29.6.05

Ontem houve um jantarito lá em casa . Era para ter sido uma coisa mais séria mas não foi possível . Fiz tapenade , guacamole , pimentos assados , cozi feijão de debulhar imagem do Cook’s Thesaurus fiz lombo de porco no forno , caril seco de beringela , e faltou-me o balanço para os quindins que tencionava fazer para a sobremesa. A tapenade foi apreciada embora eu a tivesse achado um pouco salgada . Para quem não sabe trata-se de uma pasta que se faz para comer com tostas ou grissinos , e que também pode ser usada para temperar saladas deitando umas colheradas por cima da salada ou misturando com azeite para poder escorregar entre as folhas verdes e os tomates . Eu fiz a tapenade com 2 chávenas de azeitona galega, que comprei na praça e tive de descaroçar – grande seca – 2 dentes de alho , 4 anchovas de lata , 2 colheres de sopa com alcaparras e 10 folhas de manjericão . Desfiz tudo no copo das sopas da 1-2-3 e depois fui juntando azeite aos poucos ( ½ copo ) . Depois provei e não me lembro se juntei mais alguma coisa, mas acho que deitei um pouco de tomilho seco. Para diminuir o sal , eu podia ter lavado as azeitonas e as alcaparras antes de as desfazer ... O guacamole , que se come com tiritas de milho , ou coisas parecidas , é uma papa feita de abacates maduros esmagados com um garfo e depois temperados . Para 2 abacates grandes eu usei : ½ cebola muito picada 1 chávena mal cheia de mistura de coentros e salsa também picados 1 pitada de cominhos em pó ( depois provo e ponho mais ) 1 colher de chá com paprika sal e pimenta sumo de 1 limão mistura-se isto tudo ( e mais ou menos coisas conforme apetecer ) e come-se de imediato pois tem tendência a escurecer , embora o limão ajude a manter a cor . Se quiserem fazer guacamole e não o forem comer de imediato , guardem-no com o caroço e não me perguntem porquê , mas comam-no no mesmo dia pois quando escurece fica muito feio ... Comprem abacates ainda rijos e embrulhem-nos em papel de jornal, dois dias antes de os usarem. Amanhã conto mais.

27.6.05

Surpresa

A minha mãe está a passar uns dias lá em casa e , no sábado, perguntei-lhe o que queria comer . Respondeu que queria qualquer coisa simples e que preferia surpresas . Foi com estas informações preciosas que rumei ao mercado para fazer as compras do fim de semana e algumas coisas já para a festarola da próxima terça-feira. Enquanto escolhia tomate , cebolas , feijão verde e outras vulgaridades , o meu olhar demorou-se sobre uma folhagem que não era espinafres , nem agriões ... era ....era ...(isto sou eu a pensar ) ... beldroegas ! Como a minha mãe queria surpresas , teve as surpresas na forma de uma sopinha de beldroegas, feita de forma simples, tal como vem descrita num livro de receitas comparadas Alentejo e Estremadura espanhola, que muitas vezes consulto. Aí , numa página que diz Sopa de Berros/Sopa de Beldroegas vem a receita que eu segui, e é assim: Corta-se uma cebola grande às rodelas que vão a refogar em azeite. Quando a cebola começa a alourar, juntam-se (apenas) as folhas das beldroegas ( um molho ). Mexe-se e deixa-se refogar mais um pouco . Então junta-se a àgua fria necessária para cobrir mal a folhagem , 2 batatas às rodelas , 3 ou 4 dentes de alho com casca e o sal . Quando as batatas estiverem cozidas a sopa está pronta . Deita-se o caldo numa tigela onde já devem estar umas fatias de pão duro e junta-se um ovo escalfado por pessoa. O nosso almoço foi só a sopa.

23.6.05

Faltava o biriani ...

