30.10.06

Onde se fala do polvo e da batata doce

Há muitos anos comi polvo guisado com batata doce , na Zambujeira do Mar . Nessa altura, fazia com dois amigos, o caminho entre Lagos e Lisboa e parámos no Sacas – Zambujeira do Mar – para jantar. No último fim de semana, estávamos uma vez mais, juntos os três , num dos nossos frequentes fins de semana alentejanos. Como há sempre muita gente . é preciso pensar a tempo no que se faz ás refeições e numa das excursões às compras , vi umas batatas doces , pequenitas mas prometedoras que me trouxeram à memória o tal polvo. Quando contei o que ia fazer, houve aprovações e desconfiança mas comecei a tratar do bicho, certo que no final tudo acabaria em bem. Pus uma panela com água e sal a ferver e repeti várias vezes a operação já por aqui descrita de mergulhar e retirar o polvo ( de início, congelado ) nesse banho demasiado quente . O multiperna vai assim descongelando à força e amaciando. Estes trabalhos repetem-se meia dúzia de vezes . após as quais substituí a água , juntei uma cebola e cozi o polvo durante 30 minutos . Enquanto decorria a cozedura , preparei o refogado com 2 cebolas e 2 dentes de alho picados, que foram fazer companhia a umas 3 ou 4 colheres de sopa de azeite , um pau de canela , uma folha de louro e 3 cravinhos e depois temperados com sal e pimenta . Quando a cebola começou a corar deitei-lhe em cima duas latas de tomate pelado e um copo de vinho branco. Deixei fervilhar durante 10 minutos, juntei uma colher de chá com açúcar e deixei apurar mais um pouco. Antes havia descascado a 7 ou 8 pequenas batatas doces , que puz a cozer em água e sal . Assim que o molho de tomate ficou ao meu gosto , deitei um copo de água , juntei o polvo cozido e partido, assim como as batatas doces. Deixei levantar fervura e levei para a mesa, com umas folhinhas de hortelã, que entretanto fora apanhar, entre as ervas que nascem por ali ao acaso . Junto com o guisadito servi umas fatias de pão torrado . Apesar de ter havido quem não quisesse saber da batata doce , todos comeram o polvo e aprovaram a ideia. Gente satisfeita a comer tudo é o que a casa gosta.

Resumo alimentar

Tive um fim de semana comprido e fiz muita comida , incluindo doce de marmelo , pão com chouriço , polvo guisado com batata doce , pulau de ervilhas …
Vou rever tudo e escrever o que for possível, sobre isso, pois algumas das coisas foram mesmo feitas no joelho e são difíceis de transcrever .
Para além dos pratos que cozinhei , comi um excelente arroz de lebre na Tasca do Montinho , e no mesmo sítio , vi no sábado o Porto x Benfica enquanto ajudava a tratar duma lebre frita que estava uma categoria, uma coisa muito séria ,  ao nível do golo do Quaresma .

24.10.06

Bolo de iogurte - Turquia

Os links aqui do lado são por mim consultados com alguma frequência. O menu do Moro , por exemplo , serve para abrir o apetite, pois trata-se de um restaurante londrino , e como tal não me dá geito ir lá almoçar ou jantar . Mas também serve para me alertar em relação a receitas . Foi isso que aconteceu quando lá encontrei o Turkish yoghurt cake, que por lá também pode ser designado como Yoghurt and pistachio cake.
Fiquei curioso e fui à procura da receita . Encontrei , fiz , gostei , repeti , outros comeram e gostaram ( o meu filho não gostou nada ) . Aqui fica o relato desse bolo turco .

A primeira coisa que faço é pôr a escorrer  4 iogurtes naturais , num vulgar passador de rede , durante 1 hora . Se arranjarem iogurte grego , podem dispensara a escorridela. , mas com os nacionais é indispensável – das primeiras vezes fiquei surpreendido com a quantidade de líquido que sai ...
Quando essa horita está quase passada acendo o fogão nos 180º, e volto para a bancada da cozinha . Primeiro separo 4 ovos ( gemas para um lado , claras para o outro ) e deito 1 chávena de açúcar para dentro das gemas.  
Bato gemas e açúcar até esbranquiçar e depois junto a esse creme , 4 colheres de sopa com farinha . De seguida junto-lhe a casca ralada de 1 limão e espremo o sumo lá para dentro.
Por fim adiciono os iogurtes já escorridos e misturo bem.
As claras em castelo, resultam dum esforço braçal, pois actualmente não tenho batedeira (ver nota )  e, para acabar , envolvo o creme das gemas com as claras . Esta mistura deve ir ao forno durante 35 a 40 minutos , numa forma de lata com 10 cms de alto para não entornar pois cresce um bocado embora depois abata , mas já o fiz em pirex e em prato de barro e não ficou pior
Deve ficar “coradinho” ... Se acharem o bolo muito ácido , façam com oos turcos e deitem um pouco de mel sobre ele , ao servir .

