25.3.08

As cores

Caril de atum

Eu gosto muito da cozinha indiana, dos pratos apimentados, a explodir de aromas e sabores, por vezes com demasiada informação para os não iniciados, que se deixam desanimar ao sentir os golpes do picante.
Gosto de experimentar novas receitas, mas também de aperfeiçoar, repetir, repetir para tentar entender e ir para além da leitura atenta.
Quando cheguei do Algarve sabia que não tinha grande coisa no frigorífico e por isso nessa noite fiz uma massa, com bacon, alho picado, uma malagueta e migalhas de pão fritas na gordura do bacon. Do congelador tirei 2 postas de atum, que por lá andavam há algum tempo e estavam mesmo a pedir que lhes devolvesse a dignidade. Estava decidido a fazer um caril de atum.
Li algumas receitas e decidi-me por uma bastante simples, que pode ser feita com outros peixes de carne firme, como o espadarte por exemplo.
Para começar piquei tudo o que ia precisar.
  • 1 cebola
  • 3 dentes de alho
  • 1 malagueta verde
  • 1 pedaço de gengibre suficiente para uma colher de sopa depois de picado
  • 3 tomates
preparei leite de coco com uma chávena de coco ralado e duas de água (levantar fervura, bater com a varinha mágica e coar), cortei os bifes de atum em 8 partes e reuni as especiarias.
  • 1 colher de chá com pimenta preta moída
  • 1 colher de chá com curcuma
  • 2 colheres de chá com cominhos moídos
Depois de tudo preparado, levei ao lume uma frigideira grande com 3 colheres de sopa de óleo vegetal e salteei a cebola durante 3 minutos. Depois juntei o alho, gengibre, malagueta e pimenta preta e fui mexendo durante 10 minutos.
Antes que o refogado escurecesse, juntei o tomate e mexi bem para misturar tudo. Depois juntei a curcuma, os cominhos e uma colher de chá com sal e sempre a mexer deixei mais 3 ou 4 minutos a fervilhar. Nesta altura os aromas espalham-se pela cozinha e as papilas começam a animar-se, pois a papa alaranjada que borbulha na frigideira é prometedora. Para melhorar a festa juntei então 1 colher de sopa de molho de peixe (nam pla), 1 colher de sopa com vinagre e depois o leite de coco . Subi o lume para tudo aquilo começar a ferver e depois, finalmente, juntei o atum.
Assim que a fervura recomeçou, baixei o lume para médio e deixei o peixe cozer em paz durante 10 minutos, para acabar deitei uma mão cheia de coentros picados.
O nam pla e o vinagre não fazem parte da receita que consultei, mas gosto muito do seu sabor e senti que ficariam ali bem. O nam pla é salgado e por isso não deitei mais sal, quanto ao vinagre, serviu de contraponto às notas doces do coco.
Comi o caril com arroz basmati, e soube-me muito bem. É claro que no dia seguinte estava melhor, e cozi um pouco de massa chinesa (egg noodles) que misturei com o molho e ainda soube melhor.

22.3.08

Grelhados sem requinte.

Reduzidos à forma mais simples, ontem jantámos febras e entremeada, grelhadas na brasa, porque sim.

Ainda hesitei na compra do carvão e na eventual maçada de acender o lume, mas acabou por ser o meu filho a fazer as duas coisas. Ele ter tratado do lume enquanto eu e a Lu fomos beber duas imperiais foi uma boa surpresa. E não se trata de qualquer versão actualizada da Gata Borralheira, ele ficou em casa porque estava a logar no computador e não quis vir.

Com o lume aceso e a carne temperada, foi só fazer a salada e avançar com a grelha em punho. Só sobrou um ossito.

19.3.08

Empadão

O borrego com molho de tomate ficou muito bom, na sua simplicidade de produtos frescos e poucos temperos. Com a carne (e o molho) que sobraram decidi fazer um empadão de puré de batata, apesar de não ter nenhuma maquineta para picar a carne. Quando disse à minha filha que tinha picado a carne com uma faca, ela ficou admirada, mas logo continuou a comer com gosto e sem preocupações. Para fazer o puré, cozi 3 batatas médias e uma cenoura pequena, que depois reduzi a puré com a ajuda dum passe-vite que cá encontrei. Para além dos vegetais, o puré levou um pouco de sal, manteiga e leite, até ficar contente com a consistência. Não foi ao forno pois a peça em questão não despacha o serviço e a menina já se queixava com sono. apesar de serem apenas 20h. Para almoçar, temos ido os dois até ao restaurante, por causa das conquilhas, que a minha filha come gulosamente, molhando o pão e lambendo os dedos. Normalmente iríamos à praia apanhar os pequenos bivalves, mas ainda não há barcos e por isso tenho de recorrer ao restaurante.

17.3.08

Férias nas Cabanas

Estou nas Cabanas, com a minha filha. Na quarta ou quinta-feira virá o resto da família, mas para já é só pai e filha.

Chegámos ontem ao fim do dia e, como já estava tudo fechado, fomos jantar ao Ideal, um dos meus restaurantes preferidos aqui na zona, onde só não vou mais vezes por ser uma grande seca para as crianças. Mas ontem estava calmo e tudo correu bem.

Eu comi uma excelente sopa de peixe e depois, dividi com a minha filha, os filetes de pescada que são sempre bons. Os olhos fugiram-me para a mesa do lado, onde comiam filetes de polvo com arroz de tomate, mas joguei pelo seguro e deixei a menina escolher entre bacalhau à Brás e os filetes.

