27.1.05

O arroz de cabrito que eu fiz

Depois de ter desmanchado o animal em várias peças , escolhi a carne do peito para fazer este arroz . Comecei por partir a carne ( 400 ou 500 gr ) em pedaços ( aquilo que os ingleses chamam "bite size" ) e juntei-lhe uma vinha de alhos feita com 1 copo de vinho branco , dois dentes de alho picados , uma colher de sopa de massa de pimentão ( a massa de pimentão artesanal que compro no mercado de Estremoz ) e aproximadamente uma colher de sopa com oregãos . Enquanto desmanchava o bichinho verifiquei que a pouca gordura que havia na carne , não tinha aquele cheiro que muitas vezes faz as pessoas dizerem que não gostam de ovinos ( neste caso era um caprino ) , e que me leva a limpar cuidadosamente essas carnes de todas as peles e gorduras . Desta vez não o fiz , decidi manter a gordura que o peito tinha e decidi também que iria prolongar a cozedura da carne para que a gordura se derretesse , dando assim uma consistência e sabor mais ricos ao caldo onde depois cozeria o arroz . Após terdeixado a carne marinar durante 1 hora ( podia ter sido mais mas eu estava com fome ) escorri-a e , numa panela com azeite quente , salteei rapidamente os pedaços de cabrito que fui retirando à medida que ficavam prontos . Na mesma panela deitei uma cebola para refogar , depois juntei a carne , a marinada , dois copos com água , sal , pimenta e quando começou a ferver , baixei o lume e tapei . Deixei assim durante 30 minutos passados os quais avaliei ( a olho ) se o líquido chegava para cozer o arroz e (por causa dos imprevistos ) pus uma panela com água a aquecer pois podia ser preciso adicionar mais líquido . Deitei o arroz ( 1 copo ) e tapei . Passados 5 minutos juntei coentros picados ( 1 colher de sopa ) e ¼ pimento vermelho picado . Com o lume no mínimo , aguardei 5 ou 6 minutos , juntei uma colher de sopa com vinagre e passado 1 minuto muito pequenino, apaguei o lume e deixei o arroz descansar com a tampa posta durante mais 5 ou 6 minutos . De talheres em punho atirei-me ao petisco acompanhado apenas por uma salada de alface .

26.1.05

Era uma vez um cabrito ...

Comprei um cabrito , um animal que vinha muito recomendado e que mostrou no prato a razão dos elogios . Claro que muitos preferirão manter uma relação anónima com os animais que comem , faz-lhes pena saber coisas dos pobres bichos, e outros eteceteras . Eu acho que uma vez decididos a trilhar os caminhos dos omnívoros , há que não virar a cara à realidade e aceitar que mesmo as picanhas da américa do sul são parte de um animal , um bocado que só não lhe faz falta porque o dito estaria já morto quando lho amputaram ... Comprei um cabrito , daqueles que respiram ares da serra e não comem porcarias a não ser por decisão própria. Um cabrito certificado que me entregaram limpo mas inteiro , o que causou desde logo um problema ( ou antes dois ) . Como é que se desmancha esta criaturinha ? Para além de assar mãos e pernas no forno , que fazer do resto ? Passando por cima das entranhas e da cabeça , que tratei de comer pois o meu avô ensinou-me a não estragar nada e também por respeito para com o cabrito , pois mau mesmo seria atirar com aquilo para o lixo e fingir que essas partes ( saborosas ) não existiam , contarei tudo o que me lembro desse arroz que fiz com a carne do peito , sem cuidados no tempero nem grandes respeitos pela minha saúde. Será esse o próximo post

14.1.05

Arroz com batata e abóbora ????

É verdade . Hoje temos mesmo um arroz com os legumes referidos , e se estes forem bons o resultado final vai surpreender muita gente .
Eu vi esta receita na televisão , num programa da BBC Prime chamado “The Best” , que ainda está a ser transmitido ( quintas feiras às 8:00 e repete sextas às 18:00).
Este programa é uma espécie de concurso entre 3 chefes , que são o Paul Merrett , o Ben O'Donoghue e a Silvana Franco - e têm de preparar pratos com um tema que lhes é indicado durante o programa , etc , etc.
Num dia que o tema era o arroz , a Silvana fez um biriani que me surpreendeu pela simplicidade e por ser muito bom.
Ingredientes para 4 pessoas :

