30.3.06

Hummus Bros

Ontem , depois de muito andar por Londres, acabei por jantar no sitio que inicialmente procurava , mas onde nao ficara por estar muito cheio.Consta da lista dos "baratos" da Time Out e chama-se Hummus Bros . Hummus , para quem nao sabe, e' uma pasta oriunda da grecia , feita com grao cozido e tahini , temperada com azeite etc , coisa muito boa que se come com pitas (pao achatado e redondo). Pois bem , neste restaurante , essa e' a base dos pratos , ou seja , recebemos um prato (normal ou pequeno) com hummus e mais qualquer coisa em cima , para alem de uma ou duas pitas , Eu pedi a versao com Fava , ou seja, um pure feito com favas secas. O hummus vem disposto de forma a receber em cima o adicional ( neste caso era FAVA ) e depois , azeite , salsa picada , pimentao e 1 ovo cozido (opcional ) . Em separado recebi uma tigelinha com um tempero extra feito com alho picado, sumo de lima e um pouco de malagueta . Aquela papinha deliciosa come-se com a ajuda da pita ( eu tive de pedir mais uma ). Vou la voltar para provar outra versao , talvez guacamole , ou cogumelos ou mesmo a que leva carne . Tambem ha umas variantes que nao constam da lista e o alguem se encarrega de explicar. O ambiente e' simpatico/descontraido como eu gosto e como nao servem alcool eu bebi um cha de hortela que ligou muito bem . Paguei 7 libras o que e' muito barato e comi algo que gosto muito (hummus) numa versao para mim desconhecida. O restaurante fica na Wardour Street , 88 , entre a Oxford Street e a Shaftesbury Avenue , mas o site deles explica tudo.

27.3.06

In London

onde e' que se come decentemente em londres sem gastar todo o nosso dinheiro de 1 vez . Eu vou ao Belgo Centraal , ao Masala Zone , ao Wagamama ... que mais ? Alguem recomenda um chines ?

25.3.06

Risotto de favas

Estou de partida para Londres e por isso não sei se haverá receitas durante a semana que vem . Entretanto , para encerrar o capítulo das favas falta o risotto, e por isso aqui vai .
Depois das duas saladas , resolvi fazer risotto para acabar com as favas . Comecei por pensar em fazer também um lombinho de porco no forno mas quando cheguei a casa e a Lu me disse que não jantava , resolvi deixar o porco para o dia seguinte e fiz apenas o risotto.
Comecei por aquecer azeite (2 colheres de sopa ) com um pouco de manteiga ( 1 colher de sopa ) e dourar uma cebola picada à qual juntei sal e uns estames de açafrão para dar um tom amarelinho , esta parte é opcional. Depois juntei-lhe uma chávena de risotto ( saltei a parte em que se deita o vinho branco , pois não tinha nenhum ) , envolvi bem o arroz naquela mistura de gorduras e cebola e  passado um minutos ou dois deitei a primeira chávena de caldo – era um caldo de galinha  – que fervilhava no bico de gás do lado .
Ao fim de 20 minutos , cinco chávenas de caldo e sempre a mexer , entraram as favas . Mais voltas da colher de pau , talvez mais um pouco de caldo , só para o risotto não ficar seco e, antes dos 30 minutos se esgotarem, apaguei o lume. Então abri uma embalagem de Boursin de alho e ervas finas e deitei uma colher de sopa bem cheia sobre o risotto . Levei para a mesa e comi enquanto o queijo se derretia e ia misturando com o arroz e as favas .
Com floretes de brócolos ainda deve ficar melhor …

24.3.06

?

Quantos , contando comigo , fizeram doce de abóbora nos últimos dias e nunca antes tinham feito?
Eu até já exportei um frasquito para Itália !!!

Favas com chouriço

No dia seguinte fiz outra salada .
Pensei em assar morcela , depois cortá-la às rodelas e juntar às favas , com um fio de azeite e hortelã , mas não encontrei morcelas nenhumas no frigorífico!
Perante tal ausência, recorri a um bom chouriço de carne alentejano que trouxera de Estremoz . Usei 1/3 do chouriço , que cortei às rodelas e estas em quatro . Coloquei uma frigideira ao lume , deitei-lhe 4 ou 5 colheres de sopa de azeite ( na verdade foi uma boa golada , saída directamente da garrafa ) e um dente de alho inteiro . Acendi o lume deixei o alho ganhar cor , tirei-o e juntei o chouriço . Os pedacitos de carne terão andado naquele azeite quente durante 1 minuto e ,antes que ficassem rijos,  juntei-os às favas , com o azeite onde tinham estado a reanimar o melhor do seu íntimo.
  

