30.11.04

Mais ovos mexidos

Há uns anos atrás , fui ao excelente Café Correia em Vila do Bispo com uma amiga que é de lá . Quando vi na lista os “Ovos mexidos com mexilhão ” logo pensei que era isso que eu queria , mas ela disse-me: “Isso era o que a minha avó fazia quando não havia nada para comer “ . Por muito modernos que tentemos ser , a cozinha simples , que vive do sabor dos produtos e não das técnicas é uma coisa que me seduz . Claro que comi os ovitos com mexilhão e lá voltarei por eles , pois os meus nunca ficam tão bons como os do Café Correia . Abrir 1 kilo de mexilhões numa frigideira com um fio de azeite , um dente de alho e sal . Deitar fora os que não abrirem ( não sei porque se diz sempre isto , já toda a gente sabe ) e tirar os outros das cascas ( ou deixá-los assim , é mais bonito mas dá menos jeito ... ) Deitar mais azeite – 3 ou 4 colheres de sopa – na frigideira , picar um dente de alho e juntar uma folha de louro . Acender o lume e quando o alho começar a resmungar juntar três cebolas às rodelas . Mexer durante 10 minutos e então juntar 3 ou 4 tomates aos pedaços e sem as pevides . Continuar a mexer durante mais 10 minutos e depois bater 4 ou 5 ovos . Deitam-se os mexilhões para dentro da cebolada , juntam-se os ovos batidos e tempera-se com sal e pimenta . Antes de servir junta-se uma ervinha qualquer – pode ser salsa , mas também pode ser uma coisa diferente como oregãos frescos , manjerona ou poejos ... que tal ?

26.11.04

Revuelto de gambas con judias verdes

O aniversário da minha pequenina vai-se prolongar por 2 dias . Um jantar no dia de anos – para a família mais chegada - e uma festa durante a tarde de sábado , com os seus amigos, seguida de jantar para mais crescidos que não vieram na quinta feira . Assim sendo , tenho tido muito trabalho . Na quinta feira fiz : - Massa folhada com cebola , queijo e tomilho - Ovos mexidos com gambas e feijão verde - Arroz de pato - Mousse de manga e havia ainda linguiças enroladas , mousse de leite condensado , tigelada ( uma tigelada gigante e muito boa ) e o bolo de anos . Das entradas que eu fiz, já antes aqui tinha falado , são coisas simples de fazer e que resultam muito bem , não havendo nada de especial na sua confecção . Os ovos mexidos são um prato que eu recomendaria para recém-iniciados nas artes do fogão, pois é difícil falhar, a menos que tentem fazê-lo enquanto vêm televisão , a ler o jornal ou a falar ao telefone . O feijão verde é cortado fininho e escaldado em água a ferver com sal , durante 3 ou 4 minutos , depois é colocado em água fria para não perder a cor , e por fim escorrido . As gambas são escaldadas durante 5 ou 6 minutos ( também em água e sal ) , depois vão para dentro de água fria ( gelada é melhor ) para não amolecerem e quando estiverem frias , descascam-se. Estas duas tarefas podem ser realizados com antecedência . O resto faz-se na altura de servir e é como a seguir se conta . Ponho ao lume uma frigideira com um dente de alho e azeite . Bato os ovos necessários e depois acendo o lume . Salteio as gambas e o feijão verde, que depois seguem para dentro dos ovos bem batidos, tempero com sal e pimenta e despejo a mistura na frigideira , vigiando e mexendo com um garfo até terem um aspecto bom . Eu gosto deles ainda húmidos , mas cada um sabe de si . Com torradinhas fica um petisco óptimo.

22.11.04

Cuscus de borrego

O fim de semana passado foi complicado. Eu queria ir ver os dois concertos do Rodrigo no CCB , mas para isso era preciso organizar algunas coisas , nomeadamente as refeições da família . Das várias compras feitas no supermercado na manhã de sábado, destaco aqui a perna de borrego , pois quando a vi decidi que o almoço de domingo iria ser cuscus com borrego . O outro destaque vai para o requeijão de Seia que estava delicioso , como a minha filha descobriu – acho que ela nunca tinha comido – com pão ao lanche e depois ao jantar misturado com tomate . Comecei o cuscus ainda no sábado , quando desossei a perna de borrego , limpei muito bem a carne para eliminar todas as peles e gorduras e depois de a partir, temperei da seguinte forma : 1 colher de chá com pimentão 1 colher de chá com canela 1/2 colher de chá com cominhos 2 colher de chá com curcuma (açafrão das índias ) 2 dentes de alho picados 1 colher de sopa com coentros 2 colheres de sopa com azeite Guardei tudo num saco de plástico que fechei com um nó e depois massajei a carne para distribuir o tempero – ao pôr a carne dentro de um saco é mais fácil misturar e evito sujar as mãos …. No dia seguinte enchi uma panela grande com água , à qual juntei sal , 1 cebola , 1 colher de chá com açafrão ( os estames ) , grãos de pimenta e a carne para cozer durante 1 hora e tal … De seguida preparei os legumes. Neste caso usei 1/2 kilo de abóbora , 2 cenouras , 1 nabo , uma courgette , 6 cebolas verdes ( daquelas com rama que parecem alho francês ) e uma mão cheia de feijão verde . Os legumes entraram para a panela ao fim de 1 hora de cozedura e nessa altura juntei duas colheres de copa com manteiga . Passada ½ hora estava tudo pronto . Então , já com o lume apagado , deitei lá para dentro 2 colheres de sopa com passas de uva que tinham estado de molho para largarem um pouco do açúcar , e também umas folhas de hortelã . O cuscus propriamente dito é a massa que acompanha o prato , preparada de acordo com as instruções do pacote . Normalmente basta deitar água a ferver por cima , mexer com um garfo e juntar um pouco de azeite . Eu junto também uma pitada de canela . Ninguém se queixou .