2 chávenas de arroz basmati
2 batatas aos cubos pequenos
abóbora – igual às batatas
2 cebolas às rodelas
50 gr de manteiga
açafrão ( estames )
Colocar o basmati de molho em água fria durante 15 minutos . Entretanto aquecer uma frigideira com azeite e fritar os aros de cebola até estes começarem a ganhar cor . Nesta primeira parte já experimentei juntar alho e gengibre, mas o fundamental é mesmo a cebola . Quando a cebola já está a ficar corada deita-se o sal e juntam-se então os cubinhos de batata e abóbora que devem fritar bem , por isso é preciso vigiar e ir mexendo para que nada se queime. No fim verifica-se o sal para ver se precisa de mais .
Entretanto escorre-se o arroz e coze-se em água e sal durante apenas 5 minutos e ao mesmo tempo deita-se o açafrão sobre a manteiga e leva-se esta a derreter no microondas .
Para acabar é preciso uma panela, na qual se deita metade do arroz , depois os legumes seguidos do restante arroz . Por cima salpica-se com a manteiga derretida com açafrão . Resta apenas tapar bem a panela embrulhando um pano à volta da tampa e pressionando-a para encaixar . Por cima põe-se um peso ( a ideia é evitar que se escape o vapor ) e vai ao lume (que deve estar o mais baixo possível ) durante 30 minutos . Quando destaparem deve haver na base algum arroz agarrado – isso é bom sinal . Então basta dar uma mexidela e servir . Acreditem em mim , é óptimo .

4.1.05

Salada de camarão

Para esta salada de camarão começa-se por cozer o camarão , o que , não sendo complicado , tem no entanto alguns aspectos a referir. Em tempos vi na tv alguém explicar esta maneira de cozer os bichinhos e é assim que faço . Ponho uma panela grande com água , uma cebola e uma mão cheia de sal . Quando a água está a ferver deito os camarões que ficam a ferver durante 5 minutos , isso deve bastar para que eles fiquem rosados e nessa altura passo-os da água a ferver para um recipiente com água gelada , o que acaba de imediato com a cozedura . Assim se consegue que eles fiquem com a consistência correcta , camarões moles por estarem demasiado cozidos, não servem para nada . Para esta salada descasquei aproximadamente 300 grs de camarões . Depois preparei o resto , que neste caso se tratou de pimento vermelho , abacate , manga , cebola e gengibre . Fiz assim : Descasquei , tirei o caroço e parti em pequenos cubos 1 abacate não completamente maduro , isto é , que ainda não estava bom para preparar o guacamole , mas que também já não estava verde e cedia um pouco quando pressionado – porra , nestas alturas sinto-me parvo a gastar tantas palavras tentando descrever uma coisa tão simples como pegar em dois abacates e dizer : este sim , aquele não ! Com a manga fiz o mesmo tipo de escolha , ela deve estar madura mas não a desfazer-se . Usei meia manga partida da mesma forma que o abacate e juntei-lhe aproximadamente ¼ do pimento vermelho também em pequenos cubos . Da cebola usei também ¼ , muito bem picada e fiquei a pensar que com cebola roxa ficaria melhor . Como por acaso tinha gengibre piquei um pedaço pequeno ( uma colher de café ) . Misturei tudo e espremi meio limão em cima para o abacate não escurecer . Juntei os camarões e depois fui preparar uma espécie de molho cocktail com : 3 colheres de sopa de mayonaise 1 colher de sopa de ketchup 1 cálice de brandy ½ colher de café com cominhos 1 colher de café com pimenta preta Juntei o molho aos camarões e não levei ao frigorífico porque estava na Covilhã e por isso bastou deixar a salada em cima da mesa da cozinha para que o frio natural da região mantivesse o preparado em condições .

3.1.05

Fim de ano

Fui para a Covilhã com a família , tratar de passar de 2004 para 2005 . Porquê ? Porque a senhora que faz o favor de me aturar, tem lá uma casa linda e enorme , que range quando andamos , está mais torta que um barco no alto mar , com um jardim onde uma cameleira espreita a rua e uma vista que dá vontade de passar o dia à janela. Houve petiscos , claro que houve . Alguns muito simples como as azeitonas temperadas de que já aqui falei, só que estas , compradas por mim na praça eram negras , quase redondas e deixavam um remoto gosto adocicado an boca , ou uma entremeada partida aos bocados , que temperei com alho e cominhos e depois fritei em azeite . Quando já estavam os bocaditos bem fritos tendo derretido alguma da sua gordura , deitei polpa de tomate e quando esta começava a secar juntei um bom copo de cerveja -foi um para a entremeda e outro para mim , o que causou logo grande comoção na frigideira . Quando o molho começou a engrossar e a ganhar um aspecto aveludado , apaguei o lume . Levei a entremeada para a mesa com fatias de pão acabado de torrar ... Mas de tudo , o que me correu melhor foi a salada de camarão que vai ter descrição à parte .

2005

Em 2005 a cozinha estará a funcionar . A pausa foi devida à ausência de rede durante as festas . Vou retomar a escrita a partir de hoje .