Hoje pela manhã fomos às compras. Azeite, sal, borrego, cenouras, tomates, cebolas, pimentos, batatas, orégãos, limões, morangos e pouco mais. Estou agora a tratar do borrego, que está a cozer com 1 cenoura e meia cebola. Depois vou desossá-lo e juntar ao molho de tomate, que já está pronto. Fiz um refogado, apenas com cebola e azeite, pois esqueci-me de comprar alho, e depois juntei meio pimento verde picado e 4 tomates limpos. Depois de tudo bem refogado, juntei meia lata de tomate pelado, sal, um pouco de orégãos e uma colher de chá com açúcar. Deixei ferver um pouco e depois apaguei o lume para prosseguir mais tarde.

Perto da hora do jantar vou aquecer o molho de tomate, que deixarei fervilhar já com a carne lá dentro, durante 15 minutos pelo menos. Para servir é só fritar umas batatas aos cubos e está pronto o pitéu.

Para sobremesa temos os moranguitos com um pouco de açúcar ( 2 pacotes correspondentes às 2 bicas que bebi hoje…)

10.3.08

Almôndegas, bacalhau e perdiz.

Voltei a fazer as Chicken Massala Balls, desta vez sem qualquer picante para que a minha filha também pudesse comer. Comeu e gostou muito.
Fiz uma salada de grão e bacalhau, que o Fava costuma servir e fica sempre bem. Uma posta de bacalhau assado e feito em lascas, uma lata de grão e um ovo cozido. Temperada com azeite, alho picado, coentros e um pouco de pimenta, é do melhor que há.
Eu cada vez estou mais de petiscos, mas têm de ser bons, ou seja, bem feitos e com produtos de qualidade superior. Uns ovos com boa linguiça alentejana como fez o Maurício, ou favinhas cozidas com uma morcela assada, ou uns simples pimentos verdes assados, pelados e feitos em tiras, temperados com alho e azeite. Coisas simples mas perfeitas para levar à mesa com pão e amigos.
No mesmo dia dos ovos com linguíça, comi pela primeira vez, uma açorda(alentejana) de perdiz, também feita pelo Maurício, que me surpreendeu e é um bom exemplo daquilo que atrás escrevi, pois sem uma verdadeira perdiz selvagem não vale a pena tentar.
A receita é tão simples que até dói. A perdiz é cozida em água e sal sem mais nada. Depois a água a ferver deita-se sobre fatias finas de pão alentejano, com alho, coentros e azeite. Nem carne da perdiz(essa foi acamar para um escabeche feito por mim), nem ovos escalfados, nem nada para além do referido. A perdiz era tão boa que o seu aroma encheu a cozinha enquanto cozia e cheguei a pensar que o Maurício tinha deitado mais alguma coisa na água, mas não. Era apenas a água do banho do passarinho.
No capítulo do simples mas perfeito, quero ainda recordar o que sucedeu da última vez que fui comer ao Casanostra. Enquanto eu e o Rodrigo esperávamos pelos restantes convivas, fomos agraciados com umas fatias de queijos italianos, arrumadas em volta dum montinho de mel com aroma de trufas. Só de pensar nisso fico a salivar...

4.3.08

Assuka de Oeiras, não obrigado

Fui almoçar ao Assuka do CC de Oeiras.
Vim a cheirar a fritos como se tivesse estado a comer farturas na feira, os espinafres com sésamo estavam uma merda, levaram-me atrás do balcão do primeiro andar para lavar as mãos (fui eu que pedi para lavar)e foi então que vi, perto da zona das mesas, um recanto com roupas e sapatos dos empregados!!!
Onde está a ASAE quando há trabalho sério? Deixem em paz a comida do mercado, as facas coloridas e o pão duro das migas e vejam o que interessa.
Nota posterior: Ao reler, reparei que falta dizer uma coisa ou duas. Eu gosto de comer no Assuka de Lisboa, um dos restaurantes japoneses onde mais vezes vou. Na altura não vi ninguém a comer tempura por isso interrogo-me sobre o que estariam a fritar.

3.3.08

Caril de batata

O caril de batata, está na minha lista dos pratos preferidos, pela simplicidade e rapidez com que é feito e pelo prazer que retiro de uma comida tão singela.
A primeira coisa, é preparar uma tigela de arroz, se possível basmati e se possível feito como contei no post de dia 6 de Fevereiro
Arroz e batatas? Ninguém acredita!
A simplicidade e o bom sabor, provêm do “punch phoran”, uma mistura de sementes de mostarda, funcho, cominho, fenogrego e cebola, que pode ser comprada tal e qual ou improvisada, juntando quantidades iguais das referidas sementes.
Para tratar do petisco, deito duas colheres de sopa de óleo vegetal e, uma vez quente, junto uma colher de chá com o punch phoran. Assim que as sementes começam a estalar, deito na panela uma cebola às rodelas, uma colher de chá com gengibre ralado e deixo refogar em lume baixo. Entretanto, cozo das ou três batatas (boas, seja lá isso o que for), que depois corto em “cubos” pequenos e guardo.
Quando a cebola tiver alourado, junto uma colher de café com curcuma, outra com sal e as batatas. Envolvo as batatas no refogado, junto um pouco de água ou caldo de frango ( ½ copo) e normalmente junto mais alguns legumes cozidos, que podem ser grão, bróculos ou ervilhas (estes são os que mais uso). Deixo que tudo aqueça e que a água reduza, até quase desaparecer. Então apago o lume, deito uma colher de sopa com manteiga, espremo meio limão (ás vezes junto coentros frescos picados)e deito este caril sobre o arroz como se fosse um molho, embora seja seco.
Os meus extras opcionais preferidos são iogurte natural ( se possível grego) e pickes de manga.