Nem sempre há festa , nem sempre há comidas fantásticas , belas saladas , sopas da avozinha , etc . Ás vezes comem-se os restos, mas não tem que ser mau . Com aqueles bocaditos de carne de porco acarilada que sobraram lá atrás , e os restos do basmati que acompanhou as lulas , eu fiz uma belo almoço . Há uns meses atrás eu escrevi aqui, acerca de uma espécie de biriani que tinha visto fazer num programa da BBC , pois bem , seguindo os mesmos ditames , mas usando sobras de arroz em vez de arroz mal cozido como a receita então pedia fiz o seguinte . 1.Cortei uma batata em cubos pequenos a que dei uma fritura ligeira e reservei . 2.Cortei uma cebola às rodelas , salteei a cebola e juntei-lhe uma colher de chá com garam massala , as batatas fritas, sal , e coentros picados . Misturei tudo , deixei fritar mais um pouco e apaguei o lume . 3.Pus a carne de porco na frigideira para aquecer 4.Deitei metade do arroz no fundo duma panela , deitei por cima a mistura de cebola e batatas fritas , a seguir juntei a carne de porco e tapei com o resto do arroz . 5.Embrulhei a tampa da panela num pano e tapei a panela . O pano faz com que seja preciso pressionar a tampa para entrar e assim a panela fica bem fechada . Por cima pus um peso para garantir que não se perde calor . 6.Com o lume no mínimo , esperei 20 minutos e deitei para um prato , aproveitando bem todos os bagos torradinhos e estaladiços que estavam colados ao fundo . Por cima do arroz espremi um pouco de limão e espalhei uma colher de sopa de coco ralado . 7.Se estivesse em Lisboa teria ido ao frasco do achar (conserva ) de manga buscar uns bocados para juntar ao biriani , mas como estava nas Cabanas com despensa reduzida ficou mesmo assim e ficou muito bem . O próximo há-de ser com camarão .

22.6.05

Receitas

No Digitalis surgiu uma fonte de onde estão a brotar receitas ( e memórias alimentares ) lindas a um ritmo assombroso .

20.6.05

Lulas com quiabos e leite de coco

2 Kg de lulas . limpas e separadas em tentáculos e argolas 2 copos de leite de coco ( eu fiz com coco ralado , água a ferver e varinha mágica ) ½ kg de quiabos pequenos e tenros 2 cebolas picadas 1 dente de alho picado 1 pedaço de gengibre picado 1 pacote pequeno de polpa de tomate 1 colher de sopa de garam massala 1 colher de chá com açafrão das índias 1 malagueta sem as sementes coentros picados sumo de limão 4 colheres de sopa com óleo ( pensei que o azeite seria mt forte para aqui ) Fiz o refogado do costume , começando pelo óleo e alho , onde se juntaram depois a cebola e o gengibre . Passados 5 ou 6 minutos , quando a cebola começou a ganhar uma corzinha , deitei o garam massala , o açafrão , a malagueta e o sal . Deixei passar 2 ou 3 minutos com umas mexidelas pelo meio e juntei a polpa de tomate . Então tapei , baixei o lume e , enquanto a cebola e os amigos suavam , fui beber uma cervejola , aproveitando a aragem que corria no jardim . Quando a cerveja acabou , voltei para a panela e achei que já podia juntar as lulas e os quiabos, que eram tão tenros que foram para lá inteiros , no entanto sempre digo que se tiverem de os cortar , certifiquem-se que estão bem secos pois , ao que parece , isso reduz a quantidade de baba que largam de imediato – já não sei onde li isto , mas acredito ... Mantive a animação na panela durante 15 minutos , passados os quais decidi que já chegava de festa , apaguei o lume e fui para a praia . Á hora de jantar , enquanto as crianças comiam a massa deles e os adultos davam cabo da excelente sangria que a senhora com quem casei ( eu penso nela como a minha mulher , mas parece mal escrever isso, e escrever “a minha esposa” parece que estou a falar doutra pessoa ) tinha apresentado numa enorme panela , eu fui acabar as lulas e fazer o arroz . Acendi dois lumes e num pus uma panela com muita água e algum sal . Quando a água ferveu deitei o arroz necessário e passados 10 minutos , escorri a água e levei para a mesa . Entretanto no outro lume pus a panela das lulas para levantar fervura . Assim quem isso aconteceu , baixei o lume e juntei o leite de coco . Antes de ir para a mesa deitei muitos coentros picados e procurei em vão a malagueta . Comeram tudo .... TUDO !!! Até a malagueta . Só sobrou um bocadinho de arroz .

O que fazer ?