O meu irmão, que cozinha muito melhor que eu , não compreende isto das chávenas , colheres e mãocheias ... e eu que nunca tive uma balança , nem medidas capazes e faço tudo (mais ou menos) a olho , acho que ele tem razão , mas ... ah e tal !  

Nota: Aquecendo ligeiramente o recipiente onde se batem as claras , por exemplo , colocando este sobre um tacho onde haja água não muito quente, dá muito menos trabalho levantar devidamente as claras .

    

18.10.06

Pulau de ervilhas

O arroz de ervilhas .
Água , sal , arroz , ervilhas , com ou sem cebola , com ou sem mais duas ou três coisas , e não passa disto . Se as ervilhas forem muito boas até fica bom , etc .

Pois desta vez comi (fiz) o melhor arroz de ervilhas de sempre , o pulau de ervilhas, conforme a receita do Nigel Slater no seu livro , THE KITCHEN DIARIES .

Comecei por deitar 2 colheres de sopa com azeite numa panela pequena , mas de fundo grosso e tampa pesada .  Ao azeite juntei um dente de alho bem picado , 3 cravinhos e um pau de canela . Piquei uma cebola , acendi o lume , deixei que o alho começasse a fritar e juntei a cebola . Refoguei a mistura em lume não muito forte durante 5 minutos . Entretanto enchi um copo com arroz basmati . Temperei a cebola com o sal necessário , mexi e juntei o arroz . Envolvi o arroz no refogado, pouco depois juntei 1 copo de água fria ( UM COPO , não são DOIS ), dei uma derradeira mexidela e esperei que a água entrasse em fervura ligeira . Então , juntei um copo cheio de ervilhas (usei das congeladas e apesar disso ficou bom ), tapei a panela , olhei para o relógio e esperei 10 minutos . Passado este tempo e sem ter voltado a mexer na tampa , apaguei o lume e esperei mais 10 minutos . Entretanto , como gosto muito de coentros , lavei e piquei umas folhitas para juntar depois .
Passados os 10 minutos , destapei com receio , mas encontrei tudo em ordem , seco mas não queimado . Bem cozido . Com um aroma fantástico. Perfeito .
Tirei o pau de canela , pesquei os cravinhos e juntei os coentros picados . Mexi e servi .

A prova dos 9 foi o comentário da minha filha , que gostou muito e depois pediu para repetir .

Se a panela não tiver tampa pesada e que encaixe bem , então é melhor embrulhar a tampa num pano , encaixá-la e usar um peso por cima , para evitar ao máximo a saída do vapor de água .  

16.10.06

Ainda não é o pulau , é a pizza

É possível preparar um arroz de ervilhas um pouco diferente e muito melhor que o normal ? Sim , é possível . Por exemplo fazendo a receita de pulau de ervilhas que encontrei num livro do Nigel Slatter .

Tudo começou com a ressaca , pós farra / aniversário de um Amigo ( com A muito grande ) no sábado. Ao acordar,  não me sentia capaz de fazer nada e depois de tomar duche voltei para a cama . Fui acordado, já perto do meio dia, pela família preocupada com o almoço que não parecia estar a avançar. Esses mesmos que propõem trocar-me por uma bimby (seja lá isso o que for )  estavam apreensivos por ainda não estar activo . Deixei-me ficar mais um pouco a pensar numa estratégia que permitisse almoçar sem ter de ir antes  às compras.
Sem sair da cama, revi mentalmente tudo o que havia no frigorifico e decidi que ao almoço faria uma salada de alface e agriões para comer com uma pizza de azeitonas e tomate que o Christophe costuma fazer nos fins de semana do Alentejo e , ao jantar , iria apresentar o lombo de porco da véspera, acompanhado por arroz de ervilhas . Tinha tudo em casa e por isso deixei-me ficar mais uns minutos na cama . Afinal , já tinha tomado duche ….

