29.9.05

...

É uma alegria , conhecer uma daquelas tasquinhas pouco frequentadas , onde se pode comer bem  e, às vezes , muito bem . Uma tasquinha onde haja línguas de bacalhau panadas com arroz de tomate , ou uns carapaus de escabeche memoráveis , ou umas sardinhas assadas numa mesa ao ar livre , mesmo sem vista ,  onde nos tratam como se fossemos da família .
É uma alegria conhecer sítios assim numa cidade e surpreender os amigos.
É uma alegria ter amigos que nos levem a sítios assim .

    

27.9.05

Compota de cebola , queijo e massa folhada

No passado fim de semana , estive de serviço às entradas , num jantar em casa de amigos . Fiz duas entradas , mas bom mesmo estava o caril de camarão , feito pela dona da casa , e cuja receita hei-de pedir um destes dias . Aquela combinação de côco , especiarias e camarões é realmente uma associação milagrosa, que é criminosa apenas para a dieta , claro .
Eu fiz as favinhas com coentros e queijo fresco , que já por aqui descrevi, mas também uns folhados com compota de cebola e queijo , cuja receita encontrei no C'est moi qui l'ai fait , mas que sofreu umas ligeiras alterações .
A primeira coisa foi tratar das cebolas , umas brancas e outras vermelhas ( apenas porque sim ) , que deveriam ter perto de 1 kg . Descascadas e cortadas às rodelas foram para a frigideira onde estava já uma colher de sopa de manteiga a derreter . Envolvi as rodelas de cebola naquela manteiga e deitei 3 ou 4 colheres de sopa de azeite , primeiro porque me pareceu que a gordura era insuficiente para tanta rodela de cebola e depois porque gosto mais de cozinhar com azeite apesar da receita original apenas falar em manteiga .
As cebolas foram cozendo lentamente naquela gordura e passados 5 minutos deitei-lhes 4 colheres de sopa mal cheias com açúcar ( ou 3 bem cheias … ) , mexi , revirei , remexi , durante meia hora em lume brando . Então juntei um pouco de sal e umas goladas – 4 ou 5 colheres de sopa  – de vinagre balsâmico , e voltei ao mexe e remexe durante mais 20 minutos .
Passado esse tempo a compota estava pronta , arroxeada e doce … uma maravilha .

A fase seguinte devia ser distribuir a compota num rectângulo de massa folhada, mas como a massa folhada era redonda , acabou por ficar parecido com uma pizza . Piquei a massa com um garfo , deixando um rebordo pequeno , que , por não estar picado , cresceu normalmente como costuma crescer a massa folhada . Esse rebordo impede que o queijo (que vai entrar de seguida ), escorra para fora da massa . Cobri a área picada com a compota de cebola e depois distribui pedaços de emmental sobre a compota , finalizando com tomilho , umas pitadas generosas . O queijo recomendado é chévre, mas um dos “clientes” dessa noite , não aprecia essa preciosidade que se faz com o leite das cabras e assim lá dei mais uma cacetada na receita .

Com 20 minutos de forno  quente , aquela “pizza” ficou pronta a ser partida e comida .
Depois veio o caril …          