Quando me falam em ir jantar para um restaurante com grupos alargados ( mais do que 8 sem crianças , ou qualquer número com crianças que não sejam minhas ) penso logo se não seria melhor fazer um jantar em casa. Principalmente se houver jardim e se puder comer ao ar livre . Por isso quando começou a conversa eu oferecei-me logo para cozinhar e assim, os miúdos podiam brincar à vontade , eu faria qualquer coisa simples para eles – massa com salsichas e ovos mexidos – e nós podíamos comer sossegados e sem stress (devo confessar que nas idas a restaurantes o stress é principalmente meu ) . Todos concordaram , e selaram o acordo dizendo “faz o que quiseres” e foram para casa descansados . Eu pensei em bifes panados com arroz de tomate , visualizei-ma a cozinhar e estava tudo a correr bem até chegar à parte em que tinha de fritar os panados um por um ... naaaa , não me apetece fritar sei lá quantos bifes – 15 ... 20 ... Next . A ideia que tive a seguir foi invadir espanha pela fresca e ir comprar alguns dos excelentes congelados que se compram em Ayamonte , beixes , mariscos e moluscos que parecem acabados de pescar e com eles faria um arroz de mariscos ou coisa parecida . Telefonei em vão a um dos convidados para saber se ele queria ir comigo ( eu não tenho carta ) , mas não consegui resposta . Decidi então sair de casa para ir às compras e logo se veria . Fiz várias compras que já não recordo , comprei então quiabos sem saber porquê , apenas porque tinham bom aspecto mas o importante foi a entrada na peixaria . Fui lá a pensar em nada , a pensar vagamente em ameijôas para um esparguete , a pensar no sariulho que se avizinhava . Foi então que vi as lulas , que até aí não me tinham passado pela zona gastronómica do meu cérebro . Vi as lulas e quis logo ficar com elas , ainda sem saber para quê , mas pedi 2 kilos e fui para casa a remoer. Recheadas ? É bom mas dá muito trabalho e eu queria ir à praia . Caril ? É isso , assim aproveitava os quiabos , não dá muito trabalho e podia ser feito logo com antecedência e aquecido na altura . Voltei para trás para comprar um pacote de arroz basmati e côco ralado para fazer o leite . Limpei e cortei as lulas e fui para a praia aproveitar o sol , o mar e a família .

Parabéns

Tenho de aviar estes relatos das férias, senão começo a baralhar as receitas e a perder a vontade de falar nas atrasadas, por ter coisas mais recentes para contar . Por exemplo, ontem fiz um jantar curioso , perna de borrego no forno , acompanhada por pão com alho e ervas ( a receita já a apareceu por aqui ) , salmorejo gelado e uma saladinha de canónigos ( umas folhas que nunca tinha experimentado ) . A coisa correu bem . Mas não é disso que se trata agora , pois há coisas mais importantes como desejar à Adriana um bom dia de anos . Parabéns mulher e logo lá estarei ou relatar as lulas com quiabos e leite de côco que fiz nas férias Vamos a isto

16.6.05

Mini-férias - as receitas 1

A nossa ( da família) viagem para o Algarve foi na quinta-feira como fizeram tantos outros , mas nós saímos de Lx às 7:30 da manhã , usámos um dia de férias mas fizemos uma viagem descansada e antes do meio-dia já estávamos na praia e eu já tinha ido à mercearia , praça e talho . No talho comprei 700 gr de carne de porco “para fritar”. Nessa altura ainda não tinha decidido o que fazer com ela , mas punha a hipótese de comprar amêijoas e fazer carne de porco com amêijoas . Não havia amêijoas e por isso mudei de ideias , tendo feito uma espécie de caril . Para isso , temperei a carne com : 1 colher de chá com curcuma 1 colher de chá com colorau 2 colheres de chá com garam massala 1 colher de chá com oregãos 1 colher de sopa de azeite Misturei tudo ( e fiquei com os dedos amarelos até ao dia seguinte !!!) e guardei enquanto preparava o resto . Piquei separadamente 2 cebolas 1 dente de alho 1 pedaço de gengibre (aprox 3 cm) 2 tomates 1 pedaço de casca de limão ( aprox 5cm) ½ molho de coentros ( folhas e caules separados) Pus uma panela ao lume com o fundo mal coberto de azeite e para aí deitei o alho , o gengibre , um pau de canela e uma malagueta . Assim que o alho começou a assobiar juntei a cebola , mexi e deitei sal . Quando a cebola começou a alourar juntei o tomate e pouco depois comecei a deitar a carne aos poucos – pois se pusesse tudo de uma vez a carne em vez de fritar iria largar o seu suco e cozer nesse líquido . Para que isso não aconteça , ponho o lume forte e vou deitando a carne e mexendo ,fazendo com que os pedaços que já estão fritos se acumulem num dos lados e assim vou arranjando espaço para a carne restante . Quando toda a carne estava alourada , verifiquei o tempero ( e então juntei 1/2 colher de chá com cominhos , a casca de limão picada e uma colher de sopa com os caules picados dos coentros ) , coloquei a tampa e baixei o lume para o médio . Passados 15 minutos destapei , tirei a canela , juntei as folhas de coentros, mexi bem e declarei o prato como pronto para ir prá mesa, na companhia de batatas fritas em cubos pequenos - foi uma reminiscência da carne de porco com amêijoas . Cenas dos próximos capítulos: não comemos tudo e eu guardei no frigorífico a carne que sobrou . Passados dois dias foi recuperada para um biriani do qual ainda se falará aqui .