23.3.06

Favas com requeijão

Com as favas fiz 2 saladas e um risotto. A primeira salada, já a tinha feito muitas outras vezes e para ela usei, 2 chávenas de favas que temperei com 1 dente de alho pequeno muito bem picado, 1 colher de sopa com coentros frescos picados , ½ colher de café com cominhos moídos , pimenta preta e azeite . Mexi para misturar os sabores e pouco antes de servir juntei-lhe ½ requeijão partido aos pedaços e um pouco de flor de sal .
Simples e muito bom.

  

Congeladas e sem pele

Começo por tecer um louvor às favas congeladas . Quem quer favinhas  pequenas e tenras, como eu quero para o que se vai seguir , recorre às favas congeladas, que são muito boas, de formato mini e sem o sabor destroçado pelo frio, ao contrário do que acontece com as ervilhas que raramente convencem.
Assim , a primeira etapa é abrir o pacote das favas e lançá-las para dentro de uma panela com água a ferver onde antes deitei um pouco de açúcar – eu sei que há regras para isto mas eu deito a olho !  Ao fim de 10 minutos apago o lume , escorro a água , passo por água fria e depois tiro-lhes a pela como se fossem tremoços. É um pouco trabalhoso mas recompensa .
E é assim , com uma tigela cheia de favas sem pele que avanço.


Favas

Nos primeiros anos de vida , as favas foram um suplício e ainda por cima apareciam à mesa em várias versões. Era a sopa de favas , feita com a água de cozer as ditas , com algumas a boiar , migas de pão e folhas de hortelã. Era o puré de favas uma sopa de legumes com as ditas no papel principal . Havia as favas aporcalhadas , que é a versão mais frequente , com enchidos e carne de porco , sempre acompanhadas por salada avinagrada de alface e cebola e a forma mais odiada que então era a sopa de fava rica , também conhecida por sopa de peúgas devido ao seu cheiro característico. Sobre esta última , recordo aquilo que então era normal e hoje soa como uma bizarria . Aos sábados de manhã muito cedo, passava lá na rua uma senhora com uma panela gigante a apregoar a sopa , a minha mãe chamava-a e depois comprava não sei quantas conchas daquele puré de sabor fortíssimo, feito de favas secas , parecido com a sopa de feijão encarnado. Na casa dos meus avós em Torres Novas , ainda apareciam as favas cozidas , temperadas com azeite e vinagre , para acompanhar peixe frito . Eu acho que o ódio às favas é resolvido com o crescimento, pois lá em casa , à medida que íamos crescendo , passávamos para o grupo dos apreciadores e hoje sou um admirador das ditas , e tenho muita pena que a senhora da fava rica já não ande por aí. ( Mais tarde virão umas receitas com favas )

20.3.06

Fiz doce de abóbora

O doce de abóbora ficou muito bom . Comprei na praça 1,2 Kg de abóbora, pesado depois de descascar . Quando cheguei a casa , pus a abóbora na panela , por cima arrumei meia laranja em rodelas fininhas , despejei um pacote de açúcar (1Kg) e 1 pau de canela.
No dia seguinte havia imenso líquido e então pensei : Tiro as rodelas de laranja ?
Tiro ????
Tirei !
Acendi o lume e deixei estar assim enquanto hesitava na sofá da sala entre dormir e fazer zapping ( ao domingo quase tudo se desculpa ) . Fiquei-me pelo zapping , e de vez em quando levantava-me e ia visitar o doce . Dava umas mexidelas , e pensava : Tapo ou não tapo ?
Fui deixando a tampa meia posta . Muito tempo e muitas mexidelas depois aquilo parecia um doce , a abóbora estava desfeita e tudo tendia a homogeneizar-se . Apaguei o lume e fui descansar mais um bocadinho .
Não cheguei a deitar nozes por causa de preguiça ! Mas à noite , como sobremesa , arranjei um prato com um pouco de requeijão , doce de abóbora e noz por cima . Sim que eu tinha nozes em casa , mas deu-me a preguiça .
Perguntas :
Era para tirar a laranja ou para deixar ? Ooops , não li bem as receitas que aqui deixaram , pois ambas dizem para espremer o sumo , etc
A tampa , fica ou não fica  ?
E mais ?

18.3.06

...