26.9.05

Arroz de frango

O “meu” arroz de frango foi para 13 pessoas , num jantar que começou com tostas e 2 patês – atum com cornichons e requeijão com coentros e alho – continuou com os camarões com tomatada e queijo feta ( nota para a Mónica : garides me feta ) servidos com pão torrado . No fim veio o tal arroz .
Para fazer o arroz , comecei por desossar o frango , e pus a carne marinar com ½ litro de vinho tinto, 2 dentes de alho picados , 1 colher de sopa de oregãos , 10 folhas de salva ( é opcional mas eu tinha em casa ) e 1 folha de louro . Com os ossos fiz um caldo que depois serviu para cozer o arroz . O caldo é coisa simples , juntei os  ossos , os miúdos do frango , 1 cebola  , 1 cenoura , ½ litro de água e um pouco de sal . Deixei que fervesse durante 30 minutos, coei e guardei .
Feitas estas tarefas, enquanto a carne do frango ganhava cor e sabor, naquela vinha de alhos , estive atarefado a fazer o resto do jantar  – o patê de atum não foi feito por mim , e a beber dois “baldes” de gin tónico . Os convivas começaram a chegar , queriam cumprimentar , provar (!!!) , perguntar coisas , saber se eu ia fazer comidas esquisitas (?!?!?!) ,  mas o jantar lá foi andando .
Como eu não estava em minha casa , mantive-me calmo , pois chez moi a coisa fia mais fino , ao ponto de uma amiga minha já me ter oferecido um avental a dizer “Saiam da minha cozinha !” . Vá-se lá saber porque .
Quando os camarões foram para o forno comecei a picar uma cebola , que foi refogada juntamente com um dente de alho , umas rodelas de chouriço e uma folha de louro , numa panela com o fundo coberto de azeite . O costume .
Quando o refogado ia aí pelos 10 minutos juntei sal , mexi e comecei a pôr os pedaços escorridos do frango que assim foram fritando (se houvesse cominhos teria juntado 1 colher de café , mas não havia ) . Sem rigores científicos fui virando o frango para alourar . Passados 10 ou 15 minutos deitei a marinada  para a panela e deixei levantar fervura . O cozinhado ficou numa fervura fraca , acendi o lume ao caldo de frango para o aquecer e fui medir o arroz . Medi uma mão e meia por cabeça ...
Quando os camarões foram para a mesa , juntei um pouco do caldo de frango na panela , deitei o arroz ( carolino ) mexi e pus a tampa a cobrir ¾ da panela . Como não medi o líquido , fui vigiando e a meio juntei mais um pouco do caldo quente . Passados 10 ou 12 minutos ainda deve haver líquido à vista, que será absorvido nos cinco minutos seguintes , já com o lume apagado e a tampa bem posta .  
Dois minutos antes de apagar o lume, eu juntei uma colher de sopa com vinagre, que dá ao prato um toque ácido que me agrada , mas é opcional .
O arroz deve descansar e absorver o líquido, mas apenas aqueles minutos mágicos que lhe fazem bem , Se descansar demais fica horrível .

22.9.05

Cabidela ?

Eu gosto muito de arroz de cabidela .

Mas ...

Não é fácil arranjar o sangue da bicharada , até porque, esta vida de lisboeta, me afastou dessa realidade campestre que é matar os animais para os poder comer .
É verdade que, para além das ostras, eu não como nada vivo , e como tal , alguém tem de os matar. É verdade que, muitas vezes, ajudei o meu avô a matar coelhos e frangos , mas, hoje em dia, não consigo fazê-lo. No entanto, gosto muito de cabidela e sempre que encontro um restaurante com tal petisco , não perdoo . Umas vezes corre bem outras corre mal .
Lembro-me de uma cabidela que faziam num restaurante beirão ali para os lados da Praça da Alegria , onde um dos donos dizia que a cabidela tinha 3 sabores , a saber :
  • Quando chega à mesa , ainda a ferver e nós , gulosos , roubamos umas garfaditas que são engolidas com muito ar à mistura

  • Quando a temperatura amaina e podemos comer calmamente e saborear em paz

  • Por fim quando estamos quase a rebentar e  o arroz negro começa a coalhar ,  comemos por mera gulodice aquele pudim quase frio .
Hoje em dia raramente faço cabidela , mas faço muitas vezes um arroz de frango com muito vinho tinto , que fica escuro do vinho , mas não negra , já que não tem sangue. Não é mau . Hoje vou fazer isso mesmo para o jantar e amanhã  ou depois , conto tudo .

20.9.05

Travessas vazias

O meu avô não podia ver uma travessa vazia , sem dizer logo : - Ó Celeste ( a minha querida avó ) , ficaram com fome ! Isto, mesmo que cada neto tivesse comido 2 ou 3 bifes , porque lá em casa as travessas sempre foram muito bem servidas. Se alguém tivesse fome, era por estar doente, pois mesmo um eventual vegetariano encontrava com que se alimentar, já que, tanto ao almoço como ao jantar, nunca faltavam a sopa , as saladas e a fruta .

Frangainho

No passado fim de semana casou-se a minha prima Joana  e assim passámos mais um fim de semana em Torres Novas , com muita festa mas pouca cozinha . Apesar disso dei uma ajuda no jantar de domingo e , antes de regressar a Lisboa , fiz um frango à Brás .
Trata-se de uma variante do bacalhau à Brás , na qual o bicho de aviário substitui aquele que já foi considerado o fiel amigo .

