24.12.06

Boas Festas

E já não escrevo mais este ano. Um Bom Natal e um óptimo Ano Novo é o que eu desejo. Vou estar fora até ao princípio de Janeiro e por isso depois retomo a escrita. Para já vou tratar do bacalhau para logo, do borrego para amanhã e de umas empadas de lombo e de galinha para ir petiscando. Se calhar ainda faço uns quindins. Boas Festas.

20.12.06

Jingle bells

Há gajos com sorte que ... … ontem jantaram no Frágil (não passou a restaurante, era o jantar de Natal dos amigos) e puderam recordar ( goela abaixo) o fantástico bóbó de camarão do Comida de Santo(obrigado Tózé), e muitas outras coisas boas feitas por todos (ou quase). Que pena eu tive que o paté de beringela do Akis só tivesse chegado no fim, depois de três pratadas daquela papinha amarela. Mesmo assim provei e estava delicioso. … amanhã vão ao Tentação de Goa comer pimentos recheados que será o prato do dia … sexta-feira vão a Alcobaça ao Clinic para isto: Uma noite com 6 bandas fazia do natal Clinic um marco incontornável da pop Portuguesa. Este ano o elenco é ainda mais surpreendente. Mesa, Rodrigo Leão, Loto, Norton, Cindy Kat e The Gift desfilam pelo palco Clinic alinhados pela ideia de nos darem as suas canções de natal. PS. Graças ao ultimo item, não me podem acusar de só pensar em comida ...

19.12.06

Borrego guisado

No fim de semana, encontrei borrego no super-mercado. Mas uma carne com bom aspecto, apetecível e prometendo aquele sabor suavemente adocicado, mas com qualquer coisa de mistério, que a carne de borrego tem. Principalmente depois de ser cuidadosamente limpa de sebos, peles e gorduras em excesso. Feita a limpeza da carninha, deixei-a a descansar uma noite com duas colheres de sopa de uma boa massa de pimentão, que por sinal está a acabar, um copo de vinho branco e dois dentes de alho picados. No dia seguinte aproveitei a ausência matinal da família para me dedicar ao delicado animal. Levei uma panela ao lume, e deitei nela umas goladas de azeite e uma colher de sopa com banha. Acendi o lume e nessa gordura, selei a carne do borrego antes temperada com um pouco de sal. Feita esta operação, deitei mais um pouco de azeite, para aí refogar duas cebolas picadas, a que depois juntei dois dentes de alho e uma folha de louro. Txxk txxxxxk txxxxxxxxxx …. lá foi tudo refogando. Depois juntei 3 tomates maduros, sem pele e picados, mexi e deixei cozinhar durante 10 minutos com a tampa posta. Com a adição do tomate aumentou a humidade e mudou o som – quero acreditar que entre sons e cheiros vai muita da informação que processamos durante a preparação de alimentos, e essa informação não consta dos manuais. Como e quando é que eu decido que deve adicionar vinho , ou a carne e pôr ou tirar a tampa …. Sei lá ! Bem, depois do tomate ter perdido as peneiras e se desfazer no meio da cebola, juntei-lhe 3 cenouras às rodelas. Pouco depois decidi devolver a carne à panela. Por cima do bicho deitei 2 copos de vinho branco uma pitada de orégãos e tapei. Assim passaram 30 minutos com umas espreitadelas pelo meio numa das quais juntei um copo com água pois o guisado ( é disso que se trata ) estava a secar e eu queria-o com molhinho para as batatas cozidas à parte que foram para a mesa, como acompanhamento. O guisado antes de ser presente aos comilões foi enfeitado ( e não só) com umas folhinhas de bem cheirosa hortelã A família que chegara do seu passeio matinal, foi alertada pelo cheirinho que entretanto se espalhara pela casa e quando assim é, tudo corre melhor. Comeram, grandes e pequenos e repetiram. A minha esposa disse que, apesar de normalmente não gostar de borrego, aquele estava bom. Ontem ao jantar comemos o resto do guisado, com a carne devidamente desossada e partida em pedaços pequenos, misturada com umas batatinhas fritas em cubos pequenos.

18.12.06

Companhia para o rolo

Quando escrevi sobre o rolo de carne, recebi um comentário onde me perguntavam pelo acompanhamento que eu fizera para a carninha da Charlize. Então expliquei que o rolo fora de fim de semana sem mim, e por isso não sabia qual o acompanhamento eleito. No entanto, sei bem, qual o acompanhamento que eu prefiro, e que associo ao rolo de carne. Trata-se de couve-flor e cenoura com molho branco. A primeira coisa a fazer, é cozer a couve-flor em água e sal. Esta coisinha branca deve ser sempre cozida sem companhia, pois a água fica com um cheiro a … couves, que não é muito agradável, por isso, cozida a couve, deito fora a água e vou ao resto. As cenouras, descascadas e às rodelas, cozo-as também em água e sal . Escorro e junto à couve. Para fazer o molho branco, levei ao lume uma caçarola com ¼ de pacote de manteiga ( sem sal ). Quando a manteiga me pareceu quente, juntei 4 colheres cheias de farinha, e misturei tudo. A partir daqui não pode haver distracções, pois os grumos espreitam atentos e as falhas pagam-se caro. Durante os minutos seguintes a actividade é fácil de descrever. Deito leite ( meio copo de cada vez ), mexo bem e quando o preparado começa a enxugar, repito. Para as 4 colheres de farinha usei quase 1 litro de leite. A meio do processo, aromatizei com uma casca de limão, que tirei no final. Depois de apagar o lume, juntei noz moscada ralada e deitei tudo sobre os legumes que aguardavam num pirex. Antes de ir para a mesa , o prato foi ao forno, com queijo ralado por cima ( também podia ser com pão ralado ) para gratinar um pouco . Bom, muito bom.