Amanhã vou fazer doce de abóbora …

Caril e chapaties para o meu menino ...

Ontem , o meu menino pediu caril para o jantar . Por ele , qualquer caril servia , o que não podia faltar era os chapaties .
Como não tinha muito tempo recorri a uma mistura de especiarias de compra , e escolhi uma que  se destinava a fazer um caril de gambas, embora eu fosse usar frango !!!
Assim , comecei por cozer o frango ( pouco cozido ) , e usei a carne do peito , cortada em pedaços pequenos , enfim … uma espécie de gambas de capoeira ?!?!?!?!
A receita começava por dizer para picar 4 dentes de alho e fritá-los um pouco em manteiga ( eu juntei um fio de azeite para não queimar a manteiga ) , depois , ao compadre alho , juntava-se a comadre cebola (sorry,  internal joke ) , 2 cebolas picadas , tendo calhado usar das roxas, que deram um colorido engraçado ao prato . Dei umas voltas com a colher de pau e juntei o pacotinho da mistura de especiarias , que de acordo com a embalagem continha sementes de coentro , cardamomo , gengibre , chili , garam masala , sal e açúcar. Para dar um toque amarelado juntei uma colher de café com curcuma ( açafrão da índia ) e deixei tudo fritar durante 1 minuto.
Nessa altura a receita do pacote dizia para bater um iogurte com um pouco de água , e foi o que eu fiz , e de seguida juntei ao iogurte um pouco do refogado , voltei a mexer e  devagar fui juntando iogurte aguado com a cebola a carilada que estava na panela . É preciso mexer bem para evitar que se formem grumos por cozimento súbito do iogurte .
De seguida a receita dizia para picar uma maçã , e deitar para a panela , junto com 1 colher de sopa de sultanas, que estiveram de molho em água morna , para humedecerem e perderem um pouco de açúcar. Foi nesta altura que me lembrei de uma amiga minha que dias antes verberava contra a utilização de fruta no caril . Sorrindo continuei .Depois de envolver bem as frutas no molho que se formava na panela tapei e deixei cozinhar durante 5 minutos . Entretanto parti o frango aos pedaços que pouco depois foram para dentro do caril , juntamente com ½ copo de água pois achei aquilo um pouco seco . Mais 5 minutos a fervilhar e apaguei o lume pois tinha mais coisas para fazer , ou seja , tinha de tender e grelhar os chapaties  


A massa dos chapaties foi feita com 1 chávena de farinha de trigo para chapaties ( mas pode ser feita com 2/3 de farinha normal  e 1/3 de farinha integral , ou mesmo apenas com farinha normal ) , na qual deitei 1 colher de café com sal e outra com açúcar , seguidas por 2 colheres de sopa com óleo vegetal . Misturo até ficar uma espécie de pão ralado , então vou deitando golinhos de agua morna até conseguir fazer uma bola . Ás vezes entusiasmo-me com a agua e depois junto mais farinha , pois isto podia ser uma ciência mas não é . Ainda vou na fase da tentativa e erro . Feita a bola , é preciso deixar a pobrezinha descançar durante 30 minutos , num recipiente que deve ser tapado com um pano húmido , normalmente um pano da loiça , borrifado com uns salpicos de água  

Passada a meia hora dividi a bola grande em 8 bolas pequenas ( tipo matraquilhos , if you know what I mean ) e com o rolo da massa fiz rodelas finas que vão ao lume numa frigideira untada muito ligeiramente com óleo – um guardanapo de papel com umas pingas de óleo, esfregado na frigideira é o bastante  . Fritam-se 1 minuto de cada lado , até começarem a aparecer bolhas castanhas . Depois de todas fritas colocam-se com cuidado directamente sobre a chama , na esperança vã  de as ver inchar … normalmente as minhas não incham , mas as autênticas incham sempre  .

Para acabar o caril , voltei a acender o lume para levantar fervura , juntei uma mão cheia de caju (não frito , não salgado … ) que eu torrara ligeiramente , pouco depois apaguei o lume , espremi 1 limão e deitei por cima umas folhas de coentros .

Comemos , o pão , o arroz , o caril e ainda uns bocadinhos de achar de lima ( da Patak’s) que está no meu top actual .  

Nota: Para quem não sabe , o achar é uma espécie de conserva que se faz na Índia. O achar de manga é vulgarmente colocado na mesa quando vamos a um restaurante indiano , juntamente com aquele molho branco com sabor a pasta dos dentes ( iogurte e hortelã ) e uma  papa avermelhada e picante com origem duvidosa …
A  Patak’s é uma marca muito recomendável e fácil de encontrar , de vários produtos alimentares de origem indiana .
      