Comecei por cozer o franguito , ou frangainho como dizia o meu avô -  esta expressão foi usada várias vezes durante o fim de semana  , acho que os netos têm saudades do avô . Depois de cozido , deixei-o arrefecer enquanto deitava mãos à ingrata tarefa de cortar  batata palha com uma faca  ( artesanato ) . Tratei dessa maneira quatro batatas grandes e confesso que dá muito trabalho  mas fica bom  . Enquanto as batatas fritavam pedi à minha mãe que me desossasse e desfiasse o frango e entretanto cortei uma cebola grande às rodelas , deitei azeite na frigideira e piquei para lá um dente de alho .
Acendi o lume para aquecer o azeite , juntei uma folha de louro e quando o alho começou a estalar deitei a cebola . Feito isto tirei as batatas do lume , bati 6 ovos , deitei sal e pimenta no  refogado , piquei um pouco da excelente salsa que há na horta dos meus tios ( que bom que é ter assim ervas frescas ) e cortei meio chouriço de carne às rodelas e cada rodela em quatro . Assim ficou tudo pronto para a sequência final , e eu avisei os interessados que o jantar ficaria pronto em 5 minutos .

Nessa altura a minha prima Tatão começou a preparar a salada . Nós queríamos fazer mais qualquer coisa , pois na minha família temos um trauma com travessas vazias , mas acabámos por nos contentar com pão , requeijão e azeitonas , que foram para a mesa juntamente com o frango .

Para acabar o pobrezito do Frango à Brás , juntei o chouriço à cebola e logo a seguir juntei o frango desfiado . Mexi e deixei fritar um pouco ( 3 minutos ? ) . Para completar misturei as batatas fritas e deitei por cima os ovos , tendo de imediato apagado o lume . Envolvi os ovos na misturada de cebolas , batatas e frango e tapei . O calor da panela é o suficiente para cozinhar os ovos . A salsa junta-se no final    

O frango era pouco e o meu primo Zé , que chegou tarde à mesa , teve de ir fazer um bife ...

15.9.05

Sopa

Ó pai , hoje posso não comer sopa ?
Eu fiz daquela sopa verde que tu gostas !
Está beeeem ...

Este diálogo vai-se repetindo , muda a cor da sopa , mudam por vezes as especificações, mas , dia após dia ( com algumas falhas ) ela lá vai comendo os legumes reduzidos a puré , sendo a canja de galinha uma variante muito apreciada .
Na segunda-feira fiz uma sopa de courgette ( chama-se abobrinha em brasileiro, e em português como é ? )  da qual todos gostaram . Já a tinha feito uma vez , para comer fria , desta vez foi quente e acho que me soube melhor .
É uma sopa muito simples . com uma base semelhante à maioria das sopas de legumes que comemos . Uma cebola às rodelas , uma batata às rodelas , azeite a cobrir o fundo da panela e com o lume aceso deixar os legumes começarem a saltear . Juntar  duas courgettes , lavadas e cortadas às rodelas, com a casca para dar cor , deitar sal , cobrir com água e deixar numa fervura ligeira durante 20 / 25 minutos .
Passado este tempo juntam-se meia dúzia de folhas de manjericão , junta-se sal se for preciso , junta-se pimenta se não houver crianças e até se pode juntar um pouco de natas (eu juntei ).
De seguida apaga-se o lume e reduz-se a um creme aveludado , usando a maquineta de bater as sopas , que deve ter um nome mas eu não sei qual é .
O manjericão faz a diferença      
.

13.9.05

Frango com cogumelos

No domingo comprei um frango a pensar em fazer arroz de frango , mas quando soube que iria jantar sozinho mudei os planos, fiz um bife com arroz branco , e guardei o frango para o dia seguinte.
Na segunda-feira soube que tínhamos visitas para o jantar e o arroz de frango foi de novo adiado. Decidi fazer o frango com cogumelos  que, não sendo nada de especial , ficou bom e por isso tem direito a relato.
Comecei por tirar a pele ao bicho , pois o bom senso e o médico assim o exigem . Depois desossei-o e temperei com alho picado , sal , oregãos , tomilho e um pouco de sumo de limão. Os ossos guardei-os  para fazer um caldo com:
  • tudo o que sobrou de desossar o frango menos as peles