15.6.05

Mini-férias 2

Nas mini-férias algarvias levei poucos temperos e tinha como objectivo não me pôr a comprar coisas como se o mundo fosse acabar. Comprei apenas o indispensável azeite , uns limões e ervas frescas . Comigo levei flor de sal e sal grosso ( os dois do Rui Simeão de Tavira ) , levei garam massala ( mistura de especiarias ) , colorau , curcuma ( açafrão das índias ) , cominhos em pó , orégãos , gengibre fresco , 5 malaguetas , 6 ou 7 cravinhos e duas cabeças de alho . Na praça , no talho e na peixaria , comprei os produtos frescos que fui usando no dia a dia e antes de voltar, claro que comprei pão para trazer e é daí que tenho feito as minhas torradas matinais. Na praia apanhávamos as conquilhas, as quais abertas em azeite e alho e depois salpicadas com coentros frescos e um pouco de sumo de limão, faziam a alegria da família em casa , mas a alegria maior era mesmo o banho na praia

Mas também ...

Mas também faço a coisa por menos. Uma batata cozida e partida em pedaços pequenos , uma lata de grão , uma boa posta de bacalhau já sem espinhas , meia cebola picada , um dente de alho picado , salsa picada , bom azeite , uns salpicos de vinagre . Tudo bem misturado e depois , por cima , mais um pouco de azeite , uma colher de chá com colorau e pimenta moída. Ao lado , como quem pede licença, pode ficar um pratinho com tomate maduro , apenas com sal e azeite ... 11:52 e eu a salivar .

Ostras

É isso que me apetece para o almoço , 1 dúzia delas , geladas , com uns pingos de limão e nada mais . Pelo meio trincaria ( é de notar o tempo verbal ) duas tostas levemente barradas com manteiga ... E para beber ... Höegaarden Blanche , bem fria e num copo de vidro grosso . Era mesmo isto, se possível à sombra mas com os pés dentro de água.

14.6.05

Mini-férias

Foram 5 dias nas Cabanas , com muita praia e algumas comidas que se podem contar aqui . A lista de ingredientes que levei foi reduzida e essa é a principal curiosidade das receitas que escreverei amanhã ou depois. A pior refeição foi no dia em que resolvemos ir ao restaurante Monteiro (Cabanas ) . Nunca vão lá !

Carapaus enjoados

A pergunta foi da Helena , e eu decidi seguir um caminho simples para obter resposta . Enviei um email à Câmara da Nazaré e recebi uma informação completíssima , que agradeço especialmente à Cristina Luz do Turismo dessa CM da Nazaré , que teve a gentileza de me responder . Aqui fica o texto que recebi . O peixe seco na Nazaré A tradição de secar o pescado em excesso é de origem pouco conhecida, mas seria a melhor maneira de o conservar para os dias de escassez. Desta forma as peixeiras garantiam sustento para as famílias, mas também lhes permitia ter peixe para vender noutros mercados. As espécies mais utilizadas eram, e são, o carapau (de vários tamanhos), os batuques, a sardinha, a petinga e o cação (leitão = cação pequeno), devido à sua abundância, mas também o polvo. Na Nazaré distinguem-se duas formas de secagem: o peixe seco e o peixe enjoado, com características de preparação e consumo diferentes. O peixe é primeiro amanhado (processo de tirar as tripas), depois é lavado e passado por uma salmoura feita com água e sal grosso (outrora era utilizada água do mar). Por fim é aberto ou escalado, estendido nos paneiros e posto ao sol. A secagem demora entre 2 a 3 dias, dependendo das condições atmosféricas e da temperatura do ar. Este tipo de peixe pode ser comido cru (desfiado), mas é normalmente cozido, acompanhado de batata cozida (com pele) e regado com azeite e vinagre ou sumo de limão e alho picado. O peixe enjoado é preparado da mesma maneira, mas passa apenas 1 dia ao sol, de maneira que fica apenas meio seco ou enjoado. A espécie mais utilizada para esta secagem é o carapau de tamanho médio. Normalmente é grelhado, acompanhado de batata cozida, regado com azeite e vinagre ou com uma cebolada. O polvo é muito apreciado cozido, em arroz e em saladas, mas é igualmente consumido cru. O cação seco é, normalmente, cozido tal como o carapau e os batuques. A petinga e a sardinha, por serem peixes gordos, são assadas na brasa. Note-se que cada espécie de peixe tem uma forma diferente de secagem. O carapau, os batuques e o cação são abertos ou escalados, mas a petinga e a sardinha já são secas inteiras (sem tripa, escama e cabeça), bem como o polvo. Os paneiros, onde o peixe é colocado a secar, são grandes rectângulos de madeira, onde é aplicada rede de pesca (das redes da arte xávega) esticada, de modo a que o ar circule e seque o pescado. É a sul da praia, quase em frente ao Centro Cultural da Nazaré (onde funcionou a Lota entre 1961 e 1986), que se encontra o Estindarte (estendal) de secagem de pescado, onde as várias peixeiras secam e vendem directamente, aos locais e aos visitantes, o peixe ali exposto. Este é o ponto de encontro ideal entre peixeiras e consumidores, visto que esta especialidade gastronómica dificilmente se encontra nos restaurantes da vila. Prove e aprove! Bom Apetite!

