31.7.07

Sopa de beterraba

Esta história das sopas é longa. Fiz mais de quarenta e cinco litros de sopa e como tal, legitimamente, não sou capaz de descrever as quantidades exactas, mas sei contar como se faz em porções razoáveis, já que esta modalidade de comida para encher banheiras, vive muito do olho de cada um e de provar e corrigir sabores. A primeira sopa foi a de beterraba, que preparámos no fim de semana anterior e ficou congelada até à véspera do casamento. Nessa noite descongelou e, na manhã do evento, foi toda batida uma vez mais. Nessa altura juntei a água necessária para obter a consistência certa e corrigi o sal e o vinagre como adiante se pode ler.
Faz de conta que usei 5 beterrabas em vez dos reais 8 kg. A beterraba, depois de bem lavada, foi cozida com a casca, em água e sal. A água não deve cobrir completamente as beterrabas, devendo estas cozer durante 45 minutos. O melhor, é experimentar com a ponta de uma faca, para ver se estão tenras. Se estiverem, então, depois de terem arrefecido um pouco, descascam-se à mão (com luvas , por causa da cor vermelha, que tinge tudo), e com um ligeiro apertão a maior parte da pele sai. Uma vez descascadas as ditas, deita-se azeite para uma panela, junta-se uma cebola às rodelas e uma folha de louro. Com lume médio deixa-se saltear a cebola, mexendo de vez em quando. Tira-se a folha de louro, tempera-se com sal e pimenta, junta-se a beterraba partida, dois ou três dentes de alho picados, meia colher de café com cominhos em pó e ½ litro de água. Deixa-se fervilhar durante 20 minutos e leva-se ao copo dos batidos para desfazer bem, juntando mais água pois a sopa deve ficar fina. Corrigem-se os temperos e deita-se um bom vinagre (de Jerez por exemplo) a gosto, para cortar o doce da beterraba e dar-lhe o “kick” que fará a diferença. O vinagre acorda todo o sabor da sopa, mas não tem uma quantidade definida, eu deitei bastante, ou melhor, fui deitando, mexendo e provando até ficar contente. Depois de ter arrefecido convêm voltar a provar e, se for preciso, deitar mais sal e/ou vinagre. Serve-se gelada. No casamento e apesar de ter feito 5 garrafões (cada um com 5 litros) desta sopa, não tive queixas e recebi muitos elogios. Merecidos, digo eu, pois a coisa correu bem.

Escrita em dia

Tem passado o tempo e eu vou adiando os relatos. Mas não posso adiar mais. Vou tratar do assunto hoje. O casamento da Rita e do Pedro ocupou-me muito tempo, mas tem muito para contar. Também já foi a festa Frágil Sabores, na qual eu colaborei e como tal, tem relato e receita. E houve comidas feitas aqui e ali, em especial as do último fim de semana. Vou começar pelas sopas

16.7.07

Londres

Uma semana sem cozinhar. Ainda por cima em Londres, onde há “milhões” de restaurantes e poucas regras ou listas para os seleccionar. Dois grupos ficam excluídos à partida: 1 - Fast food 2- Os caros – tudo o que custa mais de 30 libras Depois há aqueles que numa primeira olhadela não inspiram confiança, e nessa lista há de tudo. Chineses, indianos, pubs com ar de só servirem comida enlatada, etc. Perante isto, o que me resta? Recomendações específicas, pesquisas na net e inspiração do momento. Eu levava recomendações, em especial um indiano/paquistanês para os lados de Aldgate, chamado New Tayyabs mas não o consegui encontrar e foi pena pois neste caso a recomendação era dupla. Da miss Spring e da Krista Andei tanto para encontrar o restaurante, que acabei frente ao Spitalfields Market, que foi renovado (as obras ainda não acabaram) e tem vários sítios interessantes. Mas foi na rua em frente – Comercial St - que comi melhor, quando, já farto de calcorrear em busca do prometido caril, passei à porta do St. John Bread and Wine. Gostei muito do sítio. Tem uma padaria lá dentro, onde fazem pão óptimo e variado, e que funciona como padaria normal. As pessoas entram para comprar pão ou bolos - mufins, madalenas e brownies, foi o que vi. A comida deles é mesmo o meu género. Os pratos do dia incluíam rabo de boi com puré de batata, lagostins com maionese de alho, miúdos de coelho com chicória, miúdos de pombo (não recordo o acompanhamento), uma espécie de conserva de cavala, torradas com foie gras, cabeça de porco em pudim (cabeça de xará) etc. Bebi dois copitos de tinto da casa e uma bica como deve ser. Perfeito. Fiquei fã. Os pratos fixos estão online e vale a pena espreitar. Fui a outro sítio que gostei bastante, chamado Loch Fyne. O restaurante pertence a uma empresa escocesa que vende salmão, ostras, mexilhões e já tem vários restaurantes com os seus produtos. Na quinta feira, acabei de trabalhar e dirigi-me a Covent Garden para me deliciar com 1/2 dúzia de excelentes ostras e um copo de vinho branco. Soube-me tão bem que melhor só o mesmo mas na companhia de amigos. Também comi decentemente no dia em que fui ao Marks & Spencer e comprei uma embalagem de hummus com tempero marroquino, outra de salada de camarão, abacate, beringela grelhada e cuscus, uma cerveja bem geladinha e fui para o quarto do hotel comer e repousar as pernas desgastadas por tanta caminhada.
Nota: O blog da Krista está cheio de informações e comentários sobre "locais de comida" em Londres. Vale a pena espreitar.

10.7.07

Pausa em Londres

Estou em Londres, num hotel. Nao tenho dinheiro para grandes jantares, nem cozinha ao dispor e como tal o blog aguarda pela semana que vem.

2.7.07

Há quem faça a festa dos 6,5 anos !

Acabado o fim-de-semana, fiquei com a sensação de ter passado o tempo todo frente ao fogão, quase lá dentro, tal era a caloraça. Fiz um bolo de cenoura, voltei a fazer as bolachas de banha, fiz muffins de maçã, folhados de salsicha, de atum e de azeitona. Fiz uns rojões, com uma receita que vi o José Andrés fazer no seu programa da TVE, fiz um salmorejo e uns cogumelos no sábado à noite em casa de uns amigos…puff. No domingo à noite nem tive coragem de ir até à torre de Belém ver o concerto do Baaba Maal. Os rojões ficaram muitos bons, com um molho espesso e saboroso. Na altura, por preguiça fiz apenas um pouco de massa para acompanhar, mas creio que umas batatas fritas ou salteadas seriam mais adequadas. Comecei por alourar a carne (era 1Kg em nacos grandes) de todos os lados, em 3 ou 4 colheres de sopa com azeite. Retirei a carne e deitei para a panela, juntando um pouco mais de azeite 2 alhos franceses 3 cenouras 2 cebolas 1 dente de alho tudo em rodelas pequenas. Deitei uma colher de café com cominhos e uma colher de chá com pimentão doce. Os legumes estiveram a estufar durante 20 ou 25 minutos, em lume brando e com a tampa posta(senão não estufariam…) e então juntei um copo de vinho branco para animar a festa. Dei umas mexidelas que ajudaram a evaporação do álcool, juntei um pouco de água e depois com a varinha mágica reduzi tudo a um puré. Temperei esse puré com sal e devolvi a panela ao lume, já com a carne lá dentro e um ramo de alecrim. A carne cozinhou durante mais 30 ou 40 minutos, durante os quais os sabores foram apurando e o molho espessou. Fica um prato muito saboroso e com uma boa quantidade de legumes, o que é sempre interessante para quem tem de alimentar crianças ( e não só) . A receita tal como foi apresentada pelo José Andrés, era feita com bochechas de porco. Também merece referência a mistura que fiz para os folhados de azeitona. Piquei duas chávenas de azeitonas pretas, meio queijo de cabra Palhais, 5 ou 6 folhas de manjericão e temperei com azeite e sumo de limão. Com esta mistura recheei a massa folhado que foi ao forno até alourar.