26.2.07

Panacota

Foi uma grande mistura de sentimentos o sábado da panacota de couve-flor. Primeiro as dúvidas em volta do pudim branco. O sabor estava bom, sem dúvida, identificava-se o ingrediente principal, mas faltava consistência. Temia (e depois tive a certeza) que a quantidade de gelatina utilizada fosse insuficiente para manter em pé aquele puré de couve-flor e natas. Além disso, estava cheio de dúvidas em relação ao molho, ou o que quer que complementasse o pudim. A receita que li falava em cebola caramelizada e salmão fumado, mas eu queria mesmo um molho vermelho, que aproximasse aquela entrada salgada, da famosa sobremesa. Claro que pensava logo em beterraba, mas não avançava. Fiz a panacota assim: Cozi meia couve-flor em água e sal, durante 15 minutos. Depois deitei fora a água e juntei aos floretes brancos, 2 chávenas de caldo de legumes (que preparei com alho-francês, cenoura, cebola , etc). Voltei a acender o lume para cozer durante mais 10 minutos. Passado esse tempo, reduzi a puré e deixei arrefecer. Foi então que cometi o erro de achar que 3 folhas de gelatina seriam suficientes, não foram. Devia ter usado 5 como indicava a receita em que me inspirei. Pus a gelatina de molho e aqueci um copo ( 250ml) de leite sem o deixar ferver. Depois de escorrer as folhas de gelatina, desfi-las no leite usando uma varinha, para assegurar uma mistura correcta. A esse leite juntei um copo com natas e deitei tudo para dentro do puré. Temperei com um pouco de raspa de limão (muito pouco), noz moscada e pimenta. Misturei e deitei em copos de plástico ( oito pessoas = oito copos ), ligeiramente untados com azeite para facilitar na altura de desenformar. Guardei no frigorífico, e fechei a porta deste sem saber muito bem qual o destino “daquilo”. Entretanto ligaram-me a dizer que em vez de oito pessoas seriam nove!!! Entretanto preparei o rolo de carne, fiz a redução de Porto, e andei pelo Google em busca de receitas alternativas. Encontrei uma em que a panacota era servida com ostras, e noutra mencionavam caviar. Fui ao supermercado comprar os ingredientes para a mousse de salmão e comprei uma caixa de ovas de lumpo preparadas à maneira do caviar. Foi nessa ida que vi uma embalagem de beterrabas e resolvi experimentar um molho simples. Já era tarde e tratei de arrumar tudo o que precisava, e apanhar um táxi para o meu destino. Aí, voltei a pôr os (8) copos de panacota no frio e fui preparar a mousse de salmão, enquanto bebia um excelente gin tónico, como só o Rodrigo sabe preparar. Chegara a altura de “inventar” um molho de beterraba. Parti uma beterraba para dentro do copo dos batidos, juntei um copo mal cheio de caldo de legumes e um dente de alho picado e bati bem. Depois temperei com sal, pimenta preta, uma pitada de cominhos, uma colher de chá com vinagre e uma colher de sopa com coentros picados. Quando fiquei contente guardei no frigorífico. Para servir, deitei uma colher de sopa com molho num prato e desenformei a panacota que não se aguentou em pé. Não havia nada a fazer, era avançar sem medos. Deitei uma colher de chá com ovas pretas em cima da alvura do pudim e levei para a mesa. (A última dose foi dividida entre mim e o Rodrigo) Agradaram-me os comentários da refilona da Adriana que dizia estarem-lhe a servir a sobremesa , e agradaram-me mais os elogios de todos. Suei por uma boa causa e hei-de repetir isto com mais gelatina. Então fotografo.

24.2.07

Rolo de carne - comida para fora

Hoje estou numa sessão dupla de comida para fora. A Lu pediu que lhe fizesse um rolo de carne para ela levar para o jantar, e estou a "inventar" uma panacota de couve-flôr mas não sei com quê. Não me apetece apresentar a panacota com chalotas caramelizadas e salmão fumado (é uma das hipóteses ), fiz uma redução de Porto com caldo de legumes que me agrada, mas a Lu não gostou nada. A outra hipótese é servir a coisa com caviar...

21.2.07

Pudim de côco - mais uma vez

Voltei a fazer o pudim de côco. Desta vez, depois de medir o leite, juntei-lhe as 4 colheres de côco ralado e fiz com isso um batido, que juntei ao leite condensado e aos ovos.

Comida de Santo

Segunda-feira houve jantar no Comida de Santo. A Flor recomendou-me Carne de Sol, e eu, que nunca tinha provado, fui por aí, gostei muito e adorei os acompanhamentos. Mandioca frita e farofa de feijão frade. Que coisa tão boa. Já andei a investigar várias receitas, não deve ser nada difícil e é mais uma forma de preparar esse excelente feijão, os misteriosos ciclistas!

16.2.07

Bifes com massa folhada

As comidas têm sido muito simples nos últimos dias, mas ontem resolvi experimentar uma coisa diferente do habitual. Não é complicado é apenas diferente. Uns bifes com massa folhada, uma espécie de bife Wellington. Comecei por temperar dois bifes do lombo com alho e um pouco de pimenta (pouco por causa das crianças, claro). Como os meus filhos não gostam de cogumelos (na verdade a minha menina gosta dos porcini salteados do CasaNostra, pois acredita tratar-se de carne), omiti a parte dos cogumelos e preparei cebola frita. Descasquei 2 cebolas roxas, e aqueci uma frigideira com uma colher de sopa de azeite e outra de manteiga sem sal. Aí deitei a cebola que fritou em lume brando até começar a ficar escura então juntei uma colher de chá com tomilho, uma colher de chá com açúcar amarelo e outra com sal. Mexi. Deixei fritar mais um pouco e depois salpiquei com vinagre ( 1 colher de sopa ) para lhe dar um toque ácido. Deixei o vinagre evaporar um pouco e reservei a cebola para arrefecer. Entretanto estendi a massa folhada (congelada), que ficou um rectângulo aproximadamente de 40x30 cm. Os bifes fritaram rapidamente dos dois lados, e passei à fase da montagem. Sobre a massa folhada espalhei a cebola, na zona que os bifes depois cobririam, deixando uma margem. Sobre a cebola arrumei meio queijo de cabra Palhais aos pedaços, mas confesso que ao comer nem dei por ele. Por cima foram os bifes e para acabar, espalhei uma colher de sopa de mostarda de Dijon em cima de cada um dos bifes. Pincelei a margem da massa folhada com gema de ovo e fechei o folhado. Pincelei por fora com ovo e fiz umas marcas na margem com o lado da faca que não corta. Passou 30 minutos no forno a 180º, com vigilância e uma folha de alumínio por cima nos 10 minutos finais. Ficou muito bom, embora também muito quente por causa da mostarda. É preciso cuidado com as queimadelas!

13.2.07

Pudim de côco

Fiz um pudim de côco que ficou muito bom, e por isso, hoje vou fazer mais. O que me preocupa, é que não me lembro de que blog o copiei, para poder aqui referenciar… Fica a receita roubada, com um pedido de desculpas ao autor. Eu garanto que até andei no History do meu browser, para tentar perceber qual a origem, mas em vão. INGREDIENTES 1 lata leite condensado 1 e 1/2 lata de leite normal (medida da lata do leite condensado) 3 ovos 4 clh. sopa coco ralado caramelo líquido q.b. Misturar muito bem o leite condensado, o leite normal e as gemas. Juntar depois o coco e as claras batidas em castelo. Mexer até todos os ingredientes ficarem misturados. Deitar o creme numa forma caramelizada e levar ao forno em banho-maria durante 50 m a 180ºC. Fiz 3 pequenas alterações. O forno menos quente – 150º , deitei umas gotas de extracto de baunilha e preparei eu o caramelo para untar a forma. No dia seguinte, depois de ter meditado no frigorífico este pudim estava uma coisa de comer e chorar por mais. Recomendado a todos aqueles que gostam de côco. Nota para o Christophe: Sendo muito parecido com o flan de abóbora, acho este melhor

12.2.07

Hoje há sopa

As últimas duas sopas ficaram muito boas. A primeira foi uma sopa de couve-flor. A dita foi, como sempre, cozida à parte durante 5 minutos, e a água foi deitada fora, pois não creio que possa ter outra utilidade. Enquanto os floretes brancos daquela couve bizarra coziam, deitei azeite noutra panela para saltear ligeiramente 1 alho francês, 1 cebola e 2 cenouras. Temperei com sal e um pouco de orégão seco, depois cobri os legumes com água, e deixei levantar fervura. Enquanto a sopa ia avançando sem necessidade de ajuda da minha parte, voltei para a couve-flor que já estava escorrida. Escolhi uns floretes pequenos e desmanchei-os retirando os talos, até ficar umas bolinhas pequenas, mas pequenas mesmo, pouco maiores que caroços de laranja…. Os pedacitos todos juntos dariam para encher mal uma chávena de chá e de seguida fritei-os numa mistura de 1 colher de sopa de manteiga e ½ colher de azeite. Temperei com um pouco de sal e reservei. Passados 20 minutos de fervura na panela principal, juntei o que sobrara da couve flor, que, sendo pequena deveria ter aproximadamente o mesmo peso dos restantes legumes e deixei tudo cozer durante mais 10 minutos. Chegado aqui, tratei de deitar a sopinha para o copo misturador e desfazê-la. Deitei um pouco de azeite cru e rectifiquei o sal. Para acabar juntei as “migalhas” salteadas e servi. A minha filha gostou muito e achou graça à parte sólida. Ontem fiz uma sopa de ervilhas “with a touch ( or two)”. A base foi a mesma da anterior, isto é , saltear o alho francês, a cebola e duas cenouras. Depois juntei água a cobrir e passados os 20 minutos da praxe adicionei 1 chávena de espinafres já salteados (touch nr 1). Enquanto fazia a sopa cozi 2 chávenas de ervilhas congeladas e juntei logo uma delas no copo misturador com os restantes legumes. Bati tudo, temperei com 1 colher de sopa de pesto (touch nr 2), sal e um pouco mais de azeite. Voltou tudo para a panela, juntei as restantes ervilhas e aqueci antes de servir. Novo sucesso , e assim vai a menina comendo umas sopinhas que lhe fazem bem e ao mesmo tempo educando o palato.

6.2.07

Arroz de frango para fora

Nem sempre há glamour, por vezes é apenas alimentação, fazer coisas simples, a comidinha do dia-a-dia, mas fazendo isso bem feito. No sábado fui a Portalegre, para ver o concerto do Rodrigo e deixei uma arrozito de frango para a família. Fui ao supermercado para comprar um frango do campo, se pudesse tinha comprado uma galinha gorda, ou um pica no chão, mas quando se vive em Lisboa, não é fácil. Ou temos uma capoeira na varanda ou então vai-se à loja e traz-se qualquer coisita menos má. Claro que fui à loja. De regresso a casa, parti o frango, e arrumei-o numa panela com um alho francês, duas cenouras, uma folha de louro, quatro cravinhos, uma cebola, quatro ou cinco folhas de salva ( havia lá em casa , por isso entraram no caldo), o sal necessário e água para cobrir. Passada a meia hora, tirei o pássaro da panela mas deixei o caldo a fervilhar. Separei a carne e devolvi os ossos à panela, para outros 30 minutos de fervura. Entretanto parti o frango cozido em pedaços, que depois alourei num pouco de azeite e alho picado. Nessa gordura refoguei levemente uma cebola, juntei-lhe um pouco de chouriço, a carne do frango e o caldo coado – como eu ia fazer dois copos de arroz juntei 5 copos de caldo. Quando todo aquilo recomeçou a ferver deitei para lá o arrozito, que cozeu durante 9 ou 10 minutos. O arroz era para ser comido horas depois, por isso deixei-o ficar “al dente” e ainda um pouco húmido. Provei e pareceu-me bom – não estaria BOOOOOM , mas estava muito decente. Deitei no tabuleiro depois de lhe ter espremido para cima meio limão. No dia seguinte, soube que o dito pássaro andara a passear por Lisboa, já que o jantar não foi lá em casa. Enfim, arroz de frango para fora.