8.6.05

Salmorejo , favas e moxama

Foi muito bom o jantar de ontem , apesar do calor que se fazia sentir na cozinha . Como já tinha avisado , fiz salmorejo, que é uma sopa fria de tomate, que costumo comer em Ayamonte , e cujo nome tem um sentido que me escapa . Para o preparar é preciso 1 Kg de tomate , sem pele nem sementes , 2 carcaças do dia anterior , 1 dente de alho , ½ copo com azeite , 2 colheres de sopa de vinagre e 1 ovo cozido . O salmorejo deve ser feito num almofariz mas eu faço-o no copo dos batidos , da forma que se segue . Para começar parto o pão e ponho-o de molho para amolecer . No copo dos batidos deito o tomate , o dente de alho e o pão bem escorrido . Bato tudo e começo a juntar o azeite em fio . Quando tudo estiver bem homogéneo e transformado num caldo espesso , junto o vinagre , também junto ½ colher de sopa com oregaos que não faz parte da receita mas eu gosto e tempero com sal . Volto a bater e provo para verificar o tempero. A sopa serve-se fria ( podem-se juntar uns cubos de gelo ) e deita-se por cima o ovo cozido bem picado . Se houver em casa presunto bem pode-se juntar à sopa ou servir à parte para se ir comendo ao mesmo tempo . Por acaso ontem não servi presunto já que a dona da casa não come carne , e em vez disso levei e cortei um pouco de moxama de atum – atum seco – que se corta fino como o presunto e é um petisco notável. Também fiz a tal salada de favas que é muito simples de preparar embora dê um pouco de trabalho . Cozem-se as favas ( congeladas ) de acordo com o pacote e passam-se por água fria . Depois tira-se a casca ( dá trabalho mas vale a pena ) e tempera-se com : 1 dente de alho muito bem picado . coentros picados (muitos ) 4 ou 5 colheres de sopa com azeite ½ colher de café com cominhos sal Mistura-se este tempero nas favas nas favas e desfaz-se por cima ½ requeijão . É comer ! A moxama também liga bem com favas temperadas com azeite , sal e um pouco de sumo de limão .

7.6.05

Receitas para amanhã , enquanto o calor aperta e muito ...

Hoje ao jantar vou fazer salmorejo , que é uma espécie de gaspacho , mas leva apenas tomate , pão , alho e sobre o qual se deitam pedacinhos de presunto ( mas bom ) e ovo cozido, também tenho de preparar uma salada fria de favas com requeijão, cuja receita é bem capaz de já ter aparecido por aqui, mas vai ser reposta .

6.6.05

Uma pergunta

A pergunta que eu fiz foi - O que é caneja de infundíce ? A Helena levou a coisa a sério e encontrou as respostas que tudo esclarecem. Confidências e Desabafos de Savarin (82) Confidências e Desabafos de Savarin (82.2)