14.3.06

Mesa para dois

Um dos bons programas de culinária que se podem ver na televisão é o  Mesa pra dois , dos chefs Alex Atala e Flávia Quaresma . Sempre interessante , sempre bem feito , sempre imperdível . O próximo é amanhã :

15 de Março de 2006 Início: 19h00 - Canal Gnt - Programa 'Mesa Para Dois'    

…. (copiado dos comentários )

-É "um dos..."? Que outros recomendas? ( perguntou a Patrícia )

-O grande José Andrés todos os dias na TVE . O problema é o horário das 17:30 . A alternativa é consultar as receitas no site dele http://www.joseandres.com  (foi a minha resposta )

13.3.06

Caldo de galinha do Nuno


Depois de fazermos 3 litros de caldo de frango (para mim com cebola, cenoura, alho francês, aipo, alho, muito pouco sal, 12 grãos de pimenta, tomilho, salsa e louro), e se o quisermos transformar em algo verdadeiramente fantástico, procedemos assim:2 kg de asas de frango golpeadas, são colocadas no forno a 210º durante 15 minutos.Retira-se do forno e coloca-se ao lume cobrindo com o caldo (0,5 litro).Reduz-se a seco e cobre-se com mais 0,5 litro de caldo. Reduz-se novamente a seco e cobre-se com 2 litros. Reduzir a metade, filtrar e utilizar...

10.3.06

Caldo de galinha

A Batukada perguntou como se faz o caldo de galinha . Eu faço com  1 galinha ou 1 frango de campo desossado , os miúdos respectivos , 1 cebola inteira  e descascada ( claro ! )  2 cenouras também sem a pele , 1 alho francês , 1 tomate lavado e cortado ao meio ,  1 folha de louro  , 4 ou 5 hastes de salsa , sal e 1 litro de água . Convém juntar também uma haste de aipo , mas normalmente não a tenho em casa quando faço o caldo por isso fica aqui como opcional embora seja considerado obrigatório pelos cozinheiros a sério , como o meu irmão , que me ensinou a mnemónica CCAA para o caldo ( cenoura , cebola , aipo e alho francês )

Ferve durante 1 hora , vai-se retirando a espuma que se formar à superfície , depois côa-se e está pronto a usar . Para o risotto é preciso manter o caldo a fervilhar, enquanto se vai juntando ao arroz .

9.3.06

Ena tanto doce !

Conta a Isabel Prata:

A minha receita é : 1 Kg de abóbora limpa partida aos pedacinhos + 1 kg de Açúcar + 2 laranjas às rodelas, tudo a macerar de um dia para o outro. Escorre-se a calda formada para uma panela, espremem-se para lá as rodelas de laranja (e deitam-se fora os restos das laranjas). Vai ao lume a formar uma calda fraca + 1 pau de canela. Deita-se lá para dentro a abóbora e fica ao lume até ter a consistência adequada. No fim pode fazer-se muitas coisas, passar com a varinha mágica (eu adoro assim), juntar nozes ou whatever.Deitar ainda fervente em frascos esterilizados e rolhar.È muito bom com requeijão de ovelha (se o requeijão for bom!!!).

Conta a ana g

o doce que faço é uma mistura do doce da mãe do joão com o da isabel:Ponho ao lume 1 kg de abóbora pesado sem casca com 850 grs. de açúcar, 2 paus de canela, sumo de uma laranja grande e a raspa da mesma. Após ~ 30a 40 min de estar a ferver sem tampa, tiro os paus de canela , passo pela varinha mágica e junto as nozes com o doce ainda quente.ana g.

Doce de abóbora

Eu- Olá mãe , está tudo bem ? Ontem telefonei-te para te dizer que ....
....
Eu- Já agora , diz-me lá como é que fazes o doce de abóbora ?
Mãe – Peso a abóbora , limpa ...
Eu – Já cozida e escorrida ?
Mãe – Não , a abóbora crua e limpa . Se for para guardar ponho o mesmo peso de açúcar , se for para comer logo ponho 700 gr de açúcar para 1 Kg de abóbora . A abóbora crua  , com o açúcar e um  pau de canela  , ficam a macerar durante uma hora . Depois vai tudo para a panela e coze até fazer estrada . Então está pronto .