  • 1 cebola

  • 1 cenoura

  • a  parte verde do alho francês

  • 1 folha de louro

  • água e sal
Deixei o caldo ferver 15 minutos e depois escorri e guardei.
Enquanto o caldo fervia e o frango descansava , descasquei 2 cebolas , uma cenoura  e dois dentes de alho . Abri e escorri uma lata de cogumelos ( não havia frescos ! ) , cortei um naco de bacon aos cubos e piquei um pouco de salsa .
Deitei azeite e os dentes de alho numa frigideira e fritei os pedaços de frango em duas vezes para evitar aglomerações de carne durante a fritura que resultam sempre  mal , pois a carne dessa maneira larga o seu suco e acaba por cozer ... o que se pretende é o oposto . apenas selar a carne para que o suco não se perca .
Nesta altura acendi o fogão , para ir aquecendo .
Retirei a carne e alourei  o bacon . Tirei o bacon a deitei mais um pouco de azeite para poder refogar a cebola - às rodelas – até ganhar um tom acastanhado . Então molhei  a cebola com 1 colher de sopa de vinagre, mexi e deixei o vinagre evaporar . Juntei a cenoura aos cubos e 3 colheres de polpa de tomate , voltei a mexer e deixei secar um pouco.
Foi então que deitei os cogumelos , o frango , o bacon , a salsa e um pouco ( um copo) de caldo de frango. Ferveu destapado durante 5 minutos , juntei  um copo de natas , mexi , provei , corrigi o sal e apaguei o lume .
Passei tudo para um prato de ir ao forno e selei o prato com uma rodela de massa quebrada (das que se vendem no supermercado ) , que pintei com gema de ovo.
A massa não deve ficar a tocar no frango pois amolece , e deve ter uns furos ( feitos com a ponta de uma faca ) para sair o ar quente . O frango assim “embalado” esteve 15 minutos no forno e de lá saiu para a mesa, onde foi recebido com alguma surpresa por causa daquela tampa simples de farinha e manteiga . No prato, podem dispensar a capa de massa quebrada , mas eu acho que até liga bem, pois é uma espécie de pão estaladiço que acompanha o molho e o resto .

Fotografias ? Não obrigado

Leio, uma e outra vez,  os comentários de quem pensa que eu devia incluir fotografias, mas na verdade não estou para ai virado, por várias razões .

Em primeiro lugar, porque normalmente os pratos depois de prontos, não são assim tão fotogénicos  e, a menos que se iluminem bem , o resultado nunca é bom. O apelo de uma feijoada (mesmo brasileira ) ou do melhor caril de camarões de mundo, é algo que provém de um conjunto de informações, que é muito mais do que visual.
Por alguma razão muitas das fotografias que se vêem em livros e revistas , são falsas do ponto de vista alimentar , embora possam ser óptimas ilustrações .

Além disso, com o recurso às fotos , eu teria a tendência a desleixar os textos , que hoje em dia, me dão quase tanto prazer como a preparação dos pratos .

A inclusão de fotografias ao fim de 1 ano e tal  de textos seria despropositada, embora exista uma imagem de cogumelos , com data de 27– 08-2004 .

Existem livros muito bons, com fotografias de comida a sério ( alguns até feitos por uma grande amiga minha ) , mas imagino que devem ter dado um trabalhão a iluminar e fotografar.  

E assim sendo , seguem as receitinhas !    

9.9.05

Febras de vinagrete

O casamento da minha prima Maria João , foi em casa dos pais, e por isso no dia seguinte a quinta estava cheia de família que ajudava nas arrumações e limpezas . Com o passar do tempo chegou a hora de comer e de olhar para o muito que sobrara na véspera . Quando vi 2 caixas cheias de febras grelhadas , pedi à minha tia licença para preparar uma coisa de que muito gosto mas que raramente tenho oportunidade de fazer como deve ser .  Febras de vinagrete .