Sandwich de pepino

Continuo preocupado com o calor que ainda agora começou, e recomendo comidas ligeiras . Para hoje sai uma sandwich de pepino . Para começar é preciso 1 pepino , uma garfada (ou menos ) de atum de lata , 3 colheres de sopa de mayonaise , 1 colher de café com azeite , o mesmo com sumo de limão , sal , pimenta e fatias de pão. A primeira coisa é preparar o pepino , tirando a casca e cortando-o em rodelas finas que se polvilham com sal e colocam dentro de água durante ½ hora , passada a qual se escorrem e secam . A mayonaise leva um pouco ( muito pouco ) de atum e mistura-se com os restantes ingredientes ( excepto o pão ) . O pão deve ser em fatias finas – de centeio é bom – e pode ser ligeiramente torrado para lhe melhorar a consistência . Barra-se ligeiramente com a mayonaise e colocam-se por cima as finas rodelas de pepino . Já está , e simples , mas tudo é importante . A dose de atum na mayo (ínfima) , a dose de mayo no pão ( barrar ligeiramente ) , a queimadura infligida ao mesmo pão (bronzeado primaveril) e o pepino que deve estar fino , seco e com um ligeiro toque de sal . Give it a try ...

3.6.05

Tomate cereja

Fiz isto para o meu jantar , porque estava só eu , mas é o ideal para um almoço ligeiro neste verão que decorre desde .... Janeiro ???!!! Misturei ( com o garfo ) 3 colheres de sopa de queijo em creme philadelphia com 3 fatias de queijo de cabra palhais. Quando aquilo começou a amolecer, temperei com azeite (1/2 colher de sopa ) e pimenta preta e voltei a aplicar-lhe o garfo para reduzir a mistura a uma pasta o mais homogénea possível. A seguir lavei 12 tomates cereja , que abri ao meio e deles retirei as sementes para arranjar espaço para o creme de queijo . Arrumei tudo num prato. deitei por cima um fio de azeite e polvilhei com flor de sal –de Tavira claro . Aconpanhei os tomatinhos com pão torrado , onde esfreguei um pouco de alho , e depois temperei com sal grosso ( pouco sal ) , azeite e orégãos . Singelo , simples de preparar , delicioso e apropriado para os calores destes dias . Estamos na época dos petiscos ligeiros , do gaspacho gelado e de vinhos frescos.

1.6.05

O fim da festa no Alentejo

Claro que no dia seguinte havia muita loiça para lavar , muito chão para varrer , muitos copos para apanhar e toneladas de lixo para ir deitar nos contentores da região ... de lá ainda trouxe para casa uns espargos verdes( que foram muito falados durante a festa ) e fiz um risotto que ficou muito bom ...

O iman rebentou

A primeira tarefa é preparar as beringelas . Para isso , cortam-se ao meio e deita-se sal na zona exposta pelo corte . Isso vai fazer com que as beringelas deitem uma água amarga que não lhes faz falta nenhuma . Depois de se deitar o sal deixam-se as beringelas sossegadas durante 45 minutos, que podem ser aproveitados para ir virar o LP (?!?), ou preparar os restantes ingredientes . Com cebolas às rodelas e tomate pelado ( pode ser de lata ) refogados em azeite faz-se uma tomatada temperada com sal , pimenta , manjericão e um pau de canela . Depois é preciso passar as beringelas por água ( para tirar o sal) e secá-las muito bem pois de seguida serão fritas . Para fritar usa-se uma quantidade de óleo que chegue para fazer as beringelas boiar , e vão-se rodando os legumes para que fritem por igual . Depois escorrem-se e, quando tiverem arrefecido, faz-se um golpe ao comprido onde se coloca pesto e uma fatia generosa de queijo feta – se não tiverem feta , acho que podem usar queijo de cabra Palhais que também deve resultar – e arrumam-se num tabuleiro untado com azeite . Por cima deita-se a tomatada e vai ao forno bem quente durante ½ hora . Pode-se comer quente ou frio que é sempre bom . Nota:cuidado com o sal que o queijo é salgado

Mais festa no Alentejo - pt3 e 4

Entre as muitas coisas que provei durante a festa , houve algumas que vi fazer , como as beringelas no forno , e outras cuja confecção me passou ao lado , como aconteceu com os camarões fritos , os bojés (uns pastelinhos de Goa ) , a pana cotta com molho de morango , o caril de camarão com coco ,o crumble de maça com pinhões , um sem fim de canapés , saladas , chamuças e a mousse de manga , mas esta última tem a receita escrita nas latas . Enfim , não se pode estar sempre na cozinha que também chateia . Mas as beringelas eu vi e posso dizer como foram preparadas – salvo algum truque que me tenha escapado . O meu amigo que cozinhou estas beringelas, disse que o nome pode traduzir-se por o chefe (espiritual ) rebentou . Segundo a lenda , um certo Iman terá comido uma uma quantidade tão grande deste prato, que rebentou . Apetites !