A pizza

Esta pizza tem presença garantida nos fins de semana alentejanos , e eu resolvi experimentar . Comecei por descaroçar 2 chávenas de azeitona preta , que depois piquei o mais fino possível com um facalhão. Juntei-lhe um dente de alho muito picado , uma pitada de orégãos e uma colher de sopa de azeite . Misturei tudo e guardei . Enquanto eu tratava das azeitonas , a minha filha ia comendo , dizia que  andava por ali para me ajudar … Enfim , devia estar já com fome pois acabou por comer meia dúzia de azeitonas , uns pedaços de tomate e ainda queijo de cabra ,  que depois entraram na pizza ( o Christope não usa queijo nenhum , muito menos de cabra )  .
A massa da pizza era de compra , mas não me convenceu , pois ficou rija . Tenho de experimentar outra marca ou ser eu a fazer a massa .
Estendi a pasta de azeitona sobre toda a superfície da pizza , após o que cortei em rodelas uns tomates grandes e maduros que tinham óptimo aspecto e sabor . Feitos isto , chamei a minha pincesa para vir arrumar as rodelas de tomate. Depois . também foi ela quem desfez meio queijinho de cabra sobre o tomate . Completei com um gole de azeite, e nessa altura a minha filha comentou . Isso é que eu não sei fazer !

Comeram e gostaram !


Bimby

Querem trocar-me por uma Bimby !!!

11.10.06

Cuscus , agriões e molho de tahini

Volta e meia faço cuscus , porque gosto muito e o meu filho também. Gosto de o comer simples com pratos que tenham molho como a carne guisada , com qualquer jardineira e também com cozido à portuguesa, substituindo o arroz e as batatas .  
Noutras alturas, preparo o cuscus e misturo-lhe coisas que variam de dia para dia , e foi isso que  aconteceu no passado fim de semana .
Assim:
Comecei por deitar um copo de cuscus numa tigela e juntar-lhe depois um copo e meio de água fria  ( convém consultar as instruções do pacote ) . Dou-lhe uma mexidela com um garfo e deixo o cuscus inchar até a água desaparecer . Por vezes é preciso deitar mais água ... é uma decisão que depende do gosto e da experiência de cada um .
Enquanto o cuscus acalmava, depois da violência aquática, que o faz aumentar muito de tamanho , aproveitei para começar a preparar o resto .
Piquei em conjunto duas chalotas , 2 colheres de sopa de folhas de salsa e 2 ou 3 folhas de hortelã . Tirei o caroço a 1 dúzia de azeitonas verdes , que dividi em 3 ou 4 partes cada . Misturei tudo com o cuscus e temperei com sal , azeite e sumo de ½ limão. Provei , corrigi e levei para a mesa .
À parte preparei um molho (libanês ?) com tahini e alho , que ficou muito bem com uns agriões bem frescos que havia comprado nessa manhã no mercado do Lumiar.  
Coloquei no almofariz um dente de alho e uma colher de café de sal grosso . Reduzi a puré e juntei uma colher de sopa com tahini ( pasta de sésamo ) . Voltei a misturar e espremi meio limão lá para dentro . Fica uma pasta espessa que se deve misturar com um pouco de água até ter a consistência de uma vinagreta ( por exemplo ) . Deita-se este molho sobre os agriões e come-se até não haver mais .
Contra-indicação : Mau hálito subsequente , causado pelo alho ...
Sugestão : também se pode comer com espinafres frescos

7.10.06

Balsamic rage in Lobstersquad

O melhor texto que encontrei, nos últimos tempos, na blogocena . Um manifesto anti ditadura do vinagre balsâmico, escrito por alguém que sabe do que fala. Desse texto destaco uma frase para incitar à leitura integral

If you´re artistic, or think you may be, ask for help. There are other substances for you to try out, like charcoal and paper. Hopefully, you won´t expect us to eat those.

5.10.06

Polme ou pataniscas ?

Na sexta-feira antes de sair de casa deixei uma embalagem de  centros de pescada a descongelar, para poder fazer isto ao jantar.
Claro que não vou descrever o polme ou os filetes pois isso está no Ovo estrelado , vou apenas falar do resto , do que fiz quando acabei os filetes e vi que tinha sobrado daquele polme lindo …

Pois foi assim :

Descasquei uma batata , cortei em rodelas finas ( mas não super finas ) , e estas ao meio e depois em cortei de novo mas transversalmente ( uma foto vale mesmo um monte de palavras mas aqui não há fotos … )
Descasquei uma cebola e fiz-lhe o mesmo . Juntei a batata e a cebola ao polme , mais uns coentros picados e uma colher de café com cominhos moídos . Misturei e fritei colheradas daquela massa . Que ricas pataniscas que ficaram !!!    

PS. Os filetes feitos tal e qual como está descrito no Ovo estrelado , ficaram tão bons que até o meu menino comeu ( contrariado) e depois disse que estava bom !