19.11.04

Voltei mas sem receita

Todos os dias ( ou quase ) tenho pensado que devia escrever qualquer coisa neste blog , mas na verdade não tenho tido tempo . Um blog destes exige mais do que um simples texto , eu escrevo acerca de receitas que fiz , ou vi fazer , ou de coisas que comi em restaurantes que por qualquer razão me espevitaram as papilas , ou quando muito sobre coisas relacionadas com a gastronomia como livros ou programas de televisão … Claro que tenho cozinhado todos os dias , mas são coisas normais , que não justificam a transcrição da receita , um dia foi pescada cozida e separada em lascas , com batatas, cenouras e couve-flor cozidas , tudo em pedacinhos que foram ao forno com molho branco por cima ao qual eu juntei espinafres ligeiramente cozidos e picados ,noz moscada e sumo de limão . Ficou bom mas não passou disso. Noutro dia fiz um arroz de feijão que ficou óptimo mas apenas porque os feijões eram muito bons , de agricultura biológica e beirões ainda por cima . Fiz também uns lombinhos de porco grelhados , temperados com alho picado , serpão e um fio de azeite. O serpão é uma espécie de tomilho que creio ser beirão , mas digo isto apenas porque foi na Beira – em Unhais da Serra que comi um excelente cabrito assado , que vinha temperado com essa erva . Mas se não tenho uma receita para descrever , tenho a memória de dois pratos que comi em dois dos restaurantes lisboetas que mais aprecio . No Comida de Santo comi um Bóbó de Camarão que ainda agora me faz crescer água na boca , e no Tentações de Goa comi Amotik de Raia , prato recomendado pelo dono dessa casa , e que me encheu de alegria pela surpresa e pela qualidade . Talvez pudesse linkar os nomes dos pratos com receitas existentes na net mas só iria enganar-vos . Quem sabe fazer aquelas delícias só o vai contar aos filhos ou aos netos por isso vão às casas que mencionei e deliciem-se .

9.11.04

Anonas

Que dizer ? Gosto muito de anonas mas acho que nunca provei as micaelenses .

Mais coisas simples ( 3 )

Queijo fresco de cabra escorrido e depois esmagado com o garfo . Juntar : 1- Rúcula picada , sal e um fio de azeite . 2- Coentros e alho ( uma das minhas misturas preferidas ) misturar bem e temperar com sal e um pouco de azeite. Depois juntar umas azeitonas muito picadas ... Em qualquer dos casos , comer com tostas .
A cozinha não fechou nem está para fechar , é o tempo para escrever que escasseia , já que o tempo para cozinhar esse mantém-se pois em casa a família come diáriamente e com a alegria habitual . Coisas com algum mérito não têm abundado , no entanto ontem para acompanhar uma feijoada que os meus filhos adoram ( e o resto da família também ) resolvi fazer uma "salada" arraçada de México . Uma cebola picada , dois tomates picados , salsa e coentros picados e abacate também picado . Temperada com sal , azeite e sumo de limão ( deitei também uma malagueta verde picada mas apenas no meu prato já que as crianças ainda não chegaram a esse estádio ... ) fica uma mistura fresca que acompanha e equilibra os sabores mais pesados da feijoada . Por mim vou repetir e deixo apenas um conselho . Os abacates se não estiverem maduros não prestam , e como normalmente não o estão eu embrulho-os em papel de jornal e ao fim de dois dias estão bons .

2.11.04

Reabri a cozinha

De regresso a casa , reabri a cozinha . Fiz um caril de legumes para o meu almoço de ontem (a família estava na Covilhã e só chegou à noite) , nada de especial com o caril . Puz 1 cebola e 1 dente de alho a refogar em óleo , juntei uma mistura de caril em pó própria para legumes ( trazida do UK , mas que também há no Martim Moniz ) e depois misturei nisso uma couve-flôr já coziada , um molho de espinafres , três batatas e um copo de água . Passados 15 minutos juntei dois tomates aos bocados e cinco minutos depois apaguei o lume . Juntei coentros picados , sumo de meio limão e guardei . Nada há digno de registo neste caril de legumes , mas para o acompanhar , além do sempre presente arroz basmati , eu preparei iogurte temperado que me soube muito bem , e foi mais ou menos assim . Um iogurte natural (magro ) batido ao qual juntei 1 colher de chá com açucar 1 colher de chá com sal 1 colher de café com cominhos em pó 1/4 de cebola picada 1 colher de sopa com cebolinho picado 1 colher de sopa com coentros picados sumo de 1/2 limão . ficou muito bom e liga muito bem com o caril ...