8.3.06

Doce de abóbora

Pediram-me “uma boa receita de doce de abóbora” . Eu não tenho mas vou perguntar à minha mãe. Antes disso sempre posso dizer que a “Ana G” , amiga e leitora deste blogador , faz um excelente doce de abóbora e digo ainda que esse doce quando inclui nozes é mítico , e se vier com uma fatia de Serra ou Serpa , é quase criminoso .  

Mais pimentos

Eu estava a escrever um comentário ao comentário da Vg , mas como já ia longo decidi passar para aqui .

Escreveu ela :

Nunca fui ao "Tentação de Goa", mas adivinho nele qualquer coisa de inevitável em termos de gastronomia exótica. Quanto aos pimentos recheados, mais o molho que os rega, confesso que a orgia de condimentos, ervas e sucos deve ter um não sei quê de afrodisíaco. Será? Só provando. Quanto mais não seja, some-se o sabor da carne, ficam os anestésicos sabores orientais e o intestino que se aguente.....lolololEstou na brincadeira, ok?!Os únicos pimentos recheados que alguma vez comi foram os de uma croata, russa de nascença, que trabalhava a dias na casa da minha sogra. O recheio dos ditos era feito com carne picada e arroz, tudo misturado e refogado sem grandes temperos. Por cima umas simples natas e forno com eles. Eu gostei...mas, verdade seja dita, estava com uma fome danada. Quanto a estes, seria criminoso não experimentar...mesmo que seja só eu a comê-los

Os pimentos recheados com carne , sejam eles com ou sem arroz , com ou sem misturas de especiarias exóticas a cumprirem o seu duplo papel de multiplicar sabores e conservar a carne , encontram-se por todo o lado , em especial na Europa mais influenciada pelos gregos , que têm esse bom costume de rechear legumes e levá-los depois ao forno, para glória dos legumes e prazer imenso de quem os come. Nestes casos é costume encontrar esses legumes complementados por fatias de queijo e molho de tomate , embora segundo a Vg também possam ser acompanhados por um molho à base de natas . Acho que vi uma receita semelhante, mas era mexicana, aliás não se deve falar em pimentos sem referir o México, país em que os Chiles  são quase idolatrados.
Mas os do Tentação de Goa  são especiais , e o molho deixa-me sempre a remoer , procurando dissecar os sabores, usando para isso vários truques , como por exemplo, depois de engolir , faço sair ar pelo nariz, porque existem aromas que só assim eu detecto , ou fazendo a comida passar por todos os recantos da língua, que tem papilas especializadas em diferentes sabores , por exemplo , os sabores acidulados actuam especialmente nas papilas situadas nas zonas laterais da língua … tudo em vão quanto ao propósito de decifrar aquela mistura. Consigo dizer que o molho tem coentros frescos de certeza , parece ter pimento, talvez tenha  um pouco de coco ou talvez não …  ainda por cima , como nem sempre há , a emoção de ser recebido pelo Jesus a dizer : Hoje há pimentos ! tira um pouco do discernimento , mas fica o prazer intacto !  
    

6.3.06

Jantar de sábado.

No sábado fui fazer o risotto de lima a casa de uns amigos . Desta vez usei o sumo de 1 lima e sumo de ½ laranja . Quantos a cascas , ralei a casca de meia lima .
Para dar cor ao prato , repeti os camarões fritos , com o alho e malagueta ( sem sementes) desfeitos no almofariz , que ficam muito bem .  

É a minha vez de devolver a pergunta que a Filipa aqui tinha colocado:
- e que tal ficou?

3.3.06

Polvo com tomate e natas

Cortei o polvo cozido às rodelas . Piquei uma cebola . Pus azeite numa panela , juntei um dente de alho picado, louro , 3 cravinhos e meio pau de canela . Quando o alho começou a fritar juntei a cebola e refoguei bem , mexendo, durante 15 minutos . Juntei sal , uma colher de chá com pimenta da Jamaica , uma colher de café com pimenta de caiena , uma colher de café com açúcar e um pacote pequeno de polpa de tomate – eu estava com pressa e por isso não fiz uma tomatada decente , pois é disso que se trata aqui . Deixei aquela papa fervilhar durante 10 minutos e depois  juntei o polvo e deitei um copo de água e tirei a canela . Mexi e deixei assim mais 10 minutos . Então deitei um pacote pequeno de natas e o sumo de meio limão . Mexi e quando retomou a fervura coloquei o lume no mínimo durante 5 minutos mais ou menos. Apaguei o lume , juntei um pouco de salsa picada e servi com arroz branco , solto .  O polvo macio , com aquele molho fica uma delícia .    
E não pus orégãos !!!

