estudar tampas de panela e pratos para tentar virar a tortilla.
Esta é a parte que me metia medo, mas que progressivamente tenho vindo a dominar e é fundamental. Um minuto depois de a ter virado, apaguei o lume e esperei 2 ou 3 minutos até a colocar num prato e levar (orgulhosamente) para a mesa.
Em Espanha imagino que todos saibam fazer isto de olhos fechados, mas por cá é raro comer alguma que se aproveite.
