21.12.04

Pudim de Broa

Na noite de Natal havia duas refeições . Antes da missa do galo comíamos apenas bacalhau com couves e no regresso era a vez do peru , coscorões , sonhos de abóbora , bolo rei , chocolate quente etc . Este etc por vezes era muito longo , tal como a noite passou a ser longa quando deixámos de abrir os presentes na manhã do dia 25, como eu preferia , e passámos a fazê-lo na noite de 24 . A verdadeira refeição era no “day after” ao almoço , mas agora é o momento de escrever sobre o jantar ligeiro dessas já distantes noites de 24 de Dezembro . O singelo bacalhau com couves que às vezes vinha com pudim de broa . Não vou aqui escrever acerca da cozedura do bacalhau ou das couves mas sim sobre essa espécie de migas, feitas de broa de milho e água de cozer o bacalhau . Tira-se a côdea à broa e parte-se em pedaços que depois se juntam à agua onde o bacalhau cozeu , ou melhor , deita-se esse caldo quente por cima da broa e mistura-se para a desfazer bem . A broa assim desfeita tempera-se com azeite e alho muito bem picado , aquece-se procurando dar-lhe uma forma arredondada e serve-se com o já referido bacalhau . No dia seguinte podia-se comer , por exemplo , um cabrito fantástico que primeiro era guisado , para depois a carne , retirada do seu molho , ser envolvida num polme de água , farinha e ovo que se fritava . Os pedaços desossados do cabrito assim fritos , eram servidos com o molho do guisado inicial … desta maneira aparecia o norte de África no nosso dia de Natal , pois é aí que este cabrito tem as suas raízes , ele e nós .

16.12.04

O regresso d'O Cozinheiro

Vamos a ver essa cozinha , que antes do interlúdio andava por Goa com histórias prometedoras . Há link no título mas vê-se mal . Fica aqui outro

15.12.04

Parguinhos no forno

Entre as receitas escritas e o que chega à mesa há incontáveis desvios . Como dizia a minha avó quando eu tentava saber quantidades exactas : Eu sei lá ? Uma mão cheia … Mas não são apenas as medidas que “vareiam” , são as técnicas , quanto tempo fica a cebola a refogar , quanto tempo coze o pato , qual a altura exacta para tirar as batatas que estão a fritar . Mistérios apenas para quem é espectador . Um destes dias fiz uns parguinhos no forno que ficaram muito bons . Há muitas receitas que vos dirão quanto tempo deverá o peixe estar no forno em função da temperatura deste e do peso do outro , eu posso dizer que os parguinhos teriam 250 grs cada um , o forno estava quente ( 200 º ??) e estiveram lá 15 minutos . Comecei por deitar batatas novas ( 12 pequenas ) num tabuleiro . Temperei-as com alho picado , sal grosso , manjericão e azeite . Foram sozinhas para o forno durante 30 minutos . Passado esse tempo deitei por cima das batatas 2 cebolas às rodelas , 4 tomates aos pedaços mais um pouco de sal e azeite voltou tudo para o forno . Entretanto fiz um golpe diagonal nos pargos deitei-lhes sal , um pouco de colorau , alho picado , orégãos e um fio de azeite ( não sei para quê , mas eu gosto de deitar azeite depois do alho e do colorau – faço o mesmo com a carne de porco quando a tempero assim ) . Depois de ter deixado as cebolas e o tomate assarem um pouco ( 10 minutos ) , verifiquei que as batatas já estavam assadas e então deitei por cima os parguinhos que deixei a dormitar no quentinho durante os tais 15 minutos referidos no início . Nada de especial , é apenas mais uma receita de peixe no forno , onde o meu único cuidado foi não dar cabo do peixe com demasiado tempo no lume . Mas no dia seguinte a minha mãe jantou lá em casa e eu fiz uma açorda de tomate com peixe que tem a ver com tudo isto . Depois eu conto que este post já vai longo demais e ninguém tem paciência para testamentos online.

10.12.04

Perna de borrego

Pergunta:Tu sabes fazer perna de borrego à inglesa com molho de hortelã e tudo o mais ? Resposta: Eu não , mas a Delia Smith por certo que tem uma receita com explicações claras . E assim sendo , saltem para o Delia Online onde está a receita de Leg of Lamb Baked in Foil with Butter and Herbs with Redcurrant, Orange and Mint Sauce .

8.12.04

Arroz de feijão e bacalhau

Continuo às voltas com o feijão, – este acho que se chama patareco - e apesar da minha filha o comer cozido, como acompanhamento de qualquer coisa , por exemplo : ontem dei-lhe feijão , com dois ovinhos de codorniz estrelados , croquetes e salada de tomate , vou tentando variar . Uma das variações foi este arroz de feijão e bacalhau que se segue . Primeiro cozi o feijão em água com sal , e tomilho . Noutra panela deitei água e juntei um dente de alho e uma folha de louro . Quando começou a ferver juntei o bacalhau e esperei que voltasse a levantar fervura , depois apaguei o lume e deixei ficar assim durante 15 minutos . Nessa altura o feijão também já deve estar cozido . Para preparar o arroz , faço um refogado ligeiro , com alho , cebola e azeite . Quando a cebola começa a alourar deito um pouco de tomate – de lata , daquele já desfeito – e tapo a panela . Antes que chegue o senhor bispo , convém juntar a água ( eu usei parte das duas – feijão e bacalhau ) necessária para cozer o arroz , e quando estiver a ferver junta-se o arroz . Como o feijão e o bacalhau , que já deve estar desfiado e sem espinhas , já estão cozidos , só vão ter com o arroz passados 5 ou 6 minutos . O arroz coze com a tampa posta durante 10 minutos ( desde que foi deitado para a panela ) e fica mais 10 com o lume apagado .