Cozer o polvo

Numa conversa com uma amiga minha , ouvi-a queixar-se de ter comido arroz de polvo com o dito apresentando-se “tipo borracha” . Recordei nessa altura a gentil consistência de outros octópodes comidos em tascas , cervejarias e restaurantes mais ou menos regionais . Por exemplo , assado na brasa no memorável Bagoeira em Barcelos , ou o polvo à galega que se come em quase toda a Espanha mas principalmente na nazón de Breogán, ou ainda o polvo entomatado do Ideal nas Cabanas de Tavira . Cada qual terá o seu truque , mas sempre recordarei o que me disseram na Bagoeira . Primeiro congela-se o polvo e só depois se coze .
Resolvi consultar a documentação , nesta caso foi Un paseo gastronómico por España que na página 228, recomenda que se façam três imersões rápidas do polvo congelado numa panela com água a ferver. Depois, deita-se fora essa água e volta-se a encher a panela , agora juntando sal , uma cebola e uma folha de louro . Quando levantar fervura deita-se o polvo e coze com lume baixo durante 1 hora ( será mais se o bicho tiver mais de 2 kgs) . Fica  cozido e fica tenro , fácil de cortar e comer .

2.3.06

O molho dos pimentos .

Enquanto os pimentos assavam no meio do forno , a 180º , comecei a atamancar um molho , certo de que não iria sair como eu queria , isto é , igual ao do Tentação de Goa , pois este quase de certeza que inclui pimento . mas não percebi ainda como é feito e assim decidi fazer um molho de coco e coentros frescos .
Coloquei uma frigideira ao lume e deitei 3 colheres de sopa com óleo , uma colher de café com sementes de cominhos e meio pau de canela . Deixei as sementes começarem a fritar e juntei uma cebola picada . Quando a cebola começou a ganhar uma corzinha , juntei 1 colhe de chá com garam massala , a mesma quantidade de pimenta de caiena  , e deixei fritar durante 2 minutos ( ou 3 ) e juntei meia chávena com água , e 1 colher de chá com tamarindo . Mexi para desfazer o extracto de tamarindo e deixei levantar fervura , apaguei o lume e tirei a canela .  
Na misturadora deitei uma chávena de coco ralado ,  uma chávena de coentros frescos e juntei  o conteúdo da frigideira . Bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz , bzzzzzzzzzzzzzzzzz e mais bzzzzzzzzzzzzzzz durante uns minutos largos , até tudo aquilo ficar uma pasta homogénea . Depois é deitar essa mistura para um passador , carregando com uma colher de pau ou outra coisa qualquer , para escorrer o máximo de líquido possível . Eis o molho . Então o que eu fiz foi tirar o prato dos pimentos do forno , deitar o molho por cima e levar ao forno mais 15 minutos . Como os pimentos estavam a escurecer , reguei-os com o molho, a meio desse tempo.  Servidos com arroz basmati , souberam-me muito bem  mas não me fizeram esquecer os outros .

1.3.06

A preparar os pimentos recheados

Já fiz o recheio para os pimentos .Primeiro fritei a carne picada , num pouco de óleo , temperei com sal e guardei . Depois foi a vez da cebola picada , alho picado e gengibre picado , tudo aos saltos em óleo quente – quando os sabores são indianizantes eu não uso azeite .
Juntei a carne ao refogado e temperei com 1 colher de chá com cominhos moídos , o mesmo com coentros moídos e meia colher com curcuma .Remexi para envolver bem e deixei cozinhar durante 10 minutos em lume brando. De seguida juntei 1 colher de sopa com vinagre , subi o lume  dei umas mexidelas para ajudar a evaporar  o  vinagre . Então  provei .
Mmmmmm …. Não ! Falta qualquer coisa !
Tamarindo , foi o que me ocorreu . Deitei uma colher de café com extracto de tamarindo em meio copo de água quente e mexi até dissolver . Juntei o líquido à carne que estava na frigideira e voltei a provar . Não sei se era isso que faltava mas fiquei mais contente . Então deitei coentros frescos picados ( uma colher de sopa ) e guardei . Hoje quando chegar a casa é só tirar uma tampa aos pimentos , limpá-los por dentro , rechear e levar ao forno durante 30 minutos , que serão usados para tentar fazer um molho para aquilo …