Este é um petisco que costumo comer na Tasca do Montinho (Alcórrego – Avis) e serve para reciclar os restos da carne de porco grelhada .
Não há muito a dizer sobre a preparação , mas aqui vai
Comecei por escolher as 10 melhores febras que ficaram de parte para o almoço das crianças e  parti as restantes ( seriam umas 20 ...) aos quadradinhos , piquei 3 dentes de alho e um molhinho de cheiros ( salsa e coentros )que a minha mãe foi apanhar de propósito, curiosa que estava com aquela preparação, que ela desconhecia. Temperei generosamente com azeite e vinagre ( deve ficar ligeiramente avinagrado ) e deixei descansar, para que os sabores pudessem crescer, uns na companhia dos outros .
Come-se com bom pão , daquele que tem côdea e ninguém lhe chama bimbo. No final quem se despachar limpa o fundo da travessa com mais pão  .    

Pêssegos

(este texto é dedicado à Aline )
Por vezes preparo alimentos e nem reparo . Ou seja , há preparações que não se enquadram nestes textos , mas desta vez até vou relatar , pois foi uma das melhores coisas que comi este ano : um pêssego.
Há muito tempo que descobri que poucos são os alimentos que me agradam tanto como um bom pêssego , maduro , sumarento , perfumado e doce . O sumo a escorrer pelas mãos e pelo queixo .... mmmmmmm
Até gosto deles quentes do sol , em pleno verão , apanhados da árvore . Que saudades dos pessegueiros que o meu avô tinha e de onde nasciam pêssegos óptimos , sinónimos de verão e de calor

Mas há dois dias atrás comi um pêssego bom , já quase esquecido na fruteira e em vias de se estragar , mas na verdade estava no ponto perfeito .

Basta 1 faca para o descascar e, se estiver mesmo maduro, a pele sai sem esforço. Come-se com algum ruído de prazer e lambem-se os dedos no fim.

7.9.05

Já assinei

A Vieira disse que o Tal & Qual falava deste blog. Fui ver e gostei . Dizia lá que o blog não estava assinado . Fui ver e corrigi .

6.9.05

Tantas coisas boas

Especialmente para o meu irmão Nuno , aqui fica o link para a receita de “Pavé de bœuf aux oignons rouges confits et roquefort” que está no excelente C’est moi qui lái fait .

E agora para todos os que gostam de coco e ananás , aqui está o link para uma Panna cotta de coco com compota de ananás, que está no épices et compagnie... Até me babei a ler, e fiquei a pensar se poderia juntar um pouco de cachaça ...

Onde é que se compra agar-agar ?    

Olha o faisão ...

Faisão com Manteiga Aromática de Legumes – receita enviada pelo Nuno
Cubinhos de: Courgete, Chalota, Aipo Bola, Alho Francês, Cenoura e Cebola, tudo amassado com manteiga e tomilho, e, opcionalmente, juntar também as sementes de uma vagem de Baunilha.Cobrir o Faisão com esta mistura. Temperar o interior com Sal e Pimenta e colocar num tabuleiro com caldo de frango, salsa, e alhos.Assar a 170º e reduzir para 150º ao fim de 40 minutos. Regar com frequência.
Nota: E assim já se pode beber o tal vinho branco da Quinta do Monte d’Oiro

5.9.05

Palatos

( este fim de semana , em Torres Novas ).
Diálogo na discoteca Emotion entre o meu irmão ( que é o chef da família) e o Pedro dos 5 às 8 , acerca de um vinho branco .

Pedro: Eu não sei é o que se poderá comer com esse branco ...
Nuno: Faisão ( não percebi como era o faisão )
Pedro: Mmmmmh .... não sei ...
Nuno : E salmão
Pedro : Salmão talvez ... é bem visto !

E ficou o Pedro a imaginar o vinho e o salmão juntos no céu (da boca )

Longe vão os dias em que o vinho acompanhava as refeições , agora , muitas vezes está à frente, a comandar o palato. As comiditas que se cuidem .

Horas depois, já de  regresso ao copo d’água , ouvi-os a pré-saborear  umas galinholas,  cuja degustação me pareceu arregimentada para breve ...

PS. Não fomos dançar a meio do casamento como se poderia entender do texto , fomos lá tomar café , aproveitando o convite de um dos sócios dessa casa e nosso primo . Obrigado Fernando !