12.12.06

Desejos secretos e rolo de carne


A cozinha do dia-a-dia nem sempre é interessante ou bonita. Às vezes é apenas alimentação, ainda que boa.
Por exemplo, descrever a feitura de um rolo de carne, e tentar fazer mais que descarregar a receita, pode não ser coisa capaz de animar as almas alheias, mesmo que eu inclua a ida ao supermercado e invente uma talhante parecida com a Charlize Theron.
Na verdade, quando olhei para ela até me esqueci do que queria, mas depois fechei os olhos e consegui articular a custo :
 - 1 kg de carne de vaca e 250 gr de carne de porco. É para picar em conjunto e duas vezes por favor!
 Quando me entregou o saco com a carne picada, não quis dinheiro, no entanto pediu que lhe desse um beijo carinhoso, coisa que eu não consegui fazer, pois fui imediatamente acometido por uma crise de asma de que nem sabia sofrer. Enfim, as coisas que uma mulher pode fazer a um rapazito fraco que só queria ir para casa depressa, cozinhar o jantar da família. Prometi escrever-lhe, mas ela não ficou contente.

Acho que então, perdi a minha grande oportunidade de demonstrar, ainda que apenas para mim, que a bazófia masculina pode resistir a um frente a frente, com os seus sonhos secretos.
Mas vamos em frente que afinal o texto é sobre carne, sim, mas em rolo.

Chegado a casa virei-me enfim para a carne picada, que afinal estava para ali, indefesa e silenciosa, à espera dos meus carinhos. Na picadora deitei 2 fatias de pão de mistura, sem côdea e migado. Juntei uma colher de sopa mal cheia com orégãos e 2 dentes de alho. Piquei tudo em conjunto até ficar pão ralado aromatizado. Juntei o pão à carninha, misturei, deitei sal, uma colher de chá com cominhos, um ovo e uma colher de sopa com salsa picada.
Misturei, massajei, enrolei, apertei, dei forma ao rolo e, quando me pareceu consolidado, deitei-o carinhosamente numa assadeira untada com azeite, na companhia de 4 ou 5 dentes de alho, para ele não se sentir só.
Ao ver o rolo assim deitado, temi que lhe desse o frio e por isso, tapei-o ligeiramente com 4 fatias fininhas de bacon e acendi o forno a 180º.
Assim que o forno deu sinal de estar pronto para a carne, arrumei a assadeira no tabuleiro e deixei-a assim durante 30 minutos. Então, espreitei o rolo e reguei com o próprio molho, deixando-o continuar a assar. Repeti esta operação 2 ou 3 vezes durante os 30 minutos seguintes e por fim deitei-lhe por cima 2 colheres de sopa de vinagre e a mesma quantidade de água misturados e deixei mais 15 minutos. Testei o estado da assadura com um palito e como não saiu líquido rosado considerei a coisa pronta e tirei a assadeira do forno para arrefecer em paz.
Quanto à Charlize , não a tenho visto pelo talho. Deve ter ficado ofendida e foi para outras paragens em busca de príncipes mais perfeitos.

4.12.06

Os sonhos de requeijão - nota

O requeijão para os sonhos deve ser pouco ou nada salgado. Fiz uns este fim de semana onde se notava muito o sabor do sal.

O recheio doce dos (ainda não) famosos pastéis de vinho

Para fazer o recheio doce dos pastéis de vinho, inspirei-me nas chamuças doces do Tentação de Goa.
Levei ao lume 3 colheres de sopa com leite, ao qual juntei um pedaço de “Creamed Coconut”, que é leite de coco em barra – a quantidade seria o equivalente a 2 colheres de sopa, mexi para misturar e deitei uma chávena de tâmaras picadas grosseiramente( comprei-as já sem o caroço),  uma colher de chá com canela e umas raspas ligeiras de noz moscada. Assim que o coco derreteu apaguei o lume e juntei 1 chávena de caju ligeiramente tostado e depois partido em pedaços ( mas não esmigalhado). Este caju, tal como noutros preparados que por aqui passaram, não é daquele dos aperitivos , mas sim do que se vende nas merecerias indianas e que é apenas seco, não sendo salgado ou tostado . A esta mistura, adicionei ainda meia maçã reineta picada. Com este preparado recheei os pasteis que foram ao forno depois de pintalgados com gema de ovo . Depois de saírem do forno, polvilhei-os generosamente com canela em pó, tal como o Jesus faz com as suas chamuças de tâmara e caju .
O resultado é muito bom e já há fãs destes pastelinhos.