2.2.07

Lemon Cookies

A receita destes bolinhos, encontrei-a no Milk and Cookies e percebi logo que se tratava de coisa boa. Decidi ontem experimentar, pois íamos comer o resto da carne de porco com malaguetas e do frango à passarinho, como tal tinha tempo para preparar os bolos.
Comecei por “calcular” a olho, 60 g de manteiga sem sal, que foi batida juntamente com 1 chávena de café com açúcar. Para bater os vários ingredientes usei a batedeira, claro, agora que tenho uma é preciso aproveitar.
Depois da manteiga desfeita e o açúcar incorporado, juntei a raspa de meio limão e mexi de novo.
Não tive de acender o forno porque já estava aceso para aquecer o frango, mas a receita pede o forno já quente a 180º, e como tal esta seria a altura de o acender. Dei mais um saltinho à sala onde estava o computador, para confirmar os passos seguintes.
Bater ligeiramente um ovo e juntá-lo aos anteriores ingredientes, batendo durante 2 minutos. Misturar 1 chávena mal cheia (3/4) de chá de farinha de trigo com 1 colher de chá de baking powder e deitar para a taça juntando ao resto. Envolver a farinha, depois juntar 1 chávena de café mal cheia de iogurte natural cremoso e sem açúcar ( eu usei iogurte grego) , mexer um pouco e por fim misturar o sumo de limão – medi o limão na mesma chávena de café, que ficou a pouco mais de meio. Envolvi tudo e deitei nas forminhas forradas com papel vegetal , sem encher muito. Lambi a colher e estava delicioso, mas delicioso mesmo. Com o sabor do limão muito à frente na boca e o doce a aparecer depois … hummmmmm, que maravilha. Mais tarde pensei que alguma coisa se perdeu com a cozedura.
Os bolos passaram 20 minutos no forno, e tirei-os nessa altura pois já estavam com boa cor. Deixei-os amornar enquanto jantávamos e depois servi-os polvilhados com açúcar em pó e uma colher de doce de frutos silvestres ao lado, pois não havia frutos vermelhos para fazer o sugerido coulis . Óptima sobremesa, que todos quiseram repetir e a minha filha levou hoje para a escola.

1.2.07

Pasta de malagueta e alho

Como todas as pessoas eu tenho várias cabeças virtuais, todas elas capazes de fingir que se dedicam a 100% a uma tarefa e algumas em simultâneo.
Se alguém me disser que isto é impossível, eu digo apenas “talvez sim”.
Uma dessas minhas “cabeças” tem andado preocupada com uma pouco delicada pasta com receita de origem goesa, que vi a senhora Madhur Jaffrey preparar, no, já aqui referido, GetCooking da BBC.

Ao mesmo tempo, as outras cabeças vão tratando do resto da minha vida. Ontem, passei o dia a pensar na pasta que já tinha preparado e seria testada no jantar, isto porque eu planeara jantar sozinho mas entretanto soubera que não ia ser assim. Mudança de planos, pois não podia servir aquele picante todo a gente desprevenida.
Tive de lançar um processo paralelo para ir pensando no jantar alternativo, enquanto continuava a ouvir música nos headphones, a instalar e remover software no computador, etc.
 A pasta é mais ou menos assim:


  • 10 malaguetas secas 
  • 1 colher de sopa com colorau
  •  ½ colher de chá com sementes de cominhos 
  • 1 pau de canela partido aos pedaços 
  •  10 cravinhos 
  • ½ colher de chá com grãos de pimenta preta 
  •  6 cardamomos 
  • 10 dentes de alho descascados 
  • 2.5cm de gengibre picado 
  •  ½ colher de chá com curcuma 


 Para preparar a pasta, moí primeiro as especiarias até ficarem em pó, e depois juntei o resto e voltei a moer com a ajuda de 3 colheres de sopa de vinagre tinto. Este papinha serve para marinar a carne e depois para confeccionar o prato.
Os mais curiosos, podem consultar a receita aqui
 Vou cozinhar a referida receita na próxima 4ª feira mas ontem fiz um teste que resultou em pleno. O porco fica óptimo, para quem se dá bem com pratos picantes. Eu não pus tantas malaguetas verdes como ela refere , juntei apenas 1 no refogado inicial, mas para a próxima junto outra no fim. Mais é que não dá (por enquanto) Para inaugurar a minha aproximação às imagens pessoais, fica aqui um vislumbre de cores deste prato impróprio para pessoas frágeis.A malagueta inteira está lá apenas para ilustrar. Desta vez não entrou.