Acerca da açorda

Neste fim de semana , em conversa com o meu primo que ajudou a comer o anterior arroz de peixe , falava-se da impossibilidade de serem transmitidas algumas práticas culinárias , muitas vezes as mais simples . Isto vinha a propósito de uma açorda ( eu sou de Lisboa , logo não estou a falar de sopa , mas sim de migas ) que eu fiz na sexta-feira , para servir de companhia a uma carninha de porco que foi frita (em azeite e banha ) , depois de ter repousado numa papa feita com massa de pimentão , alhos , vinho branco e louro .
Que dizer dessa açorda/miga que não ofenda nem leitores nem o preparado ? Como explicar de verdade ou ,  como eu então disse , como explicar a um japonês os “comos” e os “porquês” de um acompanhamento destes?  Primeiro que tudo , quem nunca viu (e comeu) uma açorda não percebe  o objectivo de unir pão duro , água , alhos , azeite e coentros , para com eles fazer uma papa que é muito melhor do que a soma das partes . Depois , como avaliar a consistência e decidir se falta ou se sobra água ,  medir a quantidade de azeite , quantificar os alho e coentros , como determinar que está pronto ? Pois bem , faz-se fazendo e sabe-se sabendo !
Pode vir a ciência medir temperaturas , avaliar graus de humidade e interpretar a mistura das farinhas que participou na feitura do pão , pode um cozinheiro de microscópio , provetas e bisturi alcançar o sucesso nessa mistura , divagar ( ou dissertar) acerca da melhor técnica replicável para a açorda que eu continuarei a preferir arriscar alguns falhanços ( mesmo muitos falhanços) em nome de uma ou outro dia de resultados sublimes , filhos da persistência e do acaso ...    

1.9.05

Arroz de peixe

Muito simples este arroz de peixe . Simples porque a minha filha também o iria comer , tão simples que nem sequer tinha uma cabeça (de garoupa , por exemplo), para o fazer . Tinha duas postas de maruca e com elas dei de comer a quatro pessoas . Not bad !

Comecei por cozer o peixe, da forma habitual . Uma panela com água , sal , 1 folha de louro e 1 dente de alho . Deixei a água ferver , baixei o lume , juntei o peixe e quando voltou a ferver apaguei o lume . Dez minutos minutos depois, tirei o peixe , arranjei-o , devolvi as espinhas à água , juntei nessa água 4 ou 5 pés de coentros e repus ao lume para ferver e apurar mais um pouco .
Entretanto piquei uma cebola , um dente de alho e dois tomates . Pus ao lume uma panela com 4  colheres de azeite , juntei o alho picado e acendi o lume . Pouco depois juntei a cebola e nessa altura entrou em cena a colher de pau – ao que parecec é um instrumento repudiado pela CE . Fui mexendo a cebola. Juntei o sal e quando começou a alourar, deitei o tomate . Refogou tudo em conjunto durante uns 5 minutos , que eu aproveitei para coar a água e assim excluir as peles , espinhas , coentros e outros aportadores de sabor cuja função terminara já . A panelita da água voltou para o lume para manter a fervura e eu medi o arroz ( carolino )  necessário (cada qual sabe quanto , no meu caso foi 1 caneca cheia ) .
Deitei  2 canecas de água de cozer o peixe para cima do refogado, juntei o arroz e tapei a panela .  Passados 5 minutos juntei os pedaços de peixe que logo no início tinham sido cozidos e limpos, dei mais uma mexidela e tapei a panela . Antes de se escoarem os 10 minutos do costume juntei mais uma caneca de água do peixe (bem quente ) , coentros picados e voltei a tapar  . Quando os 10 minutos se esgotaram apaguei o lume e levei a panela ( ainda tapada !!!) para a mesa  . Entretanto passaram 5 minutos, que só fazem bem ao arroz , mas depois é preciso iniciar as hostilidades, já que o carolino não pode esperar muito ...  

A preguiça seguida pelo arroz de peixe

Não sei se é do calor , ou das muitas coisas que tenho para fazer , mas a cozinha tem sofrido . Pratos mais simples, por vezes pratos de recurso , coisas para as quais me falta a pachorra para depois  passar a escrito . Sim , porque tudo é questão de prazer , o prazer de descobrir pratos , saber se consigo fazer isto ou aquilo e depois o prazer de contar o que fiz , esperar as reacções , ficar contente quando vêm aqui dizer que experimentaram e correu bem ... tudo conta .  Ontem ao jantar fiz um singelo arroz de peixe , coisa muito simples, mas que pode ser útil para os que começam . Para os outros nada de novo , para já . Talvez uma receita de caril de borrego com espinafres ainda esta semana